Barão da Mata - Verdades e Diversidades

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sábado, 31 de dezembro de 2011

POR QUE O MUNDO NÃO ACABA EM 2012 E AS PREVISÕES PARA O ANO

Não há nenhuma verdade nas especulações de que o mundo acabaria em 2012 porque o calendário maia não vai além de tal  ano.  A questão é que, quando aquele povo pré-colombiano elaborava a contagem do tempo, vieram os espanhóis,  bestiais e sedentos de ouro e de sangue, e interromperam  a confecção do citado calendário e tudo o que aquela civilização fazia em sua vida - aliás, a própria vida da civilização.
Demistificada esta questão, posso agora passar às previsões para o próximo ano. Vamos lá.
Morte e adoecimento de algumas celebridades, principalmente do mundo artístico.  De alguns políticos também.  Como se artistas e políticos não fossem feitos de carne e osso e não morressem e ficassem doentes como qualquer mortal.  Casamentos de famosos. Como se famosos não cassassem.
A presidente Dilma terá de enfrentar  problemas políticos, dentre eles alguns bastante sérios.  O presidente Obama também.  E problemas não são a constante de quem administra qualquer coisa, principalmente no caso de presidentes da república. E, na questão específica do Brasil, os escândalos envolvendo sete ministros são probleminhas ou eu tô perdendo a noção da dimensão das coisas? E, ainda sobre o Brasil, pelo toque da carruagem, a gente sabe quem sempre vai vir dentro.
Alguma epidemia,  nova ou já conhecida, causará mortes, podendo inclusive acontecer no nosso país.  Imagine você, com uma África, América Latina  e Ásia imensuráveis e sem política de saúde pública, e ainda um México abrigando  em si uma série de mazelas, sem contar que a Europa e os Estados Unidos, por mais que se cuidem, vez por outra se fazem berço e disseminadores de alguns males esquisitos... Como então não haver epidemias ou endemias  a serem distribuídas pelo mundo e a entrada destas no Brasil, que só barraria a gripe suína nos aeroportos se cada vírus tivesse o tamanho de um boi - isto se não o deixasse entrar por americanofilia ou outra gringofilia qualquer.
Guerras e catástrofes naturais com muitas vítimas letais.  Pois é: num mundo cheio de mudanças e hostilidades climáticas, a cada ano acontecem umas cinco ou mais calamidades.  O que você queria?  Agora, quanto a guerras, qual foi o ano em que o mundo viu pura paz?
O mais é só dizer que a Lua vai entrar em Júpiter, Vênus vai entrar na casa de Saturno, Marte vai entrar em Áries e vai ser um bacanal astral do cacete.  É assim: ou as previsões são muito vagas ou genéricas, ou o cara  prevê e a coisa não acontece, mas, como esse negócio de previsão pro ano seguinte dá um puta ibope, nenhuma emissora é capaz de ao final do ano objeto de antevisões publicar todas as mancadas do astrólogo ou mandingueiro.
Agora, quanto a mim, se neste ano ( e ao longo dos outros anos) vim aqui a maioria das vezes para reclamar, não foi por não reconhecer que nos Brasil e no mundo há coisas boas,  mas porque, se ficarmos a lembrar a maior parte do tempo o que é bom, esquecer-nos-emos de que o que é ruim existe e precisa ser combatido: daí a necessidade, a imprescindibilidade do discurso ácido.  Justamente para que as pessoas não fiquem ignaras de um mundo a ruir à nossa volta até atingir a todos nós. 
No mais, desejo a todos vocês que não só no ano de 2012, mas em todos os anos e dias vindouros uma infinidade de sucessos e alegrias, com muita paz, muita saúde e plena prosperidade. 

21/12/2011

Barão da Mata

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

MINHA CAMPANHA DE DESARMAMENTO

Levando em conta a campanha do desarmamento e que  a mídia, bancando a tal campanha, tem conseguido ótimos resultados (porque as pessoas fazem tudo o que ela, a mídia, manda), venho aqui, por não ter público bastante, e lembrando primeiramente que  sou resistente a todo e qualquer apelo dos veículos de comunicação, pedir a eles que empreendam uma verdadeira cruzada para que os homens deste Brasil se capem, porque em muitos deles, segundo suas próprias palavras,  o pênis é uma arma poderosíssima para cativar mulheres.
Brasileiros patriotas, atendei a este clamor!

2011

O DESARMAMENTO FÁCIL E SIMPLISTA

Vi hoje, 28/12/11, num telejornal que a campanha de desarmamento do governo vem surtindo efeitos bastante positivos (para quem exatamente eu não sei).   Não tenho arma e não sei atirar, mas sinto um calafrio quando entro no Google  e consulto "Hitler e o desarmamento", e me dou conta de que o genocida primeiro apreendeu todas as armas dos judeus, depois empreendeu um verdadeiro massacre àquele povo.  Depois me lembro de que a própria mídia divulgou que , quando  ganhou a eleição presidencial de 2002, o PT tinha um projeto de 20 anos de poder (que com jeitinho dá pra esticar um bocado).   Sem contar que neste contexto de desarmamento puro e simples, os "cidadãos" (coloco entre aspas porque não haverá quem me prove que no Brasil haja cidadania), por não haver em lugar nenhum deste país uma política de segurança pública merecedora do nome,  ficam muito mais vulneráveis às ações de marginais.  
Deveria haver mais critério nesta questão de desarmar, que passasse talvez por um certo controle rígido na hora de o poder público saber a quem armar e a quem desarmar.  Pelas estripulias e atrocidades que vem cometendo uma grossa camada dos nossos policiais, sobretudo os policiais militares, a gente deduz que os estados estão não só armando,  mas principalmente selecionando os homens errados.  O controle rigoroso percorreria  necessariamente o caminho do levantamento pormenorizado da vida pregressa de cada agente das polícias, como também o dos exames psicológicos dos candidatos à carreira policial e a portar uma arma, e isto deveria valer para qualquer mortal, independentemente de ser este policial ou não.
 Entretanto, como é muito mais fácil e bem menos trabalhoso baixar um decreto ou lançar uma campanha do que administrar uma questão séria, quem seja feita a vontade de quem tem a gestão nas mãos.

2011

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O LIXO NOCIVO

Um dia desses, numa palestra sobre meio ambiente, ministrada no bairro de São Cristóvão por um ecologista sinoamericano que tinha como assistente um biólogo japonês de uma indústria pesqueira, foi-nos ensinado pelo  sinoamericano a maneira como as indústrias devem tratar a atmosfera, e o biólogo japonês fez uma longa dissertação sobre a vida nos mares e a importância das baleias, além de orientar sobre como os que vivem de pesca devem-se portar em relação ao mamífero.  Tudo foi muito proveitoso, saí de lá impressionado com os dois, e tudo teria transcorrido na maior tranquilidade se não fosse um outro ouvinte como eu, mas desses inconveniente,s que não perdem a oportunidade de fazer uma piada.
O fato foi o seguinte: num dado momento, após os expositores nos dizerem que lixo tóxico é aquele que vem impregnado de uma ou mais substâncias venenosas, enquanto o lixo biológico ou contaminado é, por seu turno, o  acompanhado de inúmeros micro-organismos, e que o que ambos os lixos têm em comum é que, além de imprestáveis, são nocivos e causam inúmeros prejuízos e mazelas às pessoas.  Após esta elucidação, os palestrantes  nos pediram um exemplo de um compartimento cheio de lixo nocivo.  Foi quando o tal sujeitinho abriu um riso cínico e respondeu em voz bem sonora:
- Um prédio lotado de políticos!
Você não sabe, meu amigo! Fiquei tão indignado, que me levantei e  dirigi a ele com veemência:
- Se algum político é como o senhor diz, não pode absolutamente ser daqui do Brasil! Por favor, respeite os nossos políticos, primeiramente porque eles têm a virtude de...  a virtude de... a virtude de... Bem! Deixa pra lá! Mas não podemos negar que graças a eles, os nossos políticos, que nós conquistamos... conquistamos... conquistamos... Tá bom, isto não vem ao caso!  Mas o que importa é que estes merecem o nosso maior respeito porque... porque... porque...
O sujeito passou a rir mais ainda, só que desta vez ria debochadamente de mim, que preferi me sentar e calar e assim permanecer até o fim da palestra. 
Já na rua, sozinho, senti-me arrependido, achando que devia ter dado uns sopapos naquele calhordinha cínico e insolente... É, eu devia ter batido nele... batido nele... eu devia ter batido, não devia?

2011

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A TELEVISÃO, "ROQUE SANTEIRO" E DIAS GOMES

Não há sombra de dúvida de que a televisão, principalmente a aberta, não tem  quase nada de bom.  Mesmo as tevês por assinatura deixam muito a desejar, porque as produções cinematográficas dos últimos quinze anos são, em sua grande maioria, absolutamente sofríveis, difíceis de assistir sem dar um muxoxo e mudar de canal.  E mudar em vão, porque, se você não for apaixonado por ciências  e não estiver a fim de saber como foi inventada a máquina fotográfica, ou se ainda não quiser ver um sujeito que finge que está fazendo sobrevivência e dá realismo à sua brincadeira em matar e estripar animais na sua frente ( o desgraçado uma vez abateu uma rena a faca e comeu-lhe o coração ali  na hora, para delírio dos sádicos), você só terá como opção assistir à Animal Planet, mas com um ônus:  ficará desolado e transtornado, porque os caras dão preferência a mostrar animais sendo abatidos por predadores ao invés de mostrar os hábitos dos bichinhos.
Em resumo, a televisão oferece pouquíssimas alternativas, e a Globo, que não é nem um pouquinho diferente das outras emissoras, só apresentando entre suas raríssimas exceções o "Globo Repórter", que nem parece produção da mesma empresa que tem a cara-de-pau de mostrar um programa ridículo, rasteiro,  barato, apelativo, piegas e imbecilizante como o "Big Brother Brasil ".  A Globo tem dessa coisas: de vez em quando produz algo como "O Tempo e o Vento", "Mad Maria", "Os Maias", etc, mas isto acontece uma vez a cada passagem do cometa  Halley pela Terra.
Tanto é verdade que acontece a cada passagem do cometa Halley, que "Roque Santeiro",uma dessas raridades, vem justamente na época de o astro ser visto por aqui.  
Roque Santeiro é uma anedota brilhante do falecido Dias Gomes.  Reprisada hoje no Canal Viva, que é para  onde os globais mandam algumas de suas boas produções (mas longe de mim querer dizer que o Viva é um bom canal, porque também é cheio de esterco televisivo), me faz a cada dia mais certo de que esta novela é a melhor novela brasileira de todos os tempos.  Tudo na telenovela me fascina: primeiramente o enredo, depois a interpretação dos atores e a maneira como estes compuseram os seus personagens, por fim os cenários e a álacre atmosfera que neles existe.   O grande fato é, enfim, que é um enorme prazer ficar grudado diante da tevê a assistir aquela idéia brilhante do genial autor de preciosidades como "O Pagador de Promessas" e "O Bem-Amado" (a novela e a série) entre outras pérolas.  A gente se delicia com o casal cômico-romântico Sinhozinho-Porcina, representado pelos talentosos Lima Duarte e Regina  Duarte; dá-se ao luxo de observar atores como Armando Bógus (também excelente e infelizmente também falecido), Cássia Kiss, Othon Bastos, Yoná Magalhães, Ary Fontoura e outros;  vê a perfeição com que  Paulo Gracindo e Cláudio Cavalcânti , cada um mostrando um setor (um, conservador, outro, progressista) da Igreja Católica.  O morto e então  idoso ator encanta a gente na pele daquele padre severo, mal-humorado, rabugento, mas omisso e de certa forma conivente com as articulações  menos justas e éticas dos vilões de Asa Branca, cidade que se tornaria objeto de uma verdadeira apocalipse se viesse à baila toda a verdade sobre Roque Santeiro (vivido pelo também grande José Wilker).  A economia da cidade dependia do mito, porque este gerava empregos porque induzia à fabricação e comércio de artigos religiosos, à vinda de  procissões e romarias à cidade e assim ao turismo, outra atividade de peso que contribuía para a saúde financeira do lugar.  Toda a engrenagem girava em torno da mentira, que, se uma vez revelada, faria tudo ruir.
"Roque Santeiro", que substituiria em 1975 a novela "Gabriela"(outra preciosidade, embora não do tamanho da de Dias Gomes), foi na época vetada pela censura dos militares, só podendo ir ao ar em 1986.  Deixa na gente um sentimento de perda muito grande, porque a genialidade de Dias Gomes só é desfrutada porque sua obra ficou, mas é duro saber que nada mais o autor poderá criar.  É triste, porque acho que os bons e os talentosos (do bem ) não deveriam morrer nunca.

2011

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

"O PODEROSO CHEFÃO", FILME QUE QUEM NÃO VIU DEVE VER, QUEM JÁ VIU DEVE REVER

Mais vale rever uma boa obra pela milésima vez do que ver pela primeira um esterco cultural do tamanho daqueles a que a gente assiste nos dias de hoje,quando tanto rareiam as boas produções cinematográficas. E um desses filmes que você vê mil vezes sem cansar é a obra-prima que  a Paramound produziu em 1972 , com direção de Francis Ford Copolla e que  ainda hoje me embevece, por ser algo de maior que a Terra já viu: "The Godfather", baseado na obra de Mário Puzzo,  intitulada no Brasil  "O PODEROSO CHEFÃO".  
Fazendo foco sobre o jogo maquiavélico de poder entre os chefões do crime organizado, a máfia, nos idos dos anos quarenta nos Estados Unidos, relata o envolvimento de autoridades públicas corruptíveis  com a organização, fenômeno que a gente brasileira  mal entendia nas duas últimas décadas e que só percebe  após o florescimento dos grupos marginais das drogas - que arrebanharam inúmeras pessoas de cargo público de importância -, mas que já era comentado pelo chefão Don Corleone (Marlon Brando), que tinha resplado  de venais ministros, juízes, senadores... e o auxílio do consigliere  Tom Hagen ( Robert Duvall), que avaliava o tráfico de drogas, na história que retratava o ano de 1946, como o "negócio do futuro".  Como se pode ver, a profecia relata com perfeição a segurança de sucesso dos que investiram no "negócio" naquela época, e todo o contexto ligado a esta questão faz o filme atualíssimo.  E não só aí está o mérito da produção: há vários fatores que devem ser considerados, como o elenco de peso e o realismo impressionante das cenas e diálogos, as articulações e ardis engendrados pelos criminosos e as cenas e momentos que ficaram antológicos pelo poder de fazer o espectador perplexo e quedado.
O mais curioso de tudo é que, segundo conta o próprio Copolla, os produtores, capitalistas burocratas sem nenhuma noção de cinema, opuseram-se inicialmente à contratação de Al Pacino, que interpretou Michael Corleone com maestria, e ainda mantiveram o diretor constantemente sob a iminência de demissão, isto por acharem que o filme seria um fracasso de bilheteria.
Quanto aos outros dois filmes da trilogia, acho que não é preciso fazer grandes comentários, pois se incumbiram de dar continuidade ao que já era magnífico, sendo-o igualmente.

2011

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

LEI DA PALMADA

Está no nos noticiários de hoje: "Câmara aprova lei da palmada, que proíbe os pais de baterem nos filhos".  Fico pensando:  se os políticos de hoje tivessem levado palmadas na infância, seriam hoje diferentes do que são?

2011

OUTRA SOBRE TESTEMUNHA

Testemunha terá mesmo proteção? Só se for testemunha de Jeová.

2011

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

CANÇÃO DE UM PREFEITO CORRUPTO (COISA RARÍSSIMA NESTE PAÍS)

O prefeito corrupto,  personagem aliás absolutamente fictício, porque não creio na hipótese de existir no Brasil... Mas vamos lá: o inexistente prefeito corrupto, parado a observar um logradouro de fora de sua jurisdição, cantaria "SE ESSA RUA FOSSE MINHA" com a seguinte letra:

Se essa rua, se essa rua fosse minha,
Eu mandava, eu mandava esburacar,
Faturava dessa obra uma propina,
Pois o preço eu mandava aumentar.

Essa rua, essa rua tem um poste
Que eu mandava, que eu mandava pôr no chão.
Pra pôr outro, arranjav'um bom marmanjo
Que me desse uma grana em minha mão.

Se roubei nesta  vida um dinheirão,
Inda é pouco, porque o povo é muito zen.
Inda quero, inda quero um'outra obra,
Pra deixar minha gente muito bem.

2011

TESTEMUNHA TERÁ PROTEÇÃO - HMMMMM...!

Vi hoje em letras garrafais, no jornal de alguém, num ponto de ônibus: "TESTEMUNHA TERÁ PROTEÇÃO." Ah, tá!  Imagino:  figa-de-guiné, espada-de-são-jorge, fita-do-bonfim,  patuá, manta, cobertor, coeiro, mosquiteiro, guarda-chuva, touca, botas de borracha...

2011

domingo, 11 de dezembro de 2011

QUEM ASSISTE A "BRUNA SURFISTINHA" NÃO JOGA SEU TEMPO FORA

A beleza e sensualidade de Débora Secco sempre saltaram aos olhos, são dotes irrefutáveis da bonita e jovem atriz, mas sempre tive alguma restrição quanto a ver produções em que sobre esta recaísse mais frequentemente o foco da história.  Porque na maioria das oportunidades em que vi a moça atuando, percebi uma exploração demasiada de seu erotismo e suas formas por intermédio de cenas de nudez ou seminudez, e uma despreocupação quase absoluta com o enredo.  Muito embora a jovem seja bela e desejável como já disse, há primeiro uma enorme diferença entre ver uma beldade nua ao vivo, em carne e osso, e ver a mesma beldade na tela.  Ou seja: a falta de real presença nos permite ser críticos e racionais.
No caso de "Bruna Surfistinha", de Marcus Baldini,  a coisa foi todavia  bastante diferente do que eu já vira.  Percebi uma Débora Secco amadurecida, valendo-se da seminudez ou nudez não além do necessário, numa interpretação convincente, primorosa, do nível da apresentada pelos atores de maior gabarito.  A atuação das atrizes que com ela contracenam, sobretudo a talentosa e experiente Drica Moraes,  também é irretocável.  E o filme, relatando a  história verídica de Raquel Pacheco,  tem a crueza e o realismo perfeitos para o roteiro.
Quanto a fotografia e outros detalhes mais técnicos, deixo-os a critério dos cinéfilos e de gente especializada, já que não posso me considerar uma ou outra coisa.  Mas no que se refere ao que comentei, no entanto, achei o filme de uma excelência muito pouco corriqueira, além de ficar contente  pelo que posso esperar dos futuros papéis da atriz principal.

2011


ENTENDA POR QUE GOVERNAR OU SER POLÍTICO É EXTREMAMENTE ERÓTICO

É... Tudo  é mesmo uma questão de ponto de vista.   Se nós ficamos aqui a achar que os políticos (ou   uma boa parte deles) são desonestos, aéticos, isso e aquilo... se pensamos que há falcatrua ou vigarice nesses e naqueles atos dos caras, o nosso "querido" deputado Jonas Pereira Jojoba, o tão mencionado (por mim) Jonas, o Salafrário,  numa conversa de gabinete, expôs ao seu colega Sandro Lessa a sua visão sobre a questão:
- Meu caro Sandro, a verdade é  que  o que pessoal chama de pilantragem é, na verdade, muito erotismo.  Ou seja, governar é algo extemamente erótico.
- Erótico?? - espantou-se Sandro.
- É, erótico... - insistiu Jonas.
- Mas como assim?
- É fácil entender.- nosso protagonista começou a elucidar com voz pausada - Qual a analogia que há entre o povo e a mulher solitária?
- A analogia...?
- É, analogia, Lessa. Pois eu respondo: é a carência. A mulher solitária tem carência de afeto, o povo, carência material, financeira, de saúde, educação, habitação, segurança,  essas coisas. Mas o grande fato é que, embora  tipos de carência diferentes, tudo é carência, carência é sempre carência, certo? 
- Certo.
- Então, veja bem: quando você tá a fim de se eleger, o que é  que você promete ao povo?
- Educação, emprego, saúde, melhores salários...
- Pois é.  E agora, quando você tá a fim de "pegar" uma mulher solitária, carente,  o que você promete?
- Amor, paixão, carinho, sexo...
- É isso aí: amor, paixão, carinho, sexo! Sexo, viu!? Começou a ficar erótico.  Agora me responde: como é que você faz prá mulher deixar você "pegar" ela firme?
- Bom, depois das promessas, quando ela tá caidinha por mim e me deixa encostar, chegar pertinho, antes de partir pro "abate", eu passo o nariz na nuquinha dela...
- E aí, como pé que é com o povo? Como tu faz pra ganhar o voto?
- É parecido: eu elogio, dou festa, afago...
- Taí! Você afaga o povo como afaga a mulher! Não é isso?! - e Jonas era agora agitado e veemente: - Afaga, não é isso?!
- É...
- E depois que tu promete e afaga, e ela se desvanece, se derrete todinha, fica doidinha?
- Ah! Aí, meu amigo...- Sandro tinha um riso safado no rosto - Aí, meu amigo...
- Fala, Sandro, fala! Olha que, como a mulher, o povo se desvanece e se derrete todinho!... Fala, Sandro, fala!
- Ah! Aí, meu amigo...
- Fala, Sandro, desmbucha!
- Aí... - deu Sandro uma risadinha - Aí eu sodomizo mesmo!
- Pois é, Lessa! - concluiu Jonas - Primeriro a gente promete e faz carícias, depois a gente sodomiza.  Então?  Ser político ou governar é ou não é bastante erótico?

2011


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

OS MAIORES CORNOS DO MUNDO

Se formos levar em conta que os políticos em geral não têm palavra e não cumprem suas promessas, e que a maioria absoluta deles trai o voto de quem os elege, somos nós,  eleitores brasileiros, verdadeiros cornos eleitorais, estamos entre os maiores cornos do mundo. 
Você não acha?

2011

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

OS MAIORES ORGASMOS DO SÉCULO

O maior orgasmo do século foi o do Galvão Bueno (pelo escândalo), no momento em que narrou a vitória  que fez o Júnior Cigano campeão mundial de MMA.  Vem seguido do orgasmo do Obama no dia em que conseguir matar o Osama e do Alexandre Pires, em 2003,  que chorou de gozo quando abraçou o  George W.Busch, apesar de o então estadista haver devastado o Afeganistão e o Iraque, fazendo carnicficinas dantescas.  E olhe que eu teria tantas sugestões para o abraço do cantor (coisa nossa, como cantaria o Sílvio Santos):  Hildebrando, Satanás, Champinha... 
É... gozado, não?

2011



quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

DEFESA AOS NOSSOS HOMENS ÍNTEGROS

É revoltante a infâmia de certas pessoas em dizer que o Brasil é um país de corrupção predominante, campo fértil para a prática de atos avessos à retidão e ao decoro. Caluniosa a afirmativa de que somos um país onde grassa a impunidade e a mais assombrosa condescendência aos maiores atentados à ética e à lisura.  Tais declarações me revoltam a ponto de a mim vir  o ímpeto de agredir fisicamente  tão sórdidos mentirosos, eu eu bem o faria se me pudesse livrar desta camisa-de-força que me imobiliza penosamente.

Zé Doido, o Aloprado


2011

ANÚNCIO DE UM PAI-DE-SANTO DANADO DE BOM

PAI BODÃO DAS INCRUZA traz amor de muzifia de vorta, desfaz mandinga de perna-de-saia vingativa,  traz prosperidade pra fio sem sorte e sem grana. Aceita cartão de crédito, cheque pré-datado e vale-saravá.  Pai Bodão encaminha pra  atendimento vinte e quatro  hora os caso de emergença, ê-ê!  Tem convênio c'a Igreja Mundial do Império do Sinhô. Ê-ê!


2011

E TOME ESPORTE E CIGANO!

Quando, no dia da vitória do Júnior Cigano,  acordei de um cochilo sobressaltado com os gritos do Galvão Bueno, inicialmente imaginei que o pobre estava tendo uma crise renal ou de pancreatite (já tive pancreatite uma vez - ou mais - : dói demais ).  Um pouco mais desperto, poucos segundos depois, fiquei achando que o locutor estava  tendo um orgasmo.  Um orgasmo masculino, que coisa mais bizarra! - pensei.  Só quando passados mais alguns segundos me dei conta de que se tratava da vitória do Júnior Cigano, que sagrava-se campeão mundial de MMA e, o que era mais sério, eu estava na contramão do Brasil inteiro.
Em momentos como aquele me sinto exatamente como um peixe fora d'água, um estranho no ninho, um negro africano na Islândia ou  um branco islandês em plena África.  Eu gostaria de saber que atrativo  há  em se obter um campeonato numa modalidade esportiva em que um esmurra os cornos do outro até quase matar.  Não evoluímos nada em realação àqueles romanos pré-cristãos que se compraziam da visão de um homem retalhando o outro e enchendo a arena de sangue, ou ainda de um crânio esmigalhado ou um leão dilacerando um escravo - depois um cristão.  E olhe que há quem ache que eles, ainda naquele tempo e com aquela moral precária  e sem senso de bondade, poderiam ser considerados ignaros e estúpidos.  O que então somos, entre outros povos com os mesmos entusiasmos, nós, brasilreiros, em pleno século XXI, quando já se conhecem as idéias humanitárias preconizadas já por Isaías  e levadas adiante por Jesus e os seus seguidores contemporâneos e posteriores?
Como não bastasse, para piorar, o prazer mórbido que têm as pessoas em relação à dor e ao sangue, o que mais me aborrece é haver de conviver com o Cigano durante as vinte e quatro horas do dia.  Eu ligo a televisão e alguém fala do Cigano, ou então vejo a cara do Cigano e o ouço dando entrevista.  O lutador está sob o efeito Neimar, que se tornou constantemente onipresente quando o Santos abocanhou o título mundial com a participação imprescindível do jogador.  Ou seja, se era o Neimar, agora é o Júnior Cigano.  Eu vejo o Cigano quando leio o jornal, quando olho um "outdoor", quando ligo a telvisão, quando entro na internet; eu durmo com o Cigano, acordo com o Cigano, tomo banho com o Cigano, escovo os dentes com o Cigano e, ao dormir, sonho inevitavelmente com o Cigano, porque só, tão só e unicamente é o Cigano o que há no mundo.  Sem o Cigano, não há mundo, pensamento, paz, alegria, felicidade, festa, prazer em viver, sentido para a vida.  É um verdadeiro chá de Cigano, uma overdose de Cigano.  Assim é demais! Como se não bastasse a dose cavalar de futebol que eu tenho de suportar, agora é também o MMA.  E não adianta desligar televisão e rádio, fechar as revistas e jornais e os próprios olhos,  porque há sempre nos arredores aquelas criaturas sub-humanas que ficam a espalhar os estrondos dos seus fogos por nossos ouvidos e dando vazão aos seus instintos incendiários e destrutivos.
Por fim, eu diria que não há nenhum motivo para o Brasil ficar sorrindo de orelha a orelha, porque, com os índices de desemprego e de miséria que tenta em vão varrer para debaixo do tapete, com a dança ousada ostentada pela corrupção, os números quase africanos de desemprego e miséria que apresenta, não há conquista esportiva que possa fazer qualquer país feliz.

2011

domingo, 27 de novembro de 2011

AS AVENTURAS DE JONAS, O SALAFRÁRIO

Episódio de hoje; "O MINISTRO"

Se há uma coisa que não se pode negar sobre os políticos,  esta coisa é a  capacidade que estes têm de estar sempre  em evidência, o que é indubitavelmente uma demonstração de competância quanto à habilidade de não se deixar esquecer pelo eleitorado,  competência inquestionável da maioria absoluta dos que abraçam a carreira política.  E o nosso bom Jonas, nascido com a política correndo nas veias junto com o sangue, desde a sua primeira candidatura,  jamais se deixou apagar da memória do público.  Agora, se isto se deu por meios virtuosos ou viciosos, a questão é muito pouco relevante, pelo menos dentro do modo como a gente depreende que uma grande gama dos nossos  legisladores e gestores públicos pensa.
Bom! Mas vamos deixar de enrolação e partir direto pro assunto!  Não é que o nosso "herói", em sua triunfal carreira, se meteu em mais uma confusão por causa da sua mania de sempre se dar bem sem se importar com os meios?  Pois é. Nomeado ministro da Bajulação, uma das pastas prioritárias entre os trezentos ministérios do governo,  se enfiou em um monte de falcatruas, até que a imprensa ficou sabendo e o tornou um prato e tanto para o momento.
Mas nosso homem não se deixou vencer facilmente.  Convocou uma entrevista coletiva e enfrentou peito a peito os seus pretensos algozes.
- O que o senhor tem a dizer sobre as denúncias que vem enfentando? - perguntou um dos repórteres.
- Denúncias? - fingiu não saber Jonas -  Que denúncias? Pensei que estávamos aqui para falar sobre a importância do Ministério da Bajulação no cenário nacional.
- Mas o senhor não sabe?
- Não sei? Do que?
- O senhor é acusado de superfaturar os  contratos de consultoria em bajulação com a Babaovos Relacionamentos Políticos e Empresarias, que por acaso vem a ser de sua propriedade.
- É mesmo?
- Ministro, o senhor não se lembra?
- Ah, sim! É de propriedade minha e daquele senhor... daquele senhor... Dá licença de eu ler!
- Ah! Perivaldo!
- Então, ministro? Como então o senhor pode negar?
- Eu negar?
- E não foi?
- Nada! Eu só esqueci.
- Mas ministro...?
- Eu sou muito esquecido... Quando eu era pequeno, meu pai já dizia: "Não vá esquecer de ir à escola, Joaquim..."
- Joaquim?
- Ah, é! Sou Jonas! Viu como eu sou esquecido?
- Mas o que o senhor diz sobre o superfaturamento?
-Vocês não acabaram   de afirmar que eu sou proprietário da Babaovos?
- Sim.
- Pois, bem: esquecido de que sou ministro, incumbi-me eu mesmo de estabelecer os preços, lá na empresa,  só que, por um engano lamentável,  na hora de formalizar os valores, troquei-os pelos que pretendera propor ao Departamento de Puxassaquismo dos Estados Unidos.
- Sim, ministro, mas e as acusações de tráfico de influência, favorecimentos...
- Ah! Isto tudo é preconceito...
- Preconceito?
- É... preconceitos quanto aos calvos...
- Preconceito por calvície???
- Absurdo, não é, meus amigos?
- Mas, ministro?!
- Sim?
- Mas nem calvo o senhor é!
- Não, mas descobriram que meu pai era...
- Ministro, e o aumento do seu patrimônio, que decuplicou em três meses?
- Competência minha.
- Puxa! Mas como o senhor é competente!!!
- E Deus ainda me ajuda.
- Deus???
- Viu só? Você não tem fé: se tivesse, seria o entrevistado. Imagine-se rico e ministro.
- Mas, voltando à história do superfaturamento dos contratos: se o senhor se esqueceu de que era presidente da Babaovos Relacionamentos, por que aprovou os orçamentos no Ministério? Esqueceu-se de que era uma autoridade do governo?
- Não. Sabia que eu era autoridade, só que pensei que era do Departamento de Puxassaquismo americano.
- Ministo, o senhor sai com cada uma...!
- Ontem eu saí co'a Michelle... Você viu, né? Bonita, não?
- Não desconversa, ministro!  Conta a história do desvio de verbas...
- Isso é história de gente invejosa, que quer me desestabilizar no governo. Sabe como é, não é?  Tem gente que não gosta de ver ninguém bem...
- Poxa, mas todos invejam Vossa Excelência?
Jonas então resolveu exaltar-se:
- Epa! Peraí! Vamos parar com essa cultura de ficar derrubando ministro!  Não vou sair do governo e pronto!  Quero ficar no corpo do governo feito tatuagem...
- Mas, Excelência, a sua situação...
- Não adianta! Não saio!  - e dirige-se a sua chefe - Eu te amo! - e agora volta-se aos repórteres: - Mas não saio! 
- O senhor acha normal tantos ministros de Sua Excelência, a presidente, envolvidos em escândalos?
- Ah, é? E Sua Excelência fala alguma coisa?
- Não.
- Pois é! É porque ela, infelizmente,  também é esquecida. 
- Esquecida????  A presidente???
- Ou, então, elevada, sempre soube  o quanto é alta a virtude de saber perdoar.

2011

sábado, 19 de novembro de 2011

OS ESQUECIDOS E INOCENTES DO REINO DOS ESQUECIDOS

Nobres cidadãos de minha nação! Droga! Infelizmente não me vem à memória, por mais que eu me esforce, o nome do país onde os fatos que narro ocorreram.  Venho-me esquecendo, como alguns personagens de minha história,  o nome da amada e idolatrada pátria onde a corrupção nunca era punida, talvez porque os seus sumos líderes vissem os aéticos mais como simpáticos e divertidos peraltas do que propriamente desonestos.
O fato é que já nos anos mil quinhentos e noventa alguns anõezinhos parlamentares já haviam feito algumas traquinagens e, entre eles, um de nome Vé Zeraldo, que, inquirido por um conselho de colegas a responder sobre desvio de verbas públicas,   já  se esquecera de uma latifúndio que comprara:
- Reconheço o cheque como sendo meu, mas não me lembro da fazenda.
Vistes, Senhores?  Vistes como eram as coisas naquele reino quase dois decênios antes?  E olhai que nem me ocupo aqui de outro dos anões, que tirara a sorte-grande mais de cinquenta vezes, chamado Janjão Calves.
Mas tornemos, honrados cidadãos, aos fatos que ora interessam. 
Não é que, no ano de 1611, a rainha... a rainha... a rainha...? Meu Bom Deus, qual era  mesmo o nome da rainha?! Vedes? Também não me lembro.  Mas aconteceu que a rainha, só nos primeiros dez meses do ano de 1611, perdeu seis dos seus seiscentos ministros, cinco destes por corrupção.  Quando vos digo perdeu, é porque Sua Majestade não demitiu nenhum: todos foram aconselhados, nos bastidores, por seus correligionários e amigos a deixar o poder.
Houve o caso do ministro Afrânio Balote (talvez uma corruptela - que neste caso nada tem a ver com roubalheira - ou abreviatura de baleia cachalote), que multiplicara em poucos meses o seu patrimônio sem saber como (notai o tamanho do esquecimento), o do ministro com nome de cantor, Francisco Alves,  que jurou aos arautos do reino que nada desviara, era inocente, que o que havia era uma intenção ardilosa e malvada de invejosos em desestabilizar a sua situação no governo e ao próprio reino.
Não posso também esquecer o ministro dos Passeios, Ledo Velhais,   acusado de usar recursos públicos de modo irregular quando tinha sido parlamentar.  Nem do ministro Manfredo Movimento,  suspeito de superfaturar obras da sua pasta, e Ágner Roça, a que as más línguas atribuíam pagamento de propinas.
O grande caso é que todos se declararam inocentes.  Nenhum foi demitido. Nenhum teve de dar satisfações a nenhuma CPI (comissão de parlamentares interrogadores). Todos pediram demissão, indignados com a onda de maldosos e destrutivos boatos.
Quando se via instada pelos arautos a responder o que faria com relação a cada ministro provocador de escândalo, a rainha sempre desconversava e deixava que se percebesse nas estrelinhas que o assesssor estava prestigiado.  A certa altura, disse que promoveria uma verdadeira faxina ética naquele reino.  Mas tudo foi mera retórica.
Por último, o que se sabe daquele país exótico e brincalhão é que Sua Excelência, o ministro Puppy, estava também envolvido em alguns rolos, sendo acusado de envolvimento com irregularidades de organizações não reais (não criadas pelo reino), de receber favores de um tal... um tal...?
- ...como é mesmo o nome desse senhor?  Ah, sim! - leu - Arquibaldo!
Foi até então o caso mais grave de falta de memória da gestão da rainha (de outros ficaremos sabendo mais tarde, quando terminarmos a pesquisa e soubermos o final desta história).  Mas o Dr. Puppy era valente, não se deixou abater de pronto, saiu logo atirando:
- Vamos parar com esse negócio de ficar derrubando ministro!  Daqui eu não saio, daqui ninguém me tira!
As entrevistas com os arautos aconteceram mais ou menos assim:
- Excelência, dizei aqui a nós, emissários da rainha tão ávidos de verdade,  se viajastes à custa dos favores do Sr. Arquibaldo, usando alguma embarcação de propriedade deste.
- Jamais, ó nobres mensageiros do verossímil!   Sequer conheço esse senhor...?...? Valdo!
- Sois,então, ó nobre senhor, vítima de calúnias?
- Como não, meus bons arautos? Como não? - e bravejou: - Vamos parar de uma vez por todas de ficar a despojar a nós,  elevados e confiáveis assessores da rainha, do poder! - e ainda, dirigindo-se à nobre: - Eu vos amo, Nobre Rainha!  Mas não posso sair por razões tão injustas!
Dias depois, entretanto, foi divulgada a pintura em que Puppy posava desembarcando de uma caravela do sr.Arquibaldo.
- E agora, Excência? - indagaram os pregoeiros - como vos explicais, se ficou claro que vossa era a bela e respeitável imagem de homem que saía da nau? 
Puppy coçou a cabeça e em seguida respondeu:
- Acaso estaria eu, nobres senhores, a salvo de esquecimentos corriqueiros  da natureza deste que tive?  Nunca tivestes porventura um lapso de memória?  Atire a primeira pedra aquele que jamais o tenha tido!
No meio de todos esses bafafás, a rainha, por sua vez, sempre que entrevistada vinha com evasivas do tipo:
- Não há nenhum indício de que o meu ministro esteja envolvido em irregularidades, mas na hipótese remotíssima de isto estar acontecendo os fatos serão apurados e as medidas cabíveis, tomadas - mas num tom de quem dizia: - Vão catar coquinho e me deixem passar, cacete!
Sua Majestade, também esquecida, negava que prometera uma verdadeira faxina ética por ocasião da queda de Afrânio Balote.  Quando cobrada, dizia:
- Mas não há nenhuma necessidade de se proceder a qualquer faxina, se as coisas estão caminhando dentro da normalidade e da retidão - como se dissesse: - Não veem logo que eu tenho uma puta labirintite e que uma bosta de uma faxina ia me desestabilizar?!

2011

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

CLASSIFICADOS / VAGAS PARA MINISTROS

Precisa-se de ministros que não somente não tenham telhado de vidro, mas que também gozem de boa saúde e, sobretudo, não sofram do mal de Alzheimer.


2011

DR.LUPA E O ESQUECIMENTO

Primeiro:
- Eu nunca viajei numa aeronave desse desse senhor, eu nem sequer conheço esse senhor...? Como é mesmo o nome dele?
- Xxxxxxxxx.
- Humm?
- Xxxxxxxxx.
- Cuma?
- Xxxxxxxxx.
- Ah! Perivaldo!
Depois da divulgação das fotos em que posa na saída de um avião do citado senhor.
-Ah, sim! Eu viajei e conheço o moço, mas tinha-me esquecido.
Conclusão: o mal de Alzheimer é uma doença mais corriqueira do que se imagina.

2011

domingo, 13 de novembro de 2011

NOSSOS COMERCIAIS

Não compre gato por lebre. Ou melhor, não compre aguinha por aguão. Só a Casa Hidrossanta tem a legítima água Bacedão.  Água Bacedão! A verdadeira água do Rio Jordão.
A Hidrossanta tem também outros produtos de grande utilidade: larvas, ovos e criadouros de algumas das pragas do Egito para você castigar os hereges.  Vá hoje mesmo a uma casa Hidrossanta e compre os milagrosos produtos Bacedão, o poder divino ao alcance da mão.


Se você vê fantasmas, tem obsessão, encosto, visões, perturbações, ziqueziras, use Saravá(!), o único defumador e repelente de eguns em "spray".  Saravá não faz fumaça, não irrita  os olhos nem a garganta, não provoca tosse e é perfumado e suave, deixando o seu ambiente limpo e aromatizado.  Basta um jato do seu "spray" Saravá, e os fantasmas e encostos se mandam pra bem longe na mesma hora!  Não esqueça! Saravá! O único espanta-encosto bom de usar!

Se o seu marido é meio burrinho, só fala em esportes e gosta de acompanhar os "reality shows" e, mais do que isto, costuma acreditar em políticos e suas promessas, ele está precisando de Cerebrênio.  Cerebrênio é um tônico cerebral que inibe a idiotina, a enzima maléfica do cérebro que provoca entre outros males o interesse pelo "funk" ,  pagode e  telenovelas e que vai provocando pouco a pouco o achatamento encefálico, doença que acomete pelo menos cinquenta por cento dos eleitores.  Além de inibir a idiotina, Cerebrênio aumenta os seus níveis de inteligentol, e aí o seu marido irá querer discutir História, Física, Matemática, Filosofia, mudará da água pro vinho! Todo mundo irá querer conversar com  ele! Não se esqueça: Cerebrênio!  Só Cerebrênio faz do seu idiota um gênio.

Se o seu namorado beija mal, não se desespere: dê a ele Beijol!  Beijol é um estimulante do beijo que aumenta o volume da língua e gera impulsos elétricos que a fazem vibrante e quente, com movimentos rápidos que vão deixar você doidinha!  Beijol! Faz o beijo do seu namorado quente como o sol!


Vou nessa, 'té mais...


2011

sábado, 12 de novembro de 2011

ELIS REGINA, A DEUSA

Lamento muito quando algum jovem me diz que "não se liga" no trabalho da Elis Regina.  Lamento , francamente, não por ele - cada um opta pelo que quer ou acha melhor para si -, mas pelo fato de isto fazer parte do processo de empobrecimento cultural pelo qual o Brasil vem passando.  Embora não tenha a autoridade de um intelectual para falar no assunto,  venho desde os meados dos anos oitenta percebendo o declínio da cultura do país.
Fico com a impressão de que os militares, antes de saírem de cena, procuraram certificar-se de que a cultura nacional não produziria novos chicos buarques ou geraldos vandrés, de que o pensamento por aqui estava esmigalhado, aniquilado, incinerado e convertido em cinzas sopradas pelos chamados descartáveis da música surgidos na citada década.  Como se não bastasse o nada-dizer das letras daqueles artistas,  observei que as emissoras vinham tirando do ar os bons  programas jornalísticos, como o "Noventa Minutos", apresentando na Bandeirantes (hoje Band) por Paulo César Pereyo e Ana Maria Nascimento e Silva, e os programas de auditório totalmente desqualificados começaram a proliferar e a distribuir o sofrível e o ridículo para o consumo de um público que me pareceu acomodar-se e comprazer-se infinitamente com a nova situação.
Mas não vou ficar tratando do apequenamento da produção musical e da programação da mídia. Quero falar da Elis,   a miraculosa Elis, que cantava com o fundo da alma, trazia o fundo da alma à flor da pele, envolvia a gente, fazia-nos sentir as emoções colocadas nas letras das canções que cantava, porque Elis ardia em cantar, ora sofrendo, ora amando, ora transbordando alegria, mas ardendo, sempre ardendo em intensos sentimentos.  Era mesmo um fenômeno, porque, além de cantar com a alma, fazia-o também com uma voz de uma beleza rara, com uma técnica e um  poder de cantar tão singular, que mais parecia que alguma deusa cantava através daquela gauchinha  morta no ano em que  faria trinta e sete anos.   Que perda nós sofremos!
Elis era uma diva e gravou Ary Barroso, Mílton Nascimento, Chico Buarque, Gilberto Gil, João Bosco e Aldir Blanc e outros compositores de primeira grandeza da MPB, o que tornou ainda mais esplendoroso o seu trabalho.  Uma pena uma grande parcela das novas gerações "não se ligar" nela e no seu repertório, que foi o que houve de mais rico - como a sua voz - no Brasil.  Muito embora tenha gravado algumas poucas músicas e autores comerciais que reneguei - apesar da sua  magia vocal -, tenho a impressão de que aquela verdadeira fada tenha chegado às raias da perfeição.
Já disse eu certa vez em uma poesia que "Deus levou Elis para cantar para ele", mas com muito mais propriedade o mestre Luiz Fernando Veríssimo fez à cantora uma crônica intitulada "A Voz do Brasil".  Todavia, com todo o respeito e reverência que merece o brilhante Veríssimo, o talento de Elis sempre esteve acima de qualquer coisa que o mais luminoso observador possa dizer sobre ela. 

2011

VOCÊ SABERIA ME EXPLICAR?

Por  que um rapaz de dezesseis anos é um adulto para votar e, se eventualmente comete um homicídio, é uma criança para pagar por seu crime?  Afinal, os nossos dirigentes e legisladores são tolos ou brincalhões?
Os champinhas do Brasil têm muito a lhes agradecer.

2011

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

JÁ COMETEU O SEU CRIMEZINHO HOJE?

Uma das coisas que mais me irritam neste mundo é a impunidade.  Droga!  E fui nascer logo no Brasil(!), capital mundial da própria!  A impressão que eu tenho é que este país é uma cidade do velho oeste americano, onde as pessoas passam os dias no "saloon" e a todo momento há um duelo   ou tiroteio, com gente estrebuchando pra morrer, onde o xerife só chega para mandar recolher os corpos e os papa-defuntos ganham um dinheirão e fazem a festa. 
Aqui nada é passível de punição.  O cara vai, faz direção perigosa, cavalinho-de-pau, contramão, mata um cachorro e um velho, fere uma idosa, torna uma criança inválida e, quando tem alguma aporrinhação, acaba só pagando cestas básicas e que se dane a vida do cachorro e do idoso, a integridade física da criança e da idosa e todo o mais!
Não sei de ninguém que tenha ficado preso por crime de trânsito, e outros crimes também ficam igualmente impunes.  A corrupção, como você bem sabe,  não gera nenhuma punição,  a não ser que o sujeito seja pobre.  Se não, pode roubar dinheiro público à vontade, que NÃO A-CON-TE-CE  AB-SO-LU-TA-MEN-TE NA-DA!  Você duvida?!  Puxe pela memória e responda quantos sabidamente corruptos dos últimos dois anos  estão hoje na cadeia. 
Quando a corrupção mais parece dançar debochadamente diante da gente, eles falam em reformar o código penal e não mais punir com prisão os praticantes de pequenos assaltos, pequenos roubos, pequenos furtos. Assim, então, as pequenas mortes também ficarão sem punição, não é? Não é um grande absurdo?! Você já percebeu - e as autoridades melhor do que você - que esses pequenos assaltantes, desses que saem em duplas ou trios por aí a assaltar em ônibus e nas esquinas, são de uma crueldade em nada menor do que a dos grandes traficantes?  A proposta é tão revoltante, que recuso-me a fazer maiores comentários sobre ela.
Fico impressionado, o Brasil é a república do faz-o-que-quer, aqui é o melhor lugar do mundo para se praticar o crime, seja ele financeiro ou contra a integridade física das pessoas.  É por isto que só me resta fazer a pergunta: você já cometeu o seu crimezinho hoje?

2011

O TAMANHO DO CRIME E DA CORRUPÇÃO

Esse negócio de impunidade é muito engraçado, não é?  Todo mundo sabe que o cara tá metido em trampa, porque é visível, notório, público, essas coisas, mas ninguém encana o sujeito, não é?  A maior punição que um corrupto de posição social pode sofrer aqui no Brasil é perder um eventual cargo publico - fora isto não dá nada.
Quando se começa a especular se fulano fez ou não fez, beltrano sabia ou não sabia, cicrano aceitou ou não aceitou, justamente quando tudo está muito claro e óbvio, me lembra um pobre judeu na prisão, diante de um carrasco nazista, tentando negar a sua condição.
- Você é judeu? - primeiro pergunta o carrasco.
- Não, senhor, acredite!
- Ah, é??! E essa circuncisão?
- Modismo, senhor.
- E essa estrela-de-davi tatuada no peito?
- Foi erro do tatuador, senhor:  ele não soube desenhar dois quadrados e emendá-los para representar um cubo.
Só que no caso do infeliz judeu este é mandado para um campo de concentração, onde morre aos poucos sob inúmeros infortúnios e torturas.  Enquanto  na questão dos nossos corruptos nada lhes acontece, e os caras conseguem se eleger na primeira eleição que se segue à publicidade dos seus atos.
O Brasil tem tanto, mas tando cara que deveria estar atrás das grades, que, se todos os criminosos de colarinho branco fossem postos na cadeia, seriam bastantes para superlotar todas as prisões.
O país precisaria fazer uma varredura em nome da ética, investigar minuciosamente inúmeras instituições públicas e privadas, porque sabe-se com frequência de gente com alto cargo público envolvida em corrupção.  No entanto não sei se seria possível fazer uma  verificação rigorosa, porque as barrreiras até poderiam surgir em pontos altos dos organismos investigados, dado o número de gestores que surgem a cada dia sob as notícias de envolvimento em corrupção.
Se formos considerar o crime organizado e o número de policiais que se envolvem ou fazem parte deste, quantos detentores de altos cargos poderiam também estar envolvidos?  E no que toca a empresários?  Quantos são também praticantes de negócios ilícitos e associados do tráfico e/ou das milícias?  E funcionários públicos?  De que níveis?  Qual o tamanho das redes criminosas?  E se levarmos em conta contrabando e outro ilícitos?
Como se pode ver, essa coisa de crime organizado, envolvimentos é muito difícil de se analisar,  a corrupção, pior ainda, porque tem tantas e tantas vertentes, que a gente não sabe dizer o tamanho de cada coisa.  A única conclusão a que se pode chegar é que o Brasil, lamentavelmente, está largamente infectado
destes males, e isto é muito desolador e triste.

2011

BICO CALADO!

"A Secretaria de Segurança informou ontem que tomou todas as medidas necessárias ao receber as denúnicas sobre supostos planos para executar o deputado estadual Marcelo Freixo(PSOL)." "O Globo", 01/11/11.
Ah, tá...!  Rã-rã...! Tudo certo, né?  Pra que viajar então, Freixo?  Você não acha que deve ser um caso pra terapia?
Em 1988, Chico Mendes teria ido ao ministro da Justiça, ao superintendente da Polícia Federal e ao presidente da República  - pessoalmente se eu não estiver enganado  -, avisado que fora jurado de morte, e, ao que parece, não teria recebido muito crédito, tendo  o final que todos nós sabemos.  O que lhe teriam dito as nossas autoridades da época?
- Ora, Chico, relaxa... Para com essa mania de perseguição.  Você precisa trabalhar menos, se divertir... Olha!  Se você for ficar aqui por Brasília, posso te dar o telefone do meu psicanalista.  Ele vai tirar essa tua cisma em dois tempos.
O que teriam dito aqui no Estado do Rio de Janeiro à juíza Patrícia Acioli? 
Ainda querem que Marcelo Freixo confie na segurança que o Estado tem  para oferecer-lhe.  No lugar do deputado, eu já estaria bem longe daqui, teria lá pela primeira  ameaça arrumado os pertences que estivessem à vista e colocado dentro de qualquer mala ou bolsa  de mercado que encontrasse de imediato,  e a esta altura estaria ali pela Groenlândia.
É muito lamentável.  Mas a frouxidão do sistema de segurança que as autoridades brasileiras dão a denunciantes é um convite à prática de crimes pela certeza da impunidade.  É a entrega de uma nação inteira nas mãos da criminalidade, porque temos  plena consciência de que aqui testemunhas e delatores são meramente candidatos de escolha certa à morte.  E aí tudo fica sempre na mesma. 
Nós temos uma lista quilométrica de jurados de morte no Brasil, por questões ecológicas, econômicas, etc, e nada é feito para impedir que os assassinatos se consumem.  Entre ser jurado, portanto, e ser morto, há apenas uma questão de tempo, nada mais.
Em outras palavras, eu só poderia dizer uma coisa aos meus compatriotas: Irmãos brasileiros, calai-vos, porque  vossas palavras vos podem  trazer a morte!

2011

sábado, 29 de outubro de 2011

ABAIXO A CRUELDADE E A CORRUPÇÃO

Eu tenho dito,  desde quando comecei a escrever, que o homem é, por instinto e por ser dotado de uma inteligência que sabe de tal instinto e não quer controlá-lo, a pior espécie que já pisou na face da Terra.  Mas não o digo por força de expressão, não: eu acho isto mesmo.  E não sou, como o mundo inteiro sabe, o primeiro a fazer tal observação, que é uma conclusão a que se chega a partir do nosso convívio com os da nossa espécie, das notícias que lemos nos jornais, das informações que colhemos nos documentos históricos, do que nos chega através da mídia, que são elementos que fazem irrefutável a minha colocação.
É preciso, no entanto, que não confundamos o reconhecimento de toda a maldade dos nossos semelhantes   com a aceitação  do fato de estes agirem como vêm agindo desde o dia em que o mundo se fez mundo.  A história da humanidade é feita de barbáries, ardis e torpezas, mas esta dedução não obriga as pessoas de bem a ficarem engolindo a barbárie, a torpeza e os ardis.
Se há no mundo uma quantidade considerável de pessoas de bem, não podem estas ficar aceitando impassivelmente as sujeiras e crueldades daqueles que insistem em praticá-las.  Em outras palavras, todos sabemos que os homens têm um instinto cruel - alguns em menor e outros em maior proporção,  uns de crueldade máxima e uns de crueldade quase inexistente, que podemos chamar de pessoas boas -, mas a constatação não dá a ninguém o direito de ficar por aí a soltar a sua má índole.  As pessoas que têm bondade ou acham que a bondade deve ser praticada precisam combater os atos dos ruins.  Ou seja, este meu discurso é uma profissão de combate à impunidade.
É preciso que exijamos das autoridades que cumpram o seu papel, que é o de coibir a perversidade,  o crime, a bandidagem, os que fazem sofrer os humanos e os animais, os crápulas que se colocam atrás de um volante e praticam direção perigosa num desrespeito revoltante à vida e integridade física de outras criaturas.  É preciso também que coloquemos, através do voto  e de pressões populares, no poder aqueles que são afinados com o, por assim dizer, humanismo, e tirar, pelos mesmos meios, os que aos princípios positivos são avessos.   Temos de cobrar dos gestores e políticos um controle maior sobre os indivíduos ou grupos que vivem a colocar em prática a maldade que trazem dentro de si.  Temos de colocá-los nas cadeias, perpetuamente se necessário, mas não lhes podemos dar liberdade para pratricarem atos hediondos.  O Brasil precisa adotar a prisão perpétua - mude-se a Constituição, faça-se o diabo, mas não se permita que os malévolo fiquem por aí a desfilar a sua farta coleção de atrocidades.   E os corruptos têm de ser combatidos  com o mesmo  empenho que se deve efetivar para o caso dos perversos, porque a corrupção é tão perversa quanto a má distribuição de renda, porque também gera miséria e o roubo de direitos essenciais dos não-abastados.
Não aceitemos jamais um mal estado de coisas por ser uma ferida já nascida nos primóridos da humanidade.

2011

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

FAÇAM SUAS APOSTAS / CLASSIFICADOS

Até o final do governo, quantos ministros ainda irão cair?


30?

60?

120?

240?

Outra quantidade? Qual?



OFERTA DE EMPREGO: Precisa-se de especialista em recursos humanos para escolher ministros sem telhado de vidro.

Enviar currículo para telhadoforte@saiajusta.com.br



2011

DECLARAÇÃO DA SEMANA

"Deixo o poder para defender a minha honra, tão caluniosamente atacada por gente torpe sem outro objetivo que denegrir a minha imagem e criar instabilidade política." Francisco Alves.


2011

OS PARVOS E O LADO BOM DAS COISAS

Em 2009 eu namorava uma cidadã que certa vez me disse pelo telefone:


- Quando me bate o tédio eu vou à Casa França-Brasil, ao Centro Cultural Banco do Brasil... Agora, quando viajo, vou a Porto de Galinhas, às praias de Salvador, de Recife... Ah! como o Rio é maravilhoso! Como o Brasil é maravilhoso!

Não retruquei, mas fiquei a partir dali a considerar o que dissera aquela senhora. Concordei plenamente com o fato de ela nutrir sentimentos pelo Rio e pelo Brasil. Também eu, nascido e criado no Rio, morando hoje em Niterói mas com toda a minha vida(médicos, cartórios, sede do trabalho, etc...) centrada no Rio, tenho logicamente afeto à cidade como ao próprio país. Mas sou do tipo que ama sem deixar de reconhecer os defeitos. E achei "maravilhoso" uma expressão um tanto quanto exagerada para quem tem algum senso crítico. Então fiquei tentando imaginar que lugares da cidade aquela ex frequentava. Ficou claro que em matéria de turismo ia a balneários paradisíacos, e isto me fez entender a expressão...Mas, cá pra nós, ir a Pernambuco ou Salvador e não ver qualquer mazela só se justificaria para quem viajasse sedado. E mais: se a gente não vê os miasmas fisicamente, ao menos fica sabendo deles pelos jornais (ou pela TV ou rádio). Agora, quanto ao Rio especificamente, sendo a mulher moradora da Lapa, como não vira ainda nenhuma cena de miséria ou de delinquência? Não devd jamais ter olhado para debaixo dos arcos. Vê então como a expressão "maravilhoso" seria forte demais para os objetos do elogio?

Há vezes em que conto o episódio e algumas pessoas vêm replicar em dizer que nunca vejo o lado bom das coisas. Vejo, sim, mas não posso abandonar meu senso crítico, que é o que me dá armas para enfrentar a realidade e até aceitá-la como é (às vezes), sem decepções e quedas das nuvens.

O Rio é, inegavelmente, uma cidade muito bela, cheia de alegria, com praias e logradouros de uma lindeza de embevecer qualquer criatura. Reconheço isto, mas não posso esquecer que tem um índice de violência insuportável, um trânsito de periculosidade de altíssimo grau, uma falta de manutenção e de limpeza urbana revoltantes, além de uma predominância de miséria impressionante. E o mesmo vale para o Brasil, que é um dos campeões mundiais de concentração de renda, derramando flagelos pelo ladrão, tentando debalde varrer tanta fome e tanta desmedida pobreza para debaixo do tapete (com esses assistencialismos baratos que só servem para sustentar governos demagógicos, mas que na verdade não produzem nada no campo social), com estradas em estado deplorável, com seca, desmatamento e matança por todo canto, com rios imensuráveis apodrecidos e mortos por dejetos químicos e esgotos (vide o Tietê, não é?), roubo e corrupção pra tudo que é lado, o que faz da classe política, por causadora, talvez o pior dos flagelos. Preciso enumerar algo mais?

Ora, como ver o lado bom das coisas?! Que idiotice! Mas, se você quiser, eu relaciono o que há de positivo no quadro que lhe retratro.

Lá vai! Os políticos e corruptos ficam a cada dia mais ricos, porque a impunidade é certa e é santa, não é preciso trabalhar nem ser sério para governar (moleza, não?); os papa-defuntos não têm dificuldades financeiras; os empreiteiros geram empregos, porque todo dia uma obra é começada e paralisada, para se começar uma outra que não vai até o fim; cada idoso que morre na fila dos hospitais públicos é menos uma pensão para o governo pagar e isto reduz os gastos públicos; cada vala negra serve de palco eleitoreiro para salafrários de muitos apadrinhados ( e vai campanha e churrasco e pagode com cerveja em copo plástico!); o tráfico a cada dia arrebanha mais "soldados", o que gera "empregos" informais (você não acha bom?); a cada dia mais o povo se volta para a religiosidade, encontrando Deus porque não tem assistência (não assistencialismo) do Estado nem emprego - e viver de esperanças e ilusões é tudo para quem não tem nada... Então?! Você quer que eu diga mais algo que comprove que não deixo de observar o lado bom das coisas? Pois é, meu amigo, tudo tem o seu lado bom - só resta saber para quem.



2011

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A DOMÉSTICA E A FAXINA

Um dia desses tive um pequeno aborrecimento que me deixou ainda mais incrédulo em relação às pessoas.  Contratei para fazer a manutenção de  minha casa  uma mulher gorda de voz e jeito austero, mas o mais curioso é que a doméstica tinha nas mãos umas compressas quentes que passava sempre sobre as sujeiras, mas removê-las que era  bom, nada! Até removia alguma coisa, mas apenas a sujeira superificial, a que ficava bem em cima e se via muito nitidamente, mas a sujeira  profunda permanecia  intocada.
- Minha senhora - ainda tentei ponderar -, olhe bem,  a senhora desde quando começou só fica passando esses panos quentes e removendo quase nada da sujeira...
Mas ela replicou de imediato, quase me interrompendo:
- Olha aqui! Eu estou aqui pra dar uma disfarçadinha! Não pra fazer uma limpeza pesada. Aquela coisa assim severa, não!
- Mas a senhora falou em faxina. - insisti.
Ela me olhou com o seu olhar grave:
- Olha aqui, você tá pensando o quê?  Você não vê que não consigo faxinar? Faria movimentos em falso.  Acabaria perdendo o apoio.
- Minha senhora - insisti -,  se a senhora falou faxina, tem de ser faxina!
- Às vezes - defendia-se ela - a gente solta assim uma palavra ao léu, e as pessoas vão logo grafando, grifando, marcando a ferro e fogo.
- Olhe, a senhora em matéria de limpeza se parece muito com o seu antecessor, seu Luiz, que também não limpava nada e, quando foi embora, me indicou os seus serviços.
A mulher tinha um tom arrogante:
- E por que você me escolheu?
- Ué?! Se não fosse a senhora, eu ia ter que ficar com aquele cara que tem mania de serrar tudo, aquele com cara de tucano...
A senhora se ergueu, colocou as costas das mãos na cintura e sentenciou, autoritária:
- Você quer fazer o favor de me deixar trabalhar sossegada?
Saí sem dar resposta e fui mexer no meu aparelho de som.  Tocava um CD que a faxineira trouxera, donde se ouvia um samba-canção na voz  de um cantor antigo, muito antigo.  Uma breve  pane no eletrônico me fez perguntar:
- Por medida de segurança, a senhora acharia conveniente trocar o CD?
Ela respondeu de pronto,  autoritária como sempre:
- Não! Deixa ficar o  Orlando Silva!

2011

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O NOVO SEMPRE VEM... MAS NEM SEMPRE É O MELHOR

Há pessoas que têm uma  idéia preconcebida de que tudo o que é novo  é melhor  do que aquilo que o antecede.  E ficam por aí propalando que fulano, por ser mais recente, é melhor do que beltrano, e tal gênero artístico, por ser uma novidade, supera largamente gêneros anteriores.   Isto é, sem nenhuma dúvida, de uma burrice sem tamanho.  
Posso até concordar que em matéria de tecnologia este tipo de pensamento espelhe quase que sempre (ou sempre mesmo) a verdade, porque a gente evoluiu da radioscopia para a ultrassonografia, a tomografia, a ressonância, etc... e do gramofone prá vitrola, da vitrola pro três-em-um, do três-em-um pro CD (que é magnificamente bom), e do videocasste pro DVD, que é perfeito, e vai tecnologia por aí adiante.
Dentro das artes, no entanto, a coisa não é bem assim. No caso da poesia, por exemplo, sou de uma geração nascida dentro do modernismo, o modernismo com os seus versos brancos e livres,  mas não por isto (ou por qualquer outro motivo) superior ao parnasianismo.  O romance realista é mais dinâmico e mais despojado do que o romântico, mas não necessariamente de maior quilate. Não há uma relação de inferioridade ou superioridade entre um movimento e outro, mas uma praticidade maior em se trabalhar dentro do estilo atual, onde se pode ser mais direto e objetivo - só isto!   Na música também há ritmos que soam melhor aos meus ouvidos, com instrumentais mais adequados aos consumidos na minha época, mas não há uma sobrepujança do samba-canção do Tom em relação ao samba-canção do Noel, ou uma superioridade de um outro qualquer ritmo quanto a outro.
Esse negócio de dizer que o novo é sempre melhor do que o antigo é muito perigoso.   O neoliberalismo, que é um sistema indubitavelmente fomentador de miséria, traz consigo o prefixo neo, que é aparentemente positivo, mas na prática se mostra um grande devastador de sociedades e camadas sociais que não as privilegiadas, concentrando renda e disseminando fome.  Em 1989 Collor era o novo e a sua eleição deu em PC Farias, a turma da Casa da Dinda, a república das Alagoas e outras coisas mais.  Foi bom? Era o que tinha de melhor? 
Onde o novo é o melhor, se pouco ou quase nada há de mais novo do que esse "funk" que os caras ficam por aí ouvindo como a uma música digna do nome.  Existe ali riqueza instrumental, poesia, recursos vocais, melodia bem elaborada, algo que mereça ser ouvido?  Pois é! No entanto é o novo, não é?  E quanto ao cinema? "O Poderoso Chefão" deixou de ser uma obra-prima só porque é antigo? 
Vamos parar com essa besteira!  Eu tenho mais de cinquenta anos e não tô aqui pra ficar renegando tudo o que é novo.  Mas é preciso refletir antes de avaliar, não sair repetindo o que esse ou aquele cara dizem.  É lógico que no campo das artes, das ciências, da política e em outros inúmeros setores o novo é em incalculáveis vezes o que há de maior  qualidade, mas há também incontáveis situações em que  não consegue suplantar nem de longe o que o antecede.   O melhor é sempre o melhor, e isto não está intrinsecamente ligado ao fato de ser novo ou ser antigo.
É bom que parem com isso.  Antes de opinar é preciso pensar.

2011

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

QUE PODER, GENTE!

Essa coisa de metafísica é muito interessante, não é?  Eu, que em relação a essas coisas tenho um pé lá, outro cá,  passando as vinte e quatro horas dos dias entre a crença, a dúvida e a descrença, fico às vezes assombrado com alguns relatos que pessoas bem próximas já  me fizeram, coisas vivenciadas por elas, pessoas  que me dão pouca margem a pensar que tenham mentido.   Mas nunca consegui me encontrar neste campo da  vida, tendo uma inclinação muito mais forte para a incredulidade - infelizmente.
Agora, isto acontece porque não frequento certas igrejas  onde acontecem verdadeiros milagres.  Há templos onde cegos voltam  a enxergar, paralíticos tornam a andar, onde os líderes, que denomivam a si próprios de pastores, fazem coisas que até Deus duvida. "Sai do corpo desse filho de Deus , Satanás!".   E o Diabo, que não é bobo nem nada,  procura sair de fininho, pra não sofrer uma humilhação dos infernos e ficar desmoralizado.
O interessante é o seguinte: incrível que alguém que fique sete, oito anos sem andar de repente se levante e saia caminhando enquanto faz  louvações  ao Senhor.   Nem a atrofia muscular, que mesmo nos casos de fundo pisicológico impediriam o sujeito de se levantar, é levado em conta pela divina providência. O cara anda e ponto final!  Tem gente que tem um trânsito tão bom com as entidades lá do Céu, que eu fico a pensar que, com o poder político nas mãos, faria deste mundo um verdadeiro paraíso.
Um conhecido veio me contar do caso de um, como se diz hoje, homoafetivo,  que por pressões da família estaria a se deixar acompanhar por um dito pastor, que o estaria "tratando"  do seu gosto sexual .  Segundo o que me contou, o "presbítero" teria afirmado estar o rapaz acometido da presença de um espírito do homossexualismo, que ele, o líder, logo, logo afastaria da "vítima".  Fiquei imaginando as sessões de "tratamento":
- Sai do corpo desse filho de Deus, em nome de Jesus!
E o rapaz, cochichando, quase sem mover os lábios e sem ser ouvido:
- Não sai, não, por favor.  Eu gosto como tá.  Fica aí, seu bobo, fica aí!
Homens tão miraculosos não poderiam, por uma questão de justiça divina, deixar de ser agraciados com os rios de dinheiro que recebem sob a forma de doações em suas contas bancárias e em seus templos.  Doações que, aliás, eles, obsequiosos com o Senhor no trabalho de lhes recompensar as bondades, pedem constante e insistentemente às suas ovelhas, entretanto, repito, não por ganância, mas por prestar ajuda ao Criador já sempre tão atarefado.
Já ouvi relatos do arco da velha, cada coisa de arrepiar os cabelinhos: esses milagreiros têm um poder  de desbancar qualquer merlin.  Dizem que também há pessoas que se denominam pais-de-santo ou mães-de-santo que também são terríveis: movem montanhas, trazem a pessoa amada, fazem o asqueroso tornar-se carismátictico, curam bicho-de-pé e fazem o cacete!  Mais do que o poder, muito mais do que o poder deles, salafrários de bíblia ou búzios nas mãos, o que me impressiona mesmo é o fato de as cadeias não encontrarem abrigos de longa temporada  para essa gente tão cheia de magia e de poder.

2011

domingo, 18 de setembro de 2011

A TORPEZA E MALDADE HUMANA E AS LEIS

Sei perfeitamente o quanto é improdutivo e inútil reclamar da natureza e da conduta humana.  Mas a questão é que a gente fica acumulando sentimentos de  revolta em decorrência da inaceitação e do inconformismo, por isto não pode deixar de ao menos vez por outra soltar o que fica entalado na alma e, embora saiba que os homens são assim mesmo,  que também somos maus como qualquer outra criatura da espécie, precisamos manifestar toda a nossa indignação e repúdio.  É claro que repudiamos os atos que não praticamos (quando, é lógico, não somos hipócritas), enquanto os outros repudiam de nós pecados que eles não praticam.   O mais importante, todavia, é não deixarmos represado o que sentimos, para que não enfartemos só em pensar em tanta coisa deplorável.
Se há um pecado que eu condeno com todo o meu fervor, todo o meu ódio, todo o meu desprezo, é o fato de a nossa espécie não ter o menor respeito e condescendência quanto às outras espécies, todas indefesas em relação a nós.  O homem assumiu a supremacia do mundo e roubou aos outros animais o espaço, os meios de sobrevivência e a própria vida, com extema crueldade, com uma frieza demoníaca, cínica, sórdida. Todas as outras espécies foram convertidas em utilitários ou meros objetos de prazeres perversos das gentes, como por exemplo o deleite  da pesca esportiva e o exercício de tenebrosa perversidade que há em colocar caranguejos vivos em panelas de água fervente.  Acho que agora qualquer outro exemplo que eu desse para ilustrar tão somente me faria prolixo.
A grande verdade, porém, é que nada diverso poder-se-ia esperar de seres que não respeitam e não são complacentes mesmo com  os da mesma espécie, pois o humano mata seus iguais por quase todos os motivos por que mata os outros animais, com a mesma paz de espírito e a mesma ausência de remorso e de dor de consciência. 
A vida dos animais, sem a presença dos humanos , já é um grande inferno, porque a inteligência dos bichos não lhes permite conhecer ética, moral, misericórida ou bondade, e estes se matam por território, supremacia, fome, fúria, acasalamento e qualquer outro motivo que não me ocorra no momento.  Mas estes, entretanto, são absolutamente perdoáveis, justamente por conta da sua parca inteligência, que os faz inteiramente inocentes.  E é sobretudo por esta ingenuidade que entendo que devem ser zelosamente respeitados.  Entre os animais não há lei senão a do mais forte, mas, repito, isto é perdoável porque a capacidade de entendimento dos mesmos é extemamente limitada, enquanto  entre os homens, não!
Isto mesmo!  Veja onde eu queria chegar: não há também entre os homens lei senão a do mais forte, e as pessoas se matam ou causam prejuízos umas às outras sem o menor pudor!  Repito: não há também entre os homens lei senão a do mais forte!
Não há lei ou justiça, mas apenas embustes cínicos que as pessoas chamam de leis.  Houvesse alguma lei ou justiça, países não invadiriam outros países em inúmeros atos de assassínio e vandalismo, porque uns  LI-TE-RAL-MEN-TE    ROU-BAM   OS   BENS  DOS OU-TROS!    Você acha que isto é mentira?  Então consulte a história universal, veja quantas invasões de territórios e nações aconteceram, acontecem e nunca deixarão de acontecer neste mundo iníquo povoado  de demônios impudentes.  Consulte a história contemporânea e medite para entender as reais intenções de um país quando ataca ou invade um  país mais fraco.   Quantas usurpações de riquezas você viu acontecer nos últimos vinte ou trinta anos, que foram empreendidas sob uma falsa bandeira de defesa à democracia ou a valores morais e éticos?  Quantas, lastreadas e legitimadas por falsas capas de intentos nobres?
Assim sendo, queria que você  respondesse à seguinte pergunta: se os animais realizam, inocentemente, atos vistos como  maléficos, e o homem, por sua vez, sabedor da magnitude de cada ruindade que pratica, realiza  os mesmos atos ou atos ainda piores...(?) se o homem, ciente de que maldade é maldade, pratica-as assim mesmo,  pode em alguma hipótese considerar-se elevado em relação aos chamados irracionais?
Reflita e entenda que a humanidade é malévola e sórdida, portanto chã e baixa se comparada aos animais, mas não deixe  de analisar que a ausência de leis é também uma realidade nada desprezível, além de ser resultante da famigerada natureza humana de que trato aqui neste comentário.  Agora, se você acha que equivoco-me ao falar em inexistência de preceitos legais, responda-me se os mesmas são cumpridos e respeitados igualmente por todas as classes sociais, se as leis são ou não mudadas ou simplesmente estupradas quando contrariam interesses de camadas sociais privilegiadas.
Pense.

2011

sábado, 10 de setembro de 2011

FINAL DE FILME AMERICANO EM QUE O MOCINHO SE DÁ MAL

- Aiii!..  Arrgrrr!... Uuuuiii!...Por favor, Grace, me ajude... Aqueles filhos-da-mãe acabaram comigo... Eu estou acabado, Grace!
- Não diga isso, Joe!  Eles só lhe arrancaram os órgãos genitais e os olhos.  Mas você conservou a honra. Eles, sim, é que tão acabados.  Fizeram isso com você só pra roubar todos o seus bens.  Eles, sim, Joe, é que estão acabados.  Apesar de não terem sido presos, todos saberão o quanto são violentos.  Ninguém mais irá sentar e comer hambúrguer com eles.  Eles estão perdidos, cara!
- Oh, Grace!... O que vai ser de mim?
- Não fique assim, Joe: você é feliz... Você é vítima dos irmãos Gordon e todos estão do seu lado... Todos te amam, cara!  Eu te amo, Joe! Todos vão querer sempre estar com você!
-Agrr!...Ui!... Ai!.. Não sei se quero viver...
- Joe! Não diga isso! Abra bem os seus olhos e veja como o mundo é bonito.  E você tem tantas coisas! Tem um vaso de planta, tem o meu amor por você.
-Argr...Ai! Você me leva agora prá sua casa?
- Minha tia está passando a semana comigo.  Ela é chata demais, Joe! Você não tem saco pra aturá-la, cara.  Ela vai acabar falando sozinha:  você não tem olhos pra ela.  Vou te levar pro hospital.  e, quando você sair, nós vamos fazer muito amor, Joe! Muito amor, Joe!... Joe! Eu te amo!
Após o abraço e o beijo longo do casal, a cena se apaga e o filme termina.

2011

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

LEMBRETE AOS COMPATRIOTAS

Quero lembrar aos meus compatriotas enquadrados entre os aficionados pelos nossos "queridos irmãozinhos" americanos que, apesar de a solidariedade ser uma coisa positiva, o Brasil  costuma comemorar (nem sei se com reais motivos) o SETE, não o ONZE de setembro, tá?  Espero que o fascínio não os confunda.

07 de setembro de 2011

domingo, 4 de setembro de 2011

AS AVENTURAS DE JONAS, O SALAFRÁRIO

Episódio de hoje: "A CPI OU O TELHADO DE VIDRO"

Aquela história de verbas públicas para investigação do sexo dos anjos não poderia dar certo. Armando Lontra, o lobista amigo de Jonas, ficou pelos quatro cantos da capital federal a dizer que aquela pesquisa era o ingresso no paraíso, o filé mignon da locupletação. Não deu outra: um desafeto botou a boca no mundo e a coisa acabou por gerar uma CPI para apuração de "possíveis" irregularidades.
Jonas sentou-se entre os membros da comissão. As perguntas tiveram início.
- O senhor solicitou verbas públicas para pesquisas acerca do sexo dos anjos?
- Claro! Como deputado, eu tinha obrigação. Coisa de tal relevância não podia permanecer na obscuridade.
- Mas o senhor sequer pode dizer que há anjos.
- Ah, colega deputado! Aí eu protesto! É uma questão de fé, e fé eu tenho muita! Um homem de fé tem uma índole melhor. E, sinceramente, acho que essa demonstração de descrença de V.Exa. deveria levar os seus eleitores a avaliarem-no melhor.
- Mas as verbas foram públicas, não foram?
- Foram, sim, e muito bem utilizadas.
- Mas, deputado, o dinheiro foi parar em três contas bancárias: a do deputado Sandro Lessa, a do lobista Armando Lontra, e a sua, sem que um tostão fosse gasto em pesquisa. O que o senhor diria sobre isto?
- Ué? Nós não somos votados porque temos a confiança do eleitorado?
- Sim...
- Então? Uma pessoa de confiança não pode guardar consigo uma verba para certa finalidade?
- Mas deputado, não é bem assim...
- Como não? Somos de confiança e daríamos o destino devido ao dinheiro.
- Ainda que assim fosse, o senhor e o deputado Sandro Lessa são paralmentares, mas não o senhor Armando Lontra...
- Mas devia! - Jonas replicava com o dedo para o alto, fingindo veemência. - Devia ser parlamentar o meu amigo Armando Lontra. Porque prestaria relevantíssimos serviços ao país!
- Mas, deputado, ter o dinheiro em sua conta é irregular.
- Isso muito me fere a suscetibilidade. Apesar da importância da pesquisa que se tem a fazer, ainda esta CPI ficar a importar-se com pormenores tão irrelevantes...
- Irrelevante para o senhor. Mas o fato é que o dinheiro estava em sua conta e isto é ilegítimo e irregular, é um crime, deputado!
Jonas abria os braços, fingindo indignação:
- Olhe para o senhor e reflita sobre o tom em que me fala. É uma ofensa a um homem de bem. Se eu tinha a guarda do dinheiro dos anjos, é porque tenho a guarda dos anjos. O senhor nunca ouviu falar em anjo da guarda? Eu sou um homem católico e temente e devotado a Deus. Além disto, tenho um profunda ligação com os anjos, a ponto de eu e eles sermos unos... unos, nobre deputado! Sendo assim, se guardei o dinheiro deles em minha conta, é porque logicamente, já que somos unos, o que é deles é meu e vice-versa.
- Deputado Jonas Pereira  Jojoba, o senhor é um caradura sem tamanho!
- Veja, nobre colega! V.Exa. continua a me desferir ofensas...
- Não é a minha intenção...
- Mas não é assim que vê o eleitorado. A sua agressividade está exposta para toda a opinião pública.
Um outro membro da CPI interveio:
- Deputado, o senhor não está aqui para acusar, avaliar ou analisar, mas para responder às perguntas...
- Tá certo, tá certo, Excelência! Mas eu só quis ponderar...
- Não cabe a V.Exa. ponderar, mas apenas responder...
- Desculpe, Excelência, se o presidente desta CPI me permitisse não ser objetivo, eu perguntaria
sobre a destinação dada às verbas públicas que S.Exa. obteve para a pesquisa sobre a eficácia ou ineficácia das varinhas de condão...
O presidente da comissão se viu embaraçado e inquieto, gaguejou um "vamos ao que é pertinente", enquanto Jonas se referia aos outros interrogantes:
- O deputado Álvaro Marmelada também nunca foi investigado sobre as verbas para a construção de uma ponte para o Jardim do Éden. Da mesma forma como a deputada Guadalupe Lantra nunca foi instada a responder o que foi feito do dinheiro obtido para a construção de um ovniporto, com a finalidade óbvia de servir para pouso dos ovnis... Sem contar o deputado Zé Falamole, que nunca foi investigado sobre o numerário da rede de telefonia de alta tecnologia para a comunicação com a espiritualidade...
- Deputado Jonas! - interrompeu o presidente da CPI com vigor - Esta CPI vai entrar neste momento em recesso para avaliar o seu depoimento e os outros colhidos até o presente momento. Peço que V.Exa. esteja a postos para atender à próxima intimação, que dar-se-á provavelmente um dia desses, se Deus quiser e não chover. Estamos entendidos, deputado?
Jonas sorriu:
- Claro, Excelência! Estarei sempre disposto a esclarecer todas as questões de interesse desta tão amada nação. Os senhores, ilustres e respeitáveis deputados, têm em mim um colaborador.
E saiu Jonas, assediado por jornalistas e falando pelos cotovelos:
- Não é cabível um homem como eu ser investigado por uma CPI. Acho que os membros da comissão entenderam bem que somos homens com a mesma natureza e um objetivo comum, que é o desenvolvimento e o bem-estar do país.

2011

sábado, 27 de agosto de 2011

CARTA ABERTA DE ELIANE SINHASIQUE (jornalista e publicitária) PARA RENATO ARAGÃO (o Didi da REDE GLOBO DE TELEVISÃO)




"Querido Didi,

Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu nome para colar nas correspondências) ..........

Achei que as cartas não deveriam ser endereçadas a mim. Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido às suas solicitações.

Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e escrever uma resposta.



Não foi por " algum motivo " que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos).

Você diz, em sua última carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação !



Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem. Êsse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas pessoas mas, comigo não.

Eu não sou ministra da educação. Não ordeno e nem priorizo as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a freqüentar as salas de aula.

A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos de idade, quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da família.

Trabalhei muito e, te garanto, TRABALHO NÃO MATA NINGUEM ! Muito pelo contrário, faz bem !

Estudei na escola da zona rural, fiz Supletivo, estudei à distância e muito antes de ser jornalista e publicitária eu já era uma micro- empresária.

Didi, talvez você não tenha noção do quanto o GOVERNO FEDERAL tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa.

Os impostos são muito altos ! Sem falar dos Impostos embutidos em cada alimento e em cada produto ou serviço que preciso comprar para o sustento e sobrevivência da minha família.

Eu pago pela educação duas vezes : pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, PORQUE SOMENTE A ESCOLA PÚBLICA NÃO ATENDE COM ENSINO DE QUALIDADE QUE, ACREDITO, MEUS DOIS FILHOS MERECEM !!!

Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que nem deveria existir, pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais !

O que está acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores dessa dinheirama toda não veêm a educação como prioridade !

PARA ÊLES, A EDUCAÇÃO LHES RETIRA A SUBSERVIÊNCIA E ÊSSE FATO, POR SI SÓ, NÃO INTERESSA AOS POLÍTICOS QUE ESTÃO NO PODER. POR ISSO, O DINHEIRO ESTÁ SAINDO PELO RALO; ESTÃO JOGANDO FORA , OU APLICANDO MUITO MAL !!!

Para você ter uma idéia, na minha cidade cada alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 8,82 (oito reais e oitenta e dois centavos), enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte centavos) !!! O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda ? Você pode ajudar a mudar isso ! Não acha ?

Você diz em sua carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta de matemática. Concordo com você !

É por isso que sua carta não deveria ser endereçada à minha pessoa. Deveria ser endereçada a Presidente da República !!!

Ela é " a cara " !!! Ela é quem tem a chave do cofre e a vontade política para aplicar os recursos !

Eu e mais milhares de pessoas só colocamos o dinheiro lá para que eles façam o que for correto e necessário para melhorar a qualidade de vida das pessoas do país, sem nenhum tipo de distinção ou discriminação. MAS, NÃO É O QUE ACONTECE !!!

No último parágrafo da sua carta, você joga, mais uma vez, a responsabilidade para cima de mim, dizendo que as crianças precisam da "minha doação" e que a "minha doação" faz toda a diferença...

Lamento discordar de você, Didi !!! Com o valor da doação mínima de R$ 15,00(quinze reais) eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês, ou posso comprar pão para o café da manhã para 10 dias..... !!!

Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas, R$ 15,00(quinze reais) eu não vou doar ! Minha doação mensal já é muito grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho !!!

Isso significa que o governo leva mais de um terço de tudo que eu recebo e posso te garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família !

Você sabia que para pagar os impostos eu tenho que dizer NÃO para quase tudo que meus filhos querem ou precisam ? Meu filho de 12 anos quer praticar tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de vida. Você acha isso justo ? Acredito que não. Você é um homem de bom-senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira.



Outra coisa Didi, MANDE UMA CARTA PARA A PRESIDENTE "DILMA" pedindo para ela selecionar melhor os ministros e também os professores das escolas públicas ! Só escolher quem, de fato, tem vocação para ser ministro e para o ensino.

Melhorar os salários daqueles profissionais também funciona para que êles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação ! Peça para Ela, também, fazer escolas de horário integral, escolas em que as crianças possam, além de ler, escrever e fazer contas, possam desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso está sobrando sim ! Diga para Ela priorizar a educação e utilizar melhor os recursos.

Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras e eu vou me despedindo assinando... Eliane Sinhasique - Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari !!!

P.S.: Não me mande outra carta pedindo dinheiro. Se você mandar, serei obrigada a ser mal-educada: vou rasgá-la antes de abrir.

PS2* Aos otários que doaram para o criança esperança, fiquem sabendo : AS ORGANIZAÇÕES GLOBO ENTREGAM TODO O DINHEIRO ARRECADADO À UNICEF E RECEBEM UM RECIBO DO VALOR PARA DEDUÇÃO DO SEU IMPOSTO DE RENDA !!!

Para vocês a Rede Globo anuncia: essa doação não poderá ser deduzida do seu imposto de renda !

PORQUÊ É ELA QUEM O FAZ !!!

PS3* E O DINHEIRO DA CPMF QUE PAGAMOS DURANTE 11(ONZE) ANOS?

MELHOROU ALGUMA COISA NA EDUCAÇÃO E NA SAÚDE DURANTE ESSES ANOS?

BRASILEIROS PATRIOTAS (e feitos de idiotas) !!!DIVULGUEM ESSA REVOLTA....

isto deveria chegar a Brasilia, não acha ???"

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

CONFISSÕES DE UM JOVEM VAMPIRO

Esse negócio de ser vampiro não dá, não.  Entrei nessa numa de fazer a experiência... Mas também pudera! o cara apareceu de repente e, sem que eu pudesse nem pensar, enfiou os caninos no meu pescoço.   Eu vi que iria morrer mesmo; então pensei: melhor ser morto-vivo que morto-morto, né?  Aí eu falei pro mané: "Pô, cara! Deixa eu ser vampiro também!"   Pô! O cara até que foi legal: não sugou o sangue todo e aí eu virei parceiro dele. A gente fica por aí, toda noite, azucrinando a galera,  e nunca falta um pescocinho maneiro prá gente morder.
Pô! Mas o problema de tudo é que a gente fica todo sujo de sangue.  Teve um dia que eu fui azarar uma mina, uma vampirinha gostosinha aqui do pedaço, e ela fez uma cara de nojo e me deu o toco.  Também... Aí!  Eu tava com a boca e o queixo todo sujo de sangue.  Pô! Não dá, né?   Minha mãe postiça aqui do submundo das trevas, uma coroa muito gente boa, vive perdendo a paciência comigo:
- Todo dia eu tenho que lavar tuas camisas sujas de sangue.  Acho melhor você usar só vermelho.  Não adianta usar preto, porque dá para notar a mancha vermelha.  E o pior é que você ainda é lambão: às vezes ainda deixa respingar na calça, e o pior é que tem mania de usar calça clara.  Vê se dá um jeito!
Aí, cara, vou te dizer um troço: esse negócio de ser vampiro dá o maior trabalho.
Sem contar as doenças que os companheiros tão pegando.   Tem vampiro aí pegando hepatite, Aids, sífilis, é o maior terror!   Tem também aqueles que ficam com o colesterol lá nas alturas, porque mordem algum cara que come muita gordura, e aí já viu, né?  Eu mesmo uma vez fiquei com os triglicerídeos lá em cima, já até fiquei doidão de pó e de cachaça sem beber álcool e sem cheirar.  Vida dura, não é?  Ou melhor, morte dura, né?  É muito ruim ficar morrendo assim a morte inteira.  Maneiro era se a gente pudesse ser igual a vampiro de filme americano, sempre limpinho, penteadinho, sem mancha de nada e sem doença transmissível pelo sangue. 
Não é que um dia um camarada meu entrou em parafuso?  Também pudera:  naquela noite ele foi guloso, mordeu três.  Tava na Lapa e ficou esperando a galera que passava sozinha na "night",  primeiro mordeu um cara que tinha tomado "ice" (aquela garrafinha de vodca com outro bagulhinho) com "red-bull", depois uma mina que tava cheia de "ecstasy", depois ainda um mané que tinha usado Lexotan ...Aí! Foi muita piração!
Eu também uma vez não quis beijar uma gatinha porque ela tava com a cara toda lambuzada de sangue.  Ela ficou meio bolada e tudo, né(?), mas não dava, não, maluco.  Aí eu entendo quando as minas não querem ficar comigo porque eu tô com a cara suja.  Aí, já pensei até em andar com um frasquinho de água oxigenada no bolso, porque é um bagulho muito bom pra remover mancha de sangue.  É isso aí, maluco, terror e avanço da ciência andando juntos! Maneiro, né?!
Outro troço ruim é que todo mundo pode ir à praia, pegar uma cor legal, e tu tem que ficar escondinho num porão, sótão ou quarto escuro.  Fica tu lá, feito um bundão, só chupando dedo, enquanto tá a maior alegria e pegação na orla.  Sacanagem, né?!
O pior de tudo é que todo mundo tem como optar por um meio de vida, enquanto nós, pobres vampiros, só temos este meio de morte.  Pô, macluco, é muito duro!
Francamente, parceiro, tem vez até que eu penso em me matar.  Tá! Sei que eu já tô morto, mas eu sou  morto-vivo; tô falando morto-morto mesmo!  Aquela de me matar legal mesmo!  Ir prá rua de manhã e receber direto em mim a luz do sol.  Pô, cara (!), mas me desencorajo pra cacete, porque a gente ali morre é queimado, queimadão mesmo!  Tô fora! Fico arrepiado só de imaginar.  Já pensei também em enfiar uma estaca  no peito ou mesmo mandar alguém enfiar... Pô, parceiro!  Mas na verdade eu tenho é muito medo de morrer-morrer.  Maior horror, né?!
Aí, galera! Vou ficando por aqui, que daqui a pouco dia amanhece e eu não quero literalmente me queimar.  O pior é que esta noite foi ruim pra caramba, porque choveu muito  e ninguém saiu prá rua. Nem cachorro encontrei.    Pô, maluco! Tive que invadir um sótão  e sair caçando ratazanas. Só peguei duas.  Não é quase sangue nenhum. E o pior é que é muito nojento! 
Eu não podia entrar no esgoto porque tava chovendo e ia cair na água corrente, e tu sabe legal que água corrente mata vampiro.  Mesmo quando não tá chovendo o esgoto é o maior perigo, porque, se pisar num filete de água corrente, já era.  Aí, tô saindo; valeu, galera, a atenção.

2011