Barão da Mata - Verdades e Diversidades

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sábado, 20 de março de 2010

A VERDADEIRA FACE DO PODER


Nos tempos mais remotos da história da humanidade, hordas de aventureiros invadiam territórios e subjugavam outros povos, promovendo carnificinas e uma série de outras crueldades. Alguns invasores, porém, fixavam-se nos territórios dominados e impunham-lhes rudimentos de regras severos e geralmente injustos, porque tais normas ( se assim podiam ser chamadas ) não visavam a distribuir justiça, ética, promover desenvolvimento ou fazer valer a moralidade, mas unicamente a conservar para os invasores o poder e as benesses do poder.
Hoje, passados mais de quarenta séculos da inauguração de tal praxe, o poder, sobretudo nos países de terceiro mundo, tem os mesmos vícios, os mesmos cacoetes, sem outro intuito além da manutenção dos privilégios nas mãos dos que o compõem ou a ele estão ligados. Em outras palavras, o Estado, que é parte integrante do poder que nos governa -- uma vez que boa parcela dos poderosos em qualquer país não ocupa cargo público -- não tem nenhum interesse em promover o bem-estar social. E por esse mesmo motivo precisaria ser perpétua e rigorosamente vigiado e policiado pelos que vivem em sua jurisdição e sob os seus preceitos. O Estado, complô das elites e meio de exercício de mando das classes dominantes, precisa ser constantemente pressionado e fiscalizado para que a sociedade possa avançar, para que o cidadão possa obter dele o mais que devido respeito e a real condição daquilo de que é chamado (cidadão). Entretanto, realizar tal empresa é algo extremamente difícil, quase impossível.
Seria preciso, antes de tudo, embasamento por parte do povo quanto às questões sociais e políticas, além do conhecimento do verdadeiro perfil do poder, o que já é dificultado pelas poucas chances de acesso à educação e à cultura que os governos oferecem -- do mesmo modo como Esparta implementava o laconismo como meio de dar poucos e parcos conhecimentos ao seu povo mais de vinte séculos atrás -- e pelo papel que a mídia exerce nos dias de hoje, sendo aliada dos governantes no trabalho de desinformar e enganar, confundindo a opinião pública e fabricando "verdades" e "mentiras" que sempre se afinam perfeitamente aos interesses dos poderosos. Ora, a mídia, composta por gente que troca favores com o poder, que vive à sombra deste( do qual faz parte), que outra postura poderia ter nesse contexto? É ela tão provida de recursos e argumentos, que hoje quase ou nunca o poder precisa recorrer à força para defender os interesses das castas que tem a função de privilegiar e proteger.
Só as sociedades mais avançadas conseguem fazer que o Estado exerça o papel que lhe cabe, porque tiveram acesso ao conhecimento de causa que não é dado aos povos de terceiro mundo, além de terem histórias muito diversas das vivenciadas pelas sociedades menos afortunadas -- em sua maioria havendo arrancado do poder tudo aquilo que este não lhes queria propiciar, nem sempre por meios exatamente pacíficos, e ainda assim alguns séculos atrás, quando os veículos de comunicação eram precários e não tinham a força  de  quarto poder (como até já foi intitulado um filme americano), o que favoreceu, entre outras coisas, o crescimento das ideias iluministas e o crescimento da não-aceitação aos desmandos dos poderosos.
Em suma, o poder não é justo ou ético, o poder é apenas o poder, sequioso das benesses que recebe de si próprio (com os recursos dos governados) e cioso em não se deixar mover de sua confortável posição. Dele nada é recebido, mas conquistado com reivindicação e luta alicerçada no imprescindível conhecimento a que aqui faço alusão. Todavia, e infelizmente, não vislumbro, para os países de terceiro mundo, muitas chances de se alcançar este conhecimento de causa que leva à luta e à conquista.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

A RESSACA E OS EVENTOS ESPORTIVOS

Hoje acordei de ressaca, com um martelo querendo sair por minha caixa craniana a fora. Tentei mandar alguma coisa nova como mensagem, mas nada saiu da minha idéia: acho que é o tal martelo que está atingindo a zona do cérebro responsável pela criatividade (deve tê-la tornado ressecada e árida). Não quis enviar um texto antigo, deixei o computador. Resolvi então, frustrado, me postar diante da televisão, e isto acabou por me dar um certo alento: os caras só falam em Copa de 2014, Olimpíadas de 2016... Olimpíadas de 2016 no Rio...Copa de 2014 no Brasil. Eu os entendo: eles também tão em crise de criatividade. Também beberam muito ontem à noite.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

O HORÁRIO DE VERÃO

Senti um grande alívio hoje de manhã, em razão do final do horário de verão. Foi com um prazer sem tamanho que fui a todos os relógios da casa e os atualizei. Mas fiquei depois a analisar (como faço sempre quando estou sob aquele horário maluco) sobre a necessidade ou não de adiantar os relógios durante a estação. O objetivo dos governos tem sido realmente economizar energia? A energia economizada é significativa? É realmente necessário sacrificar o nosso relógio biológico por uma parca economia de energia? Ou o pano de fundo disso seria a disposição permanente dos nossos governantes em agradar aos tubarões da rede hoteleira, que faturam uma fábula por terem os seus estabelecimentos numa região onde o sol vai até as vinte e uma horas ( o que atrai um sem-número de turistas)? Sabe como é: o governo, como aliás todo governo, tem uma sensibilidade à flor da pele, um verdadeiro coração de mãe, de manteiga mesmo, quando se trata de atender aos anseios das classes abastadas, que mantêm, como todos sabem, um lobby poderosíssimo dentro do poder público. E, assim, nós ficamos esgotados enquanto os donos da indústria hoteleira ganham rios de dinheiro. Bonito isso, não?
Não me resta, então, nada senão arremedar o anarquista espanhol: Hay gobierno? Soy contra!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

TROCANDO AS BOLAS

Um dia desses o noticiário fez que eu me decepcionasse profundamente com o Obama. Ele, que antes professara uma política externa pacífica, falou em atacar o Afeganistão, recrudescer a situação no Iraque e outras barbaridades bem imperialistas e bem americanas. Sem contar que sua posição foi determinante na melação do acordo ambiental de Genebra. Fiquei pensando comigo: isso é coisa de feiticeiro... Alguém pegou a alma do presidente e a do seu antecessor, George W. Bush, e as colocou uma no corpo do outro (trocando as bolas, sabe?). Vai ver o verdadeiro Obama tá no corpo do Bush, defendendo a soberania das nações, o meio-ambiente e a paz no planeta.

O TALENTO TROCADO DE LUGAR

Um sábado desses liguei a televisão e  deparei com um desses programas de auditório, e havia um sujeito que cantava um pagode e se fazia acompanhar de duas lindas morenas que rebolavam os corpos esculturais com a sensualidade de ninfas. Fiquei a observar. O sujeito cantava divinamente como um corno bêbado na noite da traição. A letra me levava quase às lágrimas, por ver a que ponto uma poesia pode ser piegas e de má qualidade. Não sou músico, mas percebi que não havia belo arranjo, bela melodia nem bom gosto. Só se salvavam as morenas e suas formas lascivas, e, como não sou voyeur de vídeo, coloquei no AV e botei um DVD onde Elis Regina cantava "Fascinação". Letra, música, voz, tudo lindo de embevecer!
Olha, minha gente, confesso que sou aficionado por bunda de mulher... mas tenho uma infinita saudade de quando o talento ficava na cabeça.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

OS TORCEDORES FANÁTICOS SÃO OS SECTÁRIOS MAIS PERIGOSOS

Eu sou daquelas pesssoas que se embevecem com aqueles dias de jogos de campeonato, emocionam-se com o calor e a vibração das torcidas com os seus fogos estourando nossos tímpanos e quase nos matando de susto. É a manifestação singela e espontânea de calor de paixão desportiva dos nossos nobres cidadãos sem um pingo de princípio e educação, derramados em berros que pronunciam nomes de clubes de futebol, berros arrastados e quase ininteligíveis pela puta da cachaça tomada em demasia ou da famigerada coca cheirada em um canto qualquer.
Ah! É dia de jogo, decisão, sei lá o que, é prá gente fazer uma porra de um churrasco de costelas de boi e de asas de frango, abrir as malas dos carros e botar pra tocar "funk", pagode ou hino do clube, mas tudo com volume muito alto. Você, sujeito tranqüilo e sossegado, tem o dever cívico de participar de toda essa palhaçada: deixe sua música de lado, não a ouça, desligue a televisão, não converse, não leia jornal, porque participar de toda essa baderna, voluntária ou involuntariamente, é o dever de todo cidadão. Sugiro que você saia de sua casa e vá conversar futebol com eles, encha também os cornos de bebida e fique gritando o nome do clube deles - mas não se esqueça de vestir-se com a camisa. Porque esse negócio de que os direitos de um vão até onde começam os de outro é pura retórica barata e imprestável: o negócio é fazer muito barulho e incomodar todo o mundo, porque um homem que não participa dessas bagunças não é digno de viver em sociedade.
O pior de tudo são, ao final de tudo, as hostilidades: brigas, pancadaria, linchamentos, assassinatos, e as autoridades espalhando pequenos efetivos de policiais nas ruas, fingindo não notar o verdadeiro estado de escaramuças e guerrilha urbana provocado por esses vândalos.
Esses torcedores fanáticos não têm nada de positivo, são sectários radicais e perigosíssimos, capazes de estragos e atos do porte dos praticados pelos guerrilheiros, incendiários e facínoras. O fantatismo é um câncer com alto poder de devastação, seja ele o fanatismo religioso, político ou desportivo.
Ontem, 06/11/09, foi decisão do campeonato nacional, e eu fiquei a ouvir gritos de "mengo" e explosões das nove e meia da manhã do domingo até as dez da manhã de hoje, segunda. Num dia em que houve jogo do Fluminense (clube pelo qual eu torço sem paixões desmedidas ), e eu estava no metrô, um grupo de torcedores do clube entrou no vagão em que eu estava e fez tanto barulho e gritaria, que eu pensei que iam explodir a unidade.
Ora, deixemos de hipocrisia! Não vêem que não há nada de bonito nessas manifestações? Só o Galvão Bueno, do conforto de sua cabine refrigerada, é que demagogicamente elogia essas "alegrias" famigeradas das torcidas. O tipo de torcedor a que me refiro não é, na verdade, afeito ao esporte: é, isto, sim, afeito à guerra, à violência, a transornar a vida de terceiros, fechando ruas e túneis, hostilizando torcedores adversários e pessoas neutras em relação às suas histerias. Têm o prazer mórbido de incomodar, de bater, de guerrear, porque são belicosos natos e rebeldes absolutamente sem causa, compromissados com a missão de causar danos e aporrinhações à coletividade.
O mais triste de tudo é que nada se pode esperar de nossas autoridades, que, se pouco se prestam a combater o crime (organizado ou não), menos ainda farão contra essa gente e a sua conduta perniciosa.

2009

sábado, 29 de agosto de 2009

FAÇA-SE JUSTIÇA!

Acho que as pessoas deveriam fazer justiça aos honrados senhores senadores da nossa república. Como pode elas acreditarem nas infâmias que proferem os que imputam crimes aos mais altos legisladores do país? O Senado tem origem no Conselho de Anciãos romano, formado pelos patrícios idosos mais influentes da nação, e o que se espera dos mais maduros é que eles sejam honestos, éticos, probos e sábios. Por que então os nossos venerandos senadores fugiriam ao perfil desenhado pelas expectativas dos que os escolhem para o exercício das funções de mais altos legisladores do país?
Como duvidar da honestidade e inteireza dos nossos elevados mestres e conselheiros, timoneiros da legislação brasileira, orientadores da sociedade imbuídos da abnegação e desambição inerente aos que têm o intuito único de conduzir um povo ao melhor destino, pondo a serviço do mesmo a sua experiência e sabedoria, e assim indicando-lhe o melhor caminho? São homens íntegros, despojados da ganância, preocupados tão-somente em prestar, soldados da lei que são, os melhores serviços ao Brasil.
É preciso que a opinião pública nacional saiba reconhecer as virtudes desses verdadeiros pais que
se empenham com passional fervor patriótico por nós, os filhos da Pátria que ardorosamente defendem.
Assinado: Antero Anta , o Parvo