A minha postura com relação ao sistema torpe que grassa no Brasil é bem simples: sou contra tudo, contra todos, contra tudo o que é a favor e, por uma questão de desconfiança, contra tudo o que é contra.
De nada adianta um país ser emergente quando a sociedade não o é. Recuso-me a ouvir a asneira de que uma coisa levaria necessariamente à outra, pois seria desconhecimento de que diversos países orientais, por exemplo, são prósperos enquanto seus povos têm baixíssimo nível de vida. DEMÓSTENES "BARÃO DA MATA" baraodamata2@gmail.com
Barão da Mata - Verdades e Diversidades
Assista aos meus vídeos em http://www.youtube.com/user/demostenesmb
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
DA DETESTABILIDADE MINHA E DAS COISAS
Sou uma pessoa detestável, porque detesto tudo, detesto detestar tudo e detesto quando não detesto algo. Porque tudo é detestável: detestável o que é detestável, assim como é detestável o que não é detestável, exatamente pelo fato de não sê-lo. Em outras palavras, o bom-mocismo dos benquistos é algo de uma babaquice e hipocrisia repugnantes.
domingo, 11 de julho de 2010
O VOTO NULO
Coisa interessante, não, essa da mídia e dos políticos, de nos períodos eleitorais fazerem campanha contra o voto nulo? Toda vez em que se observa uma tendência muito grande de uma fatia signitiva do eleitorado votar em branco, artistas e pessoas benquistas pelo público aparecem na tevê e conclamam as pessoas a que votem, não deixem de exercer o seu direito de participar e tataratatá e tererê-pão-duro... Conversa fiada! Votar nulo também é um modo de a gente se manifestar, não é(?), ou será que eu tô ficando mais maluco do que já sou? Se você não tem inclinação por nenhum dos candidatos, se não acredita em nenhum deles (o que é muito fácil, pois político é em geral pouco ou nada merecedor de cedibilidade), porque então haveria de optar por alguém? Não é curioso? Escolher entre o que nos vai rasgar e o que nos vai decapitar. Muito engraçado, não?
Ora, votar nulo por ignorância ou negligência é absolutamente reprovável, mas tomar tal decisão a partir do conhecimento do quadro político e dos homens que se apresentam candidatos é um exercício de democracia saudável e extremamente válido. Não podemos cair nessa conversa de que o voto branco ou nulo é um prejuízo ao regime democrático. Na verdade, os grandes prejudicados com este tipo de voto são os políticos, que ficam numa situação embaraçosa, vergonhosa, sem saber como se portar diante da sociedade por ter um mandato pouco respaldado. O próprio sistema se sente (e fica) fragilizado quando não arrimado por uma votação maciça.
Aí você me perguntaria: "e isto não geraria uma crise institucional?" Aí eu responderia: com crise insitucional ou sem crise institucional, qual é a verdadeira e genuína participação de nós, cidadãos, nas decisões e nos rumos da nação? Qual foi o peso de sua opinião no período do regime militar, fruto de uma crise institucional, nos seus vinte anos de vigência? Quem sabe uma votação minguada não nos traria outros políticos ou disciplinaria os que já temos, pois aí estaríamos realmente participando? Além do mais, oportunistas, dentro de uma situação incomum, só se apossariam do poder se nós os respaldássemos, quer nos omitindo ou adotando postura de defesa e aceitação, pois a ditadura militar só ficou em cena vinte anos porque contava com os dois tipos de apoio da sociedade, não é mesmo? Quando me politizei, aos vinte e poucos anos, quantos e quantos discursos pró-governo eu ouvi, discursos vindos não de uma minoria, mas de um percentual expressivo de pessoas com quem tive o desprazer de debater política naquele tempo. Então? Todo regime só se sustenta - e não sou obviamente o primeiro a dizê-lo - com o aval da sociedade - decorrente do apoio ou da omissão.
Em suma, voto nulo não é vício nem baderna, é uma forma de manifestação legítima do eleitor tanto quanto o sufrágio de qualquer nome.
2010
sábado, 1 de maio de 2010
PERMITA-ME SER PRETENSIOSO E DAR UNS PITACOS SOBRE ECONOMIA
Logo após escrever "Sonho é Presságio?", onde tiro sarro com a cara do Serra, porque não tem mesmo ele outro discurso que o de que " é preciso cortar gastos, que gastos é preciso cortar, cortar gastos é preciso, viver não é preciso". .. Essa porcaria desse discursinho fácil e barato tá no manual de qualquer politiquinho desses que você vê por aí, atazanando tua vida (deixa eu misturar as pessoas do verbo, deixa?) e teu juízo, dizendo nas entrelinhas que não se pode investir em educação, saúde, infraestrutura, segurança, habitação, etc, etc... Você vai ver só a campanha! Ele vai falar o tempo todo ( e é só o que sabe) em conter gastos públicos, discurso do conservadorismo perverso que foi encampado pelo Collor e posto em prática nos recessivos e miseráveis anos FH, onde Serra era figura proeminente. Mas não é exatamente no Serra que eu quero atirar. E sim numa conjuntura.
Bem, vamos por partes. O fato é que, logo após eu haver escrito o texto, minha amiga Virgínia mandou-me via orkut a seguinte mensagem: "Querido amigo Demóstenes (...)Agora me diga como são o seus sonhos com a Dilma. Nós estamos num mato sem cachorro. Se fica, o bicho come, se correr, o bicho pega. Ohooo loco!"
Acho que ela está coberta de razão. Não há pra onde correr. Apesar de eu ser honesto o bastante ( e não adiantaria tentar deixar de ser, visto que tudo está tão claro) para dizer que vou votar em qualquer coisa que estiver em condições de competir com o Serra, mesmo que seja o tinhoso; mesmo assim, agora o que me cabe é voltar ao "x" da questão: a conjuntura de que falo vai levar-me a um discurso muito pretensioso , já que não sou economista, não entendo de economia, não circulo nas suas esferas e coisa e tal, mas o fato é que, quando um político se candidata, tem já um discursinho pronto, tirado de um livrinho manual de Dom João Charuto, de que é preciso conter gastos, investir no social, acabar com as desigualdades e o ponto a que agora quero me apegar: desonerar a produção. Isto mesmo: desonerar a produção. Já ouvi seiscentas e cinqüenta milhões de debates vazios na mesma direção. Coisa cansativa! Dizem tudo, menos a verdade.
Se desonerar tem por objetivo gerar mais empregos e colocar a indústria nacional em condições de competir no mercado internacional, o preço do produto precisa ser barateado, e é aí exatamente onde está o grande nó da história. Todo mundo sabe os altos encargos que um patrão paga ao governo para manter um empregado. Sabe também que estes altos encargos são um fator importante de inibição da geração de empregos. Ou seja, um governo realmente bem-intencionado empreenderia uma verdadeira renúncia fiscal em prol do emprego. Como o governo não quer perder arrecadação, adota uma fórmula simples, mágica e cruel para desonerar a produção: desprotege a classe trabalhadora em não adotar nenhuma política salarial que proteja os salários, permitindo sórdida e covardemente a livre negociação onde a procura por trabalho é sobejamente maior do que a oferta, o que faz as remunerações salariais ainda mais parcas, e dá à indústria as condições de competir lá fora à custa da miséria dos empregados. Em outras palavras: quando se fala em desonerar a produção, parece que se fala em prol dos trabalhadores, mas não é isto: eles falam em prol dos industriais, dos empresários, dos patrões.
Convenhamos que o desemprego é algo muito grave, mas também que uma atividade mal remunerada é um paliativo de pouca eficácia. Portanto, quem quer desonerar a produção muda a legislação tributária e promove renúncia fiscal. Aí me perguntariam:"Se houver renúncia fiscal, como o governo irá compensá-la?" Eu respondo: Ué? Sobretaxa as grandes fortunas! Sobretaxa, supertaxa, megataxa, taxa mesmo as grandes fortunas! Lembro-me perfeitamente de que, quando era ministro da fazenda do Sarney, o Bresser ficou desempregado porque tentou botar no Congresso um projeto de taxação das grandes fortunas, e desde lá o país não viu macho que se dispusesse a fazer um discurso neste sentido. Taxar os ricos distribuiria renda, permitiria o investimento em produção e salários (porque bom salário não é palavrão, não: os políticos e empresários ficam vendendo idéia em contrário para gerar conformismo e manter o "status quo").
Falar em taxar grandes fortunas é subir no cadafalso, é entregar-se à forca, e o nosso "querido" Bresser bem o aprendeu, porque mais tarde se integrou ao governo FH e, na falta de projetos dele próprio e do governo, deu-se a perseguir o funcionalismo público , eleito bode expiatório em todos os episódios em que as coisas vão mal ou simplesmente não se tem projeto político e social de qualquer natureza - e a perseguição de que falo dá uma puta popularidade!
Não há quem tenha a macheza, a honestidade de dizer que é preciso aumentar a carga tributária da abastança. Não seria a solução de todos os problemas, mas permitiria ao governo abrir mão de arrecadação sobre o emprego sem aviltar e comprimir os salários. Porém, todos têm medo de levantar tal bandeira, porque sabem que seria suicídio.
Mas a questão não pára aí: quem quer realmente atuar na área social, precisa necessária, obrigatória, indispensável, imprescindivelmente mexer com as grandes fortunas, porque a questão é clara: sem distribuição de renda não há avanço social. E isto independe de o cara ser de esquerda ou sei lá o que. Distribuir renda é essencial, nada melhora sem isto: a concentração de riquezas absurdas em mãos de poucos é muito gritante, e isto precisa ser disciplinado. Não sou mais de esquerda, não tenho credo político, não milito em coisa nenhuma, mas a distribuição de renda, pelo maior número de meios por onde seja efetivada, é sim a solução de todos os problemas, e é por isto que eu repito: se não há político verdadeiramente disposto a emprender uma verdadeira distribuição de renda, eleição vai continuar sendo um joguinho entre os poderosos e representantes do poder econômico, que ficam se revezando nos postos de poder público. Daí eu repetir: não há pra onde correr. Não adianta falar em nomes, porque a diferença entre uns e outros candidatos estará sempre e unicamente no nome, pois, ganhe quem ganhar esta ou qualquer eleição, este vai rezar pela cartilha imposta pelos economicamente poderosos.
Falei muita besteira?
2010
sábado, 24 de abril de 2010
SONHO É PRESSÁGIO?
Seria o sonho realmente um presságio? Sei lá...Fico hoje reticente em relação à questão.... Isto porque tenho tido um pesadelo freqüente e insistente nas últimas semanas. Sonho que a minha trisavó por parte de mãe, que morreu uns sessenta anos antes de eu nascer, tem uma testa imensa além de uma lisa e vasta careca, e me pega pelos braços enquanto canta: "Serra-serra-serrador, quantas verbas já serrou!" O pior é que, em vez de me projetar para trás e para a frente, só me empurra para trás, e continua: "Da saúde, das escolas, segurança. Serra-serra-serrador, quantas verbas já serrou! Vai serrar ainda mais, vai virar o teu terror."
Fico nos sonhos a olhar para ela apavorado, e a velha, ao final da canção tem um semblante carrancudo, uma postura antipática e arrogante, e me diz com uma voz grave e um ar de dona da verdade: "Serra que se escreve com fh. "
Acordo sem entender absolutamente nada.
Você conseguiria interpretar este meu sonho esquisito?
2010
ELEIÇÕES E AMIZADE ROMPIDA
Estou profundamente indignado com um meu amigo - aliás, amigo não, ex-amigo! - que veio me dizer uma verdadeira infâmia. Veja que o sujeitinho teve o descaramento de dizer que, se povo soubesse votar, não teriam os judeus preferido Barrabás a Jesus quando foram instados pelo Sinédrio a escolher quem deveria ser poupado da crucificação. Tentei explicar-lhe que, naquela ocasião, se o povo assim agiu, foi, pelo que já me elucidaram, porque Barrabás era líder dos zelotas, grupo revoltoso que pretendia libertar a Judéia do jugo romano. Mas não adiantou: o homenzinho foi intransigente. Atirou-me na cara umas duzentas mancadas eleitorais do povo em eleições majoritárias nos últimos vinte anos, além de listas com mais de quatrocentos nomes de cada uma das dez últimas legislaturas do Congresso que não poderiam jamais ter sido sufragados. Sujeitinho inconveniente, obstinadamente disposto a querer negar a irrefutável sabedoria do povo. Agora, me diga uma coisa: não fiz bem em deixar de ser amigo dele?
2010
OS FRUTOS DO DESCONHECIMENTO
Ah! Essa eu não podia deixar passar! Eu tava aqui, ao computador, tentando criar alguma coisa ou pensar num tema pra abordar, quando ironicamente um mastodonte, desses que dão dez berros e uma porrada nos ombros dos outros a cada dez palavras que fala, veio ironicamente em meu socorro, quando lá da rua soltou num grito de "porra, esse time é demais" mais parecido com o grunhido de um pobre porco na hora do abate (pobre porque amo e respeito todos os animais, e às vezes divago sobre como seria bom se eles não fossem abatidos). Este tipo de espetáculo é muito corriqueiro no bairro onde moro , assim como em muitos outros bairros por este Rio a fora.
Se fossem só os berros, até que ainda iria. Mas o grande problema é que esses caras ainda soltam fogos, ateiam fogo no asfalto e cometem outras barbaridades: são verdadeiros terroristas sem causa. Odeio gente sem educação e torcedores extremados: eles são hostis, insolentes e perigosos. Já disse mais de uma vez que são os sectários de maior periculosidade, sobretudo se você levar em conta que no Brasil, ao menos com base nas notícias que nos chegam, não se mata nos últimos anos em nome da política ou da religião, duas das três searas onde se abrigam os mais inflamados radicais: a terceira é justamente o futebol (e de maior número de exacerbados).
Mas a questão é que não são exatamente eles o alvo deste meu comentário. O meu tema são aqueles que se valem deste tipo de situação. Nos anos setenta dizia-se muito que o futebol era um bom intrumento de desvio de atenção dos problemas nacionais para uma direção indevida e equivocada: ou seja, o cara só pensava em futebol e nem sequer tinha idéia dos problemas que verdadeiramente afetavam a sua vida e o seu dia-a-dia. Nos anos oitenta começou-se a negar que o interesse demasiado por um ou mais esportes fosse alientante. Nos anos noventa ficou "provado" que uma coisa não afetava a outra. Na minha opinião pessoal, foi um aforismo que alguém, meio bêbado e meio querendo contestar por contestar, jogou no ar e pegou, colou, cristalizou-se perfeitamente.
Podem me chamar de retrógrado, de arcaico, de reacionário, de cego, mas eu de-fi-ni-ti-va-men-te não a-cre-di-to. O interesse desmedido por futebol aliena, sim! Esses torcedores de que falei, e que correspondem a um percentual significativo, não querem saber de nada, nada mesmo! Só de seus clubes, e fim! Comentam futebol de domingo a domingo, almoçam, jantam e respiram futebol. Torcer por um time é saudável, eu próprio, como tantas outras pessoas, torço por um time. Mas não vivo a me desesperar ou a soltar fogos por ele, não gosto quando perde, mas não fico a me deprimir e a querer explodir o mundo por força da revolta e do desgosto. O caso deles (os fanáticos) é patológico, é uma coisa inconcebível. E o mais grave de tudo é que eles votam, e o fazem, em geral, sem nenhum conhecimento de causa, porque é impossível que alguém dedicado ao futebol vinte e quatro horas por dia possa estar inteirado sobre outro assunto. E aí quem gosta, se regala, deita e rola são aqueles caras que usam colarinho duro, gravata italiana e que decidem se a gente neste ou naquele dia vai ter alguma coisa pra comer ou se virar roendo pedra. Aqueles, sabe? Pois é!
É mentira minha? É? Se você acha, me responda uma coisa: quantos aumentos de preços e medidas antipáticas são tomadas pelos governos em períodos de copa do mundo ou de final de campeonato? Se você não se lembra, a indústria químico-famacêutica produz uma série de remédios pra memória. Procure seu médico.
Estaríamos bem se só os torcedores extemosos tivessem a atenção desviada. Mas a história é muito mais séria. Tem gente que compra um jornal e só lê a página criminal. O crime é realmente, na atualidade, algo muito incidente e um problema da maior relevância, mas uma fonte noticiosa digna do nome não vive exclusivamente da criminalidade. Ou seja, apesar do seu vício de manipulação de fatos, muitas das instituições de imprensa de maior peso ainda dão uma boa gama de informações sobre vários assuntos . O grande problema é que as entidades menos sérias (ou os setores menos sérios das entidades mais sérias) aplicam nas veias do público verdadeiras overdoses de informações irrelevantes e desnecessárias. É o que explica o grande sucesso dos chamados reality shows e outros programecos do mesmo quilate.
Se houvesse uma postura séria por parte dos legisladores e governantes, este tipo de coisa teria uma certa limitação, um certo controle e policiamento; mas ninguém está interessado em que o povo esteja bem-informado das coisas de cunho político e social. Logo eles, os grandes beneficiários deste contexo, porque disciplinariam tais abusos? Quanto menos se saiba, melhor para eles. Até porque, se ao povo fosse dado saber a verdadeira face da realidade, muitos governantes que se transformaram em verdadeiros vultos históricos não teriam, pelos seus desmandos, completado o segundo ano de seus mandatos.
Uma pena. Todo esse processo é, queiramos ou não reconhecer, um grande fator atravancador de progresso e desenvolvimento. Mas o que se há de fazer? O Brasil vai lendo fofoca sobre artistas, assistindo a programas baratos de auditório e tocando a vida por aí afora, crente crente que é feliz.
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