Barão da Mata - Verdades e Diversidades

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domingo, 21 de março de 2010

ASSUNTO POLÊMICO

"Excelentíssimos senhores parlamentares desta Casa Legislativa, hoje venho tratar de um assunto que as pessoas em geral evitam, não sei se por questões morais ou por negligência e comodismo, mas que nós, legisladores, não podemos, doa a quem doer, aconteça o que acontecer, nos furtar a debater nesta sessão de hoje. É um assunto controverso, obscuro, mas que tem de ser tratado com coragem e determinação por este plenário. Vamos tratá-lo sem ceder a pressões de quem quer que seja, porque esta entidade é independente e soberana para colocar em pauta o que bem entender."
"O assunto de que falo, nobres colegas de tantas lutas e batalhas, é o sexo dos anjos."
"Sim, o sexo dos anjos, sim, senhores - um braço erguido com um dedo apontado para o teto, a voz inflamada - O sexo dos anjos, sim, nobres colegas! Repito que este país não pode fugir a colocá-lo em discussão, para defini-lo de uma vez por todas, com o peito aberto e a fibra que nos é peculiar!"
Aplausos da platéia.
"Esta casa discute aborto, discute  maioridade penal, discute relação de trabalho, e agora, senhores, como se acharia no direito de evitar discutir o sexo dos nossos sublimes anjos, esses abnegados e celestiais emissários do Senhor?!"
Mais aplausos, parlamentares chorando, parlamentares abrindo os braços voltados para o céu, aleluia!
"Meus senhores, este será um momento histórico, toda a posteridade registrará a nossa bravura, intrepidez, esta ocasião nesta casa que tanto honramos e da qual fazemos o manancial de toda a justiça, toda a disciplina, toda a inteireza e todo o bom senso e moral deste maravilhoso país!"
Aplausos pra cacete! Apupos histéricos daquela platéra formada de parlamentares enfiados em ternos requintados e enforcados em gravatas de primeira linha.
"Vamos, meus nobres amigos! Vamos, meu nobre país, discutir o assunto que é da maior relevância para o futuro e o destino desta idolatrada, e grandiosa, e magnífica nação!"
E assim seguiu a sessão, tratando do assunto tão elevado e relevante. Você acha menos inúteis e estapafúrdias algumas coisas que são discutidas pelos paralamentares deste país?

2010

sábado, 20 de março de 2010

A VERDADEIRA FACE DO PODER

Nos tempos mais remotos da história da humanidade, hordas de aventureiros invadiam territórios e subjugavam outros povos, promovendo carnificinas e uma série de outras crueldades, assim como os americanos ( e outros imperialistas) vêm fazendo entre os séculos XX e XXI. Alguns invasores, porém, fixavam-se nos territórios dominados e impunham-lhes rudimentos de regras severos e geralmente injustos, porque tais normas ( se assim podiam ser chamadas ) não visavam a distribuir justiça, ética, promover desenvolvimento ou fazer valer a moralidade, mas unicamente a conservar para os invasores o poder e as benesses do poder.
Hoje, passados mais de quarenta séculos da inauguração de tal praxe, o poder, sobretudo nos países de terceiro mundo, tem os mesmos vícios, os mesmos cacoetes, sem outro intuito além da manutenção dos privilégios nas mãos dos que o compõem ou a ele estão ligados. Em outras palavras, o Estado, que é parte integrante do poder que nos governa - uma vez que boa parcela dos poderosos em qualquer país não ocupa cargo público - não tem nenhum interesse em promover o bem-estar social. E por este mesmo motivo precisaria ser perpétua e rigorosamennte vigiado e policiado pelos que vivem em sua jurisdição e sob os seus preceitos. O Estado, complô das elites e meio de exercício de mando das classes dominantes, precisa ser constantemente pressionado e fiscalizado para que a sociedade possa avançar, para que o cidadão possa obter dele o mais que devido respeito e a real condição daquilo de que é chamado (cidadão). Entretanto, realizar tal empresa é algo extremamente difícil, quase impossível.
Seria preciso, antes de tudo, embasamento por parte do povo quanto às questões sociais e políticas, além do conhecimento do verdadeiro perfil do poder, o que já é dificultado pelas poucas chances de acesso à educação e à cultura que os governos oferecem - do mesmo modo como Esparta implementava o laconismo como meio de dar poucos e parcos conhecimentos ao seu povo mais de vinte séculos atrás - e pelo papel que a mídia exerce nos dias de hoje, sendo aliada dos governantes no trabalho de desinformar e enganar, confundindo a opinião pública e fabricando "verdades" e "mentiras" que sempre se afinam perfeitamete aos interesses dos poderosos. Ora, a mídia, composta por gente que troca favores com o poder, que vive à sombra do mesmo e que deste faz parte, que outra postura poderia ter neste contexto? É ela tão provida de recursos e argumentos, que hoje quase ou nunca o poder precisa recorrer à força para defender os interesses das castas que tem a função de defender e proteger.
Só as socieadades mais avançadas conseguem fazer que o Estado exerça o papel que lhe cabe, porque tiveram acesso ao conhecimento de causa que não é dado aos povos de terceiro mundo, além de terem histórias muito diversas das vivenciadas pelas sociedades menos afortunadas - em sua maioria havendo arrancado do poder tudo aquilo que o poder não lhes queria propiciar, nem sempre por meios exatamente pacíficos, e ainda assim alguns séculos atrás, quando os veículos de comunicação eram precários e não eram o quarto poder (como até já foi intitulado um filme americano), o que favoreceu, entre outras coisas, o crescimento das idéias iluministas e o crescimento da não-aceitação aos desmandos dos poderosos.
Em suma, o poder não é juto ou ético, o poder é apenas o poder, sequioso das benesses que recebe de si próprio e cioso em não se deixar mover de sua confortável posição. Dele nada é recebido, mas conquistado com reivindicação e luta alicerçada no imprescindível conhecimento a que aqui faço alusão. Todavia, e infelizmente, não vislumbro, para os países de terceiro mundo, muitas chances de se alcançar este conhecimento de causa que leva à luta e à conquista.