De nada adianta um país ser emergente quando a sociedade não o é. Recuso-me a ouvir a asneira de que uma coisa levaria necessariamente à outra, pois seria desconhecimento de que diversos países orientais, por exemplo, são prósperos enquanto seus povos têm baixíssimo nível de vida. DEMÓSTENES "BARÃO DA MATA" baraodamata2@gmail.com
Barão da Mata - Verdades e Diversidades
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
ENTRE O PASTOR E O PAI-DE-SANTO
Tava numa maré de azar danada. Tudo dava errado! Tudo dava errado! Pra você ter ideia, num dia chuvoso avistei uma moedinha de cinquenta centavos meio de longe, sorri, me agachei para pegá-la e um ônibus meteu a roda numa poça d'água e me deu um banho. A camisa, branquinha, branquinha, ficou imprestável. Tive um prejuízo de mais de vinte paus.
Foi aí que resolvi deixar de ser racional e entrei numa igreja dessas em que o pastor fala alto à beça ao microfone e toda hora pede doações. Como estava na primeira fila e ele olhava pra mim, depositei ali na sacolinha um real. O homem me olhou de ladinho e começou a vociferar:
- Aquele que doa pouco não mostra fé verdadeira em Deus! Mais que isto, tenta enganar a Deus,e é punido com o fogo do Inferno!
Sentindo que falava pra mim, levantei-me e entrei no meio de outros doadores e dei mais dois reais. Mas o danado percebeu e bradou:
- As pessoas não entendem que com Deus não se brinca! Certas coisas são humilhação ao Senhor!
Misturei-me a uns outros crentes que estavam também de pé e saí de fininho. Ganhei a rua e fiquei pensando comigo:
- Fogo do Inferno... Poxa...! E eu não aguento nem calor de trinta e três graus. O que faço de minha vida...? O que faço de minha alma...?
E andando com estes pensamentos deparei com uma casa modesta que tinha uma placa na porta: "Desfaço trabalho, trago seu amor de volta, dou prosperidade." Era tudo o que eu queria: prosperidade, nenhum amor de volta, mas quem sabe um novo amor? Quem sabe ainda a salvação da própria alma?
Foi pensando assim que entrei, esperei uns quinze minutos e um pai-de-santo me atendeu:
- Muzifio tá cum zica braba, precebi quando zoiei. Vô tirá tudo de uma vez!
- Opa! - pensei comigo - Vou sair daqui com todos os meus problemas resolvidos.
Tomei um passe dos bons, desfiei um rosário de lamúrias pro homem, fiz um pouco de manha (quem não chora, não mama, não é?) e ouvi o diagnóstico:
- Mandinga feia feita pro fio. Coisa botada em cemitério, prás alma pior das alma.
Perguntei de imediato, sem conter a ansiedade:
- E pai tira de mim, tira?
- Pai tira. - ele respondeu de pronto - É só comprá sete vela vremeia e preta, dez ramo de vence-demanda, três foia de tinhorão-brabo, trazer três galinha preta pra abatê e deixá duzento real pro santo.
Matar animais!!!??? Duzentos reais!!!??? O que queria aquele sujeito?Que eu fosse contra meus sentimentos e princípios e virasse assassino de galinhas?! E ainda morresse numa grana daquelas!?
Levantei, dei nele aquele abraço de preto-velho e saí rapidamente prometendo voltar no dia seguinte. Quando tava no portão, o cara cuidou logo de me avisar:
- Se não voltá encosto não sai do costado, num abandona muzifio nunca mais.
O que fui arranjar pra mim?! Dar uma grana alta à igreja ou viver eternamente no Inferno, matar animais e dar uma nota de respeito ao pai-de-santo ou ficar com o encosto a vida inteira nas minhas costas. Nas minhas costas???!! E quando eu fosse sentar? Ia ficar no colo do encosto?! Não sou disso! Coisa mais feia!! E quando fosse transar? Ah, é?! O engraçadinho do encosto ia ficar agarrado às minhas costas...Mas que coisa mais trágica! Oque é que ele ia ficar fazendo comigo? Xi! Não quero nem pensar! Imagine também: já ouvi que o encosto faz tudo o que a gente faz através da gente: então ele também ia transar com a mulher que transasse comigo. Tem graça a gente dividir a mulher com os outros. Puxa! E eu só dividi mulher sem saber: nunca aconteceu voluntariamente. E quando eu fosse beber, o egun ia beber a maior parte, tomar um porre daqueles às minhas custas e ainda zumbizar no meu ouvido pra eu arranjar confusão com os outros na rua, e eu que ia tomar as porradas enquanto ele ia ficar rindo gostosamente de mim. Ah, não, não era possível! Não podia aceitar tudo aquilo!
Foi por isto que voltei à igreja, aproveitei que não havia platéia e o pastor tava sozinho, me aproximei dele e perguntei:
- Quanto os Senhores acham que eu devo doar?
- Os senhores? - ele mostrou estranheza.
- É que eu falo em nome do Senhor Deus e do senhor pastor.
- Hmm! - ele fez com a cabeça que entendera, pensou um pouco e sentenciou: - Uns duzentos reais.
Fiquei numa sinuca-de-bico. Pensei, pensei, pensei até me dar conta de que ao menos não iria pro Inferno. Mas quis me certificar de outros detalhes:
- Mas se tiver algum espírito mau me atrapalhando, os Senhores também tiram, não?
- Claro, meu filho!
Calei por um tempo, um tanto acabrunhado, até que falei:
- E os Senhores aceitam parcelamento?
- Hmmmmm...! - ficou a matutar o santo homem... e pensou e pensou... até que fez uma contraproposta: - O filho vai depositar vinte reais por mês, por toda a vida, na conta da igreja, e eu vou lhe passar o número...
Aceitei, mas não perdi a oportunidade de fazer mais uma pergunta:
- E isso vai me trazer prosperidade?
- Claro, meu filho - ele me assegurou com sua calma constante, bem diferente de toda aquela ebulição que mostrava diante da platéia.
Peguei a número da conta e passei a depositar. Regularmente. Sem atrasar um dia.
Devo dizer que já faz doze anos e doze meses que deposito na conta da igreja, e não obtive graça nenhuma, não prosperei e as aporrinhações continuaram. Mas pelo menos me salvei de ir pro Inferno.
Barão da Mata
domingo, 20 de janeiro de 2013
PAULO GRACINDO, O BEM AMADO (POR QUEM LHE SABE FAZER JUSTIÇA)
Entre 2010 e 2011, Gracindo Júnior lançou uma produção em homenagem a pai, intitulada "Paulo Gracindo, O Bem Amado". Enquanto o filme esteve no cinema, não tive tempo de vê-lo, mas me mantive tranquilo, porque resolvi comprar o DVD para manter em meu acervo, uma vez que sempre fui fã em potencial do falecido ator. Pois foi, todavia, não ir ao cinema a grande trapalhada que cometi: não encontrei - pasmem! - o material nas locadoras e nem tampouco nas lojas que vendem CDs e DVDs. De onde só pude depreender uma coisa: morto em 1995 e pouco conhecido pela atual geração, não foi por excesso de procura que o filme não estava em prateleira nenhuma, mas exatamente pelo contrário. D'onde só pude chegar a uma conclusão : O BRA-SIL É IG-NO-RAN-TE PRA CA-RA-LHO !
É o fim da picada! Que diabo de país sem memória é este?! É uma heresia não conhecer ou não se interessar pela vida e obra de um ator da importância de Paulo Gracindo na história da dramaturgia brasileira. Essa gente confunde bunda, peito, músculos e volume de piroca com talento artístico e arte dramática. Francamente, é desolador!
Pois então, sem querer ficar aqui traçando uma biografia do ator, Paulo era Pelópidas Guimarães Brandão Gracindo, nascido em Alagoas, em 1911, e morto em 1995, portanto aos 84 anos, após representar inúmeros personagens com o brilho peculiar aos artistas de primeira grandeza. Formado em Direito e homem de educação refinada, não encontrou dificuldades para encarnar em "Bandeira 2" (1972) o banqueiro de bicho Tucão, sujeito de modos grosseiros e linguajar carregado de gírias e vícios de linguagem, perfeito boçal em quem você jamais veria a figura do gentil e simpático Paulo Gracindo. Em "O Cafona" (1971) faz um milionário em processo de falência, figura absolutamente antagônica à do bicheiro, que em nada se parecia com o contraventor.
Viveu um político demagogo em "O Bem Amado", história anedótica e primorosa de Dias Gomes (primorosa como todas as que o autor escreveu, inclusive "Bandeira 2"). Era então o prefeito Odorico Paraguassu, coronel baiano que , na falta de competência e de projeto político, canalizou todas as energias de sua administração para a construção e tentativa de inauguração de um cemitério.
Mas o seu papel que mais me impressionou foi o do coronel Ramiro Bastos, em "Gabriela", adaptação de George Walter Durst do romance "Gabriela, Cravo e Canela", de Jorge Amado. Velho decrépito mas de atitudes vigorosas, de autoridade e maldade estampada no olhar, capaz de arrepiar de medo qualquer lavrador, jagunço, coronel ou cristão, fez do ator convincente a ponto de a gente ler em seu semblante a própria manifestação do mal.
Mas, entre os momentos que vi de Paulo Gracindo, o que mais me enlevou, mais me comoveu foi aquele em que, abraçado a Lima Duarte (outro talento que não tenho palavras pra definir), num dos intervalos das filmagens de "O Bem Amado", Lima lhe indaga como ele, Gracindo, conseguia conviver com a crueza de voltar ao cotidiano após deliciar-se de viver os seus personagens da ficção, ao que Paulo respondeu que tal não lhe acontecia por não viver a realidade, mas os seus personagens em sua ficção. Confesso que me comovi com aquilo, e percebi que Paulo Gracindo foi muito mais do que um grande ator: foi também uma criatura naturalmente poética, que produzia poesia através da sua própria existência, independentemente de escrever ou não um verso que fosse.
domingo, 13 de janeiro de 2013
A PALAVRA E O DEPOIMENTO
A PALAVRA
"E aquele que não crer em mim andará em estradas de espinhos e pedras, trilhará caminhos árduos e sinuosos, encontrará portas fechadas, tentará gritar e praguejar, mas se verá emudecido e solitário, sem mão que se lhe estenda e o resgate e encaminhe à salvação; terá como destino os infernos mais martirizantes, experimentará os infortúnios mais enlouquecedores, as dores mais lancinantes. Porque o meu poder é inquestionável e insubestimável, eterno e inabalável, o meu poder é supremo, e não imaginais as consequências de não vos renderdes a tamanha força." Luiz Inácio Lula da Silva
O DEPOIMENTO
"Não entendo por que tanta reserva em relação ao ex-presidente Lula: sempre achei sua conduta irretocável, irreparável, ontem e hoje, e nele creio de forma absoluta, achando-o perfeitamente inserido em meus princípios de boa conduta. Em suma, acredito piamente nesse homem de que tanta gente duvida, pelo fato de nele não ver nada que me possa levar a uma opinião em contrário." Belzebu
2013
Barão da Mata
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
OS FOGUETEIROS E OUTROS SUB-HUMANOS
Não cabe em mim o espanto em que me encontro em observar o apetite, a compulsão, a obsessão que essa gente tem em soltar fogos e assim atazanar o sossego e a paciência da vizinhança noite adentro, além de colocar em risco a integridade física de terceiros. Eles são a versão barulhenta dos balonistas, seus irmãos gêmeos e quase siameses. Gostaria de saber de que barro essas criaturas são feitas. Definitivamente não são seres humanos: são ainda sub-humanos, desprovidos de princípios, de discernimento, de educação e de caráter. Devem ser filhos de puta indigente e assaltante com vigarista matador, ou não teriam a conduta que têm. Devem ser os mesmos que entram num carro e saem fazendo direção perigosa, não respeitam sinais, aleijados, cachorros, idosos, crianças, matam o que veem pela frente. Não estou brincando, não. Note só como, na total indiferença aos direitos alheios, são iguaizinhos, iguaizinhos!
Quem solta balão, não está preocupado com se ele poderá cair sobre a rede elétrica, um botijão de gás de residência, sobre a mata ou se vai incendiar uma casa ou prédio e provocar a morte de quem nada tem a ver com a sua absoluta crueldade, falta de bondade, de humanismo, de caráter e de responsabilidade: é subgente mesmo, é demônio feito de esterco animado e coberto de pele humana. Da mesmíssima forma são os motoristas e motociclistas incautos, e, se você duvida, experimente chamar-lhes a atenção por suas estripulias no tráfego. Conheci um que uma vez replicou à reclamação de um outro condutor de carro que por ele fora posto em risco:
- E tu nunca fez merda não?! - pra você ver o senso de direitos e de justiça que esses pré-sujeitos possuem.
Os fogueteiros, inclusos na mesmíssima categoria, passam noites a fio e às vezes quarenta e oito horas explodindo seus fogos insuportáveis nos ouvidos de pessoas de bem, que têm educação e gostariam de sossegar e descansar. Mas esses quase vermes (porque ainda não chegaram a tal estágio) não respeitam nada. Imagino quando a mulher de um deles, na hipótese de ter bom senso, o advirte:
- Clebenílson, para com isso: os vizinhos querem dormir.
E a resposta do infame aos gritos:
- Manda os vizinhos ir à puta que os pariu! Ninguém tem nada com a minha vida e eu faço dela o que quiser!
Quer dizer: além de arrogante e sem educação, o desgraçado é acintoso e não sabe que os direitos de um vão até onde começam os de outro.
Num trinta e um de dezembro, na Vila da Penha, um adorável cachorrinho de rua correu enlouquecido por pavor ao foguetório e morreu atropelado. Se os autores da barulheira soubessem disto, morreriam de rir.
Normalmente não festejo o 31 de dezembro, porque estou quase sempre envolvido com algum ou alguns cachorros que morrem de medo das explosões, e me vejo compelido a dar-lhes assistência. O Snoopy, o cãozinho de rua que abriguei há nove anos e morreu em três de novembro último, se consumia aterrorizado e, apesar de haver ficado surdo quatro anos antes, ainda sentia as vibrações e me obrigava a ligar o som a todo o volume para que percebesse menos plenamente os estrondos.
Ora! a alegria é um sentimento natural, espontâneo, não uma decorrência de uma porrada de estouros! Entretanto, cônscio de que não adianta reclamar e tentando ser pragmático, é mister que as autoridades proíbam, caracterizando como crime inafiançável, a produção, venda e explosão de fogos de artifício, punindo tais práticas com cadeia. Mas a coibição teria de ser verdadeira, porque, se há algo neste sentido, é com estranheza que passo quase todos os dias por uma loja que vende fogos e tem uma fachada com cartazes e placas imensas indicando o produto que comercializa. Do mesmo modo devem ser tratadas as práticas do balonismo e da direção perigosa.
É preciso que façamos petições públicas, exerçamos alguma pressão sobre as nossas preguiçosas autoridades, tomemos alguma atitude para a repressão de atos que fazem a sociedade acuada por elementos que não deveriam sequer ter nascido.
2013
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
RÁDIO BESTEIROL (II)
"Oi, amigos da rádios Besteirol, sintonizada em q-m-e-r-d-a,3, vinte e quatro horas por dia no ar! Aqui quem fala é o amigo de vocês, Jarba Boseira, com uma programação de músicas e entretenimento pra você(!), você(!), fiel ouvinte de todos os dias e todas as horas... :Aqui estamos, juntos, sob o patrocínio do óleo de peroba facial Planalto, o óleo que mantém viçosos os rostos dos atores Dilma e do Lula e é o preferido dos políticos do Brasil.
Tempo de férias, amigo ouvinte. Faça sua viagem ao Rio de Janeiro pela Mazela Turismo! Visite as cracolândias típicas da cidade e do Estado: são espetáculos pra você nunca(!), nunca(!), nunca esquecer! Passeie também pelas nossas estações de águas podres: a Baía de Guanabara, os rios Maracanã, Meriti, Faria Timbó e outros mais que vão matar o Tietê de inveja! Percorra também os subúrbios e ria a valer em ver os motoristas de ônibus não parando nos pontos e ainda atropelando os pedestres, com impunidade garantida ou seu dinheiro de volta. Mazela Turismo(!), o seu bonde das emoções!
Agora, querido amigo da Besteirol, eu declamo para você uma letra de pagode que achei de uma profundidade incrível! Feche os olhos,amigo, e mergulhe na poesia. É o pagode 'Tu Ralaste' do grupo 'Roxo Sem Arrocho!', e a letra é assim:
'Meu amor,
Por que tu me abandonaste?
Sem te ver,
.Tô broxando feito um traste.
Amor meu,
Sem te ter,
Tô broxando feito um traste.
Meu amor,
Nunca mais tive teu corpo,
Vou seguindo,
Engordando feito um porco.
Sem te ter,
Tô broxando feito um traste.
Meu amor,
De alegria minha fonte,
Sem te ver,
Vivo embaixo duma ponte.
Meu amor,
Nossas noites tão bacanas,
Minha dor
Foi tu seres tão sacana,
Me traindo
Num bar de Copacabana.
Teu tesão
Era coisa que eu gostava,
De soltar-te meu dinheiro,
Mas, "mozão"
Tu também não precisavas
De soltar pr'um time inteiro
De terceira divisão.
Mas amor,
Tu pra mim és mais que tudo,
Pra te ter
'Costumei a ser chifrudo.
Meu amor,
Por que tu me abandonaste?
Sem te ter,
Tô broxando feito um traste.
Sem te ver,
Tô broxando feito um traste.'
"Lindo, não é mesmo, ouvinte da rádio Besteirol(?!), a sua companheira de todas as horas, todos os minutos, todos segundos... Agora vamos responder à pequisa do dia. A pegunta é a seguinte: para você o ex-presidente Polvo sabia ou não sabia de tudo? Se sabia, responda: por que calou? Opção A: faturou em cima? B: não queria atrapalhar os companheiros? C: gosta mesmo é de uma sacanagem? Agora, se você responder "não", que o ex-presidente não sabia, responda também por quê. A: é cego? B: é burro? C: passava o tempo todo comendo churrasco com pinga?
Assista esta noite, na 'TV Ovo' ao filmaço(!), filmaço(!) 'O Silêncio dos Indecentes', com Saulo Yamamoto, Ruiz Fula Madressilva, Melrose Vergonha e grande elenco. Intriga, mentira, morte, ação, inação, roubo... 'O Silêncio dos Indecentes', às onze da noite, na 'Rede Ovo'."
"Agora vamos ouvir a música maravilhosa do 'Roxo Sem Arrocho'"
E toca a música sofrível de letra mais sofrível ainda. Depois volta o radialista:
"É isso aí, minha gente boa! Cultura é aqui na rádio Besteirol! E vamos aos destaques do noticiário de hoje: 'presidenta' Vilma diz que seu governo é tão transparente, que deixa os homens excitados. Ex-ministro Tom Zé Perseu pede ao papa a canonização do ex-presidente Polvo. Governador acha que cracolândias podem incrementar turismo. Capítulo especial da novela das vinte e uma, 'Salve Zé', deve entrar pelo brioco adentro. Técnico afirma que seleção ganhará se não perder ou empatar. Pesquisa indica que mulheres tossem mais do que os homens. Governo investirá mais em educação: pagará curso de etiqueta à sua chefe. Giuliana Faz rompe romance com Maurílio Fenício. Vandré Charques deixa Évora Seco toda molhadinha. Nesgo concorda que má qualidade do programa de que participa causa pânico. É isso aí, galera boa! A rádio Besteirol é diversão, entretenimento e notícia vinte e quatro horas!"
Barão da Mata
AS PROCISSÕES DO DIABO
A coisa no Brasil tá mesmo preta. O Gilberto Carvalho, secretário geral da Presidência - aquele mesmo que foi submetido, junto à família de Celso Daniel, a acareação na CPI acerca do assassinato do prefeito -, disse que o PT teria um 2013 muito difícil e seria preciso botar a militância nas ruas, para resgatar ou preservar a imagem dos companheiros tão injustiçados, coitados(!), e tão perseguidos por aqueles que são contrários aos avanços sociais implementados pelos governos do partido (leia-se "esmolas do bolsa-família") e às conquistas do próprio povo brasileiro. Fico imaginando as passeatas que vão ser realizadas, a participação de artistas (vi um ator da Globo numa foto de jornal, em apoio ao José Dirceu, o que, aliás pela própria história das organizações, não é muito para se estranhar), as palavras de ordem, etc... Serão como procissões bizarras e de valores invertidos. Já vi muitas procissões, mas estas eram em louvores a santos católicos, cuja existência e santidade não me cabe no momento questionar, que entretanto eram feitas em prol de santos, não de salafrários de primeira grandeza, supostamente pretensos ou ainda realmente pretensos assassinos, ou quem sabe assassinos de verdade, sem contar os comprovadamente envolvidos em falcatruas de envergonhar qualquer vigarista dialético. Em outras palavras, a política nacional vai inaugurar um verdadeiro ciclo de procissões em exaltação ao diabo.
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