Barão da Mata - Verdades e Diversidades

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domingo, 27 de novembro de 2011

AS AVENTURAS DE JONAS, O SALAFRÁRIO

Episódio de hoje; "O MINISTRO"

Se há uma coisa que não se pode negar sobre os políticos,  esta coisa é a  capacidade que estes têm de estar sempre  em evidência, o que é indubitavelmente uma demonstração de competência quanto à habilidade de não se deixar esquecer pelo eleitorado,  competência inquestionável da maioria absoluta dos que abraçam a carreira política.  E o nosso bom Jonas, nascido com a política correndo nas veias junto com o sangue, desde a sua primeira candidatura,  jamais se deixou apagar da memória do público.  Agora, se isto se deu por meios virtuosos ou viciosos, a questão é muito pouco relevante, pelo menos dentro do modo como a gente depreende que uma grande gama dos nossos  legisladores e gestores públicos pensa.
Bom! Mas vamos deixar de enrolação e partir direto pro assunto!  Não é que o nosso "herói", em sua triunfal carreira, se meteu em mais uma confusão por causa da sua mania de sempre se dar bem sem se importar com os meios?  Pois é. Nomeado ministro da Bajulação, uma das pastas prioritárias entre os trezentos ministérios do governo,  se enfiou em um monte de falcatruas, até que a imprensa ficou sabendo e o tornou um prato e tanto para o momento.
Mas nosso homem não se deixou vencer facilmente.  Convocou uma entrevista coletiva e enfrentou peito a peito os seus pretensos algozes.
- O que o senhor tem a dizer sobre as denúncias que vem enfentando? - perguntou um dos repórteres.
- Denúncias? - fingiu não saber Jonas -  Que denúncias? Pensei que estávamos aqui para falar sobre a importância do Ministério da Bajulação no cenário nacional.
- Mas o senhor não sabe?
- Não sei? Do que?
- O senhor é acusado de superfaturar os  contratos de consultoria em bajulação com a Babaovos Relacionamentos Políticos e Empresarias, que por acaso vem a ser de sua propriedade.
- É mesmo?
- Ministro, o senhor não se lembra?
- Ah, sim! É de propriedade minha e daquele senhor... daquele senhor... Dá licença de eu ler!
- Ah! Perivaldo!
- Então, ministro? Como então o senhor pode negar?
- Eu negar?
- E não foi?
- Nada! Eu só esqueci.
- Mas ministro...?
- Eu sou muito esquecido... Quando eu era pequeno, meu pai já dizia: "Não vá esquecer de ir à escola, Joaquim..."
- Joaquim?
- Ah, é! Sou Jonas! Viu como eu sou esquecido?
- Mas o que o senhor diz sobre o superfaturamento?
-Vocês não acabaram   de afirmar que eu sou proprietário da Babaovos?
- Sim.
- Pois, bem: esquecido de que sou ministro, incumbi-me eu mesmo de estabelecer os preços, lá na empresa,  só que, por um engano lamentável,  na hora de formalizar os valores, troquei-os pelos que pretendera propor ao Departamento de Puxassaquismo dos Estados Unidos.
- Sim, ministro, mas e as acusações de tráfico de influência, favorecimentos...
- Ah! Isto tudo é preconceito...
- Preconceito?
- É... preconceitos quanto aos calvos...
- Preconceito por calvície???
- Absurdo, não é, meus amigos?
- Mas, ministro?!
- Sim?
- Mas nem calvo o senhor é!
- Não, mas descobriram que meu pai era...
- Ministro, e o aumento do seu patrimônio, que decuplicou em três meses?
- Competência minha.
- Puxa! Mas como o senhor é competente!!!
- E Deus ainda me ajuda.
- Deus???
- Viu só? Você não tem fé: se tivesse, seria o entrevistado. Imagine-se rico e ministro.
- Mas, voltando à história do superfaturamento dos contratos: se o senhor se esqueceu de que era presidente da Babaovos Relacionamentos, por que aprovou os orçamentos no Ministério? Esqueceu-se de que era uma autoridade do governo?
- Não. Sabia que eu era autoridade, só que pensei que era do Departamento de Puxassaquismo americano.
- Ministo, o senhor sai com cada uma...!
- Ontem eu saí co'a Michelle... Você viu, né? Bonita, não?
- Não desconversa, ministro!  Conta a história do desvio de verbas...
- Isso é história de gente invejosa, que quer me desestabilizar no governo. Sabe como é, não é?  Tem gente que não gosta de ver ninguém bem...
- Poxa, mas todos invejam Vossa Excelência?
Jonas então resolveu exaltar-se:
- Epa! Peraí! Vamos parar com essa cultura de ficar derrubando ministro!  Não vou sair do governo e pronto!  Quero ficar no corpo do governo feito tatuagem...
- Mas, Excelência, a sua situação...
- Não adianta! Não saio!  - e dirige-se a sua chefe - Eu te amo! - e agora volta-se aos repórteres: - Mas não saio! 
- O senhor acha normal tantos ministros de Sua Excelência, a presidente, envolvidos em escândalos?
- Ah, é? E Sua Excelência fala alguma coisa?
- Não.
- Pois é! É porque ela, infelizmente,  também é esquecida. 
- Esquecida????  A presidente???
- Ou, então, elevada, sempre soube  o quanto é alta a virtude de saber perdoar.

2011

sábado, 19 de novembro de 2011

OS ESQUECIDOS E INOCENTES DO REINO DOS ESQUECIDOS

Nobres cidadãos de minha nação! Droga! Infelizmente não me vem à memória, por mais que eu me esforce, o nome do país onde os fatos que narro ocorreram.  Venho-me esquecendo, como alguns personagens de minha história,  o nome da amada e idolatrada pátria onde a corrupção nunca era punida, talvez porque os seus sumos líderes vissem os aéticos mais como simpáticos e divertidos peraltas do que propriamente desonestos.
O fato é que já nos anos mil quinhentos e noventa alguns anõezinhos parlamentares já haviam feito algumas traquinagens e, entre eles, um de nome Vé Zeraldo, que, inquirido por um conselho de colegas a responder sobre desvio de verbas públicas,   já  se esquecera de uma latifúndio que comprara:
- Reconheço o cheque como sendo meu, mas não me lembro da fazenda.
Vistes, Senhores?  Vistes como eram as coisas naquele reino quase dois decênios antes?  E olhai que nem me ocupo aqui de outro dos anões, que tirara a sorte-grande mais de cinquenta vezes, chamado Janjão Calves.
Mas tornemos, honrados cidadãos, aos fatos que ora interessam. 
Não é que, no ano de 1611, a rainha... a rainha... a rainha...? Meu Bom Deus, qual era  mesmo o nome da rainha?! Vedes? Também não me lembro.  Mas aconteceu que a rainha, só nos primeiros dez meses do ano de 1611, perdeu seis dos seus seiscentos ministros, cinco destes por corrupção.  Quando vos digo perdeu, é porque Sua Majestade não demitiu nenhum: todos foram aconselhados, nos bastidores, por seus correligionários e amigos a deixar o poder.
Houve o caso do ministro Afrânio Balote (talvez uma corruptela - que neste caso nada tem a ver com roubalheira - ou abreviatura de baleia cachalote), que multiplicara em poucos meses o seu patrimônio sem saber como (notai o tamanho do esquecimento), o do ministro com nome de cantor, Francisco Alves,  que jurou aos arautos do reino que nada desviara, era inocente, que o que havia era uma intenção ardilosa e malvada de invejosos em desestabilizar a sua situação no governo e ao próprio reino.
Não posso também esquecer o ministro dos Passeios, Ledo Velhais,   acusado de usar recursos públicos de modo irregular quando tinha sido parlamentar.  Nem do ministro Manfredo Movimento,  suspeito de superfaturar obras da sua pasta, e Ágner Roça, a que as más línguas atribuíam pagamento de propinas.
O grande caso é que todos se declararam inocentes.  Nenhum foi demitido. Nenhum teve de dar satisfações a nenhuma CPI (comissão de parlamentares interrogadores). Todos pediram demissão, indignados com a onda de maldosos e destrutivos boatos.
Quando se via instada pelos arautos a responder o que faria com relação a cada ministro provocador de escândalo, a rainha sempre desconversava e deixava que se percebesse nas estrelinhas que o assesssor estava prestigiado.  A certa altura, disse que promoveria uma verdadeira faxina ética naquele reino.  Mas tudo foi mera retórica.
Por último, o que se sabe daquele país exótico e brincalhão é que Sua Excelência, o ministro Puppy, estava também envolvido em alguns rolos, sendo acusado de envolvimento com irregularidades de organizações não reais (não criadas pelo reino), de receber favores de um tal... um tal...?
- ...como é mesmo o nome desse senhor?  Ah, sim! - leu - Arquibaldo!
Foi até então o caso mais grave de falta de memória da gestão da rainha (de outros ficaremos sabendo mais tarde, quando terminarmos a pesquisa e soubermos o final desta história).  Mas o Dr. Puppy era valente, não se deixou abater de pronto, saiu logo atirando:
- Vamos parar com esse negócio de ficar derrubando ministro!  Daqui eu não saio, daqui ninguém me tira!
As entrevistas com os arautos aconteceram mais ou menos assim:
- Excelência, dizei aqui a nós, emissários da rainha tão ávidos de verdade,  se viajastes à custa dos favores do Sr. Arquibaldo, usando alguma embarcação de propriedade deste.
- Jamais, ó nobres mensageiros do verossímil!   Sequer conheço esse senhor...?...? Valdo!
- Sois,então, ó nobre senhor, vítima de calúnias?
- Como não, meus bons arautos? Como não? - e bravejou: - Vamos parar de uma vez por todas de ficar a despojar a nós,  elevados e confiáveis assessores da rainha, do poder! - e ainda, dirigindo-se à nobre: - Eu vos amo, Nobre Rainha!  Mas não posso sair por razões tão injustas!
Dias depois, entretanto, foi divulgada a pintura em que Puppy posava desembarcando de uma caravela do sr.Arquibaldo.
- E agora, Excência? - indagaram os pregoeiros - como vos explicais, se ficou claro que vossa era a bela e respeitável imagem de homem que saía da nau? 
Puppy coçou a cabeça e em seguida respondeu:
- Acaso estaria eu, nobres senhores, a salvo de esquecimentos corriqueiros  da natureza deste que tive?  Nunca tivestes porventura um lapso de memória?  Atire a primeira pedra aquele que jamais o tenha tido!
No meio de todos esses bafafás, a rainha, por sua vez, sempre que entrevistada vinha com evasivas do tipo:
- Não há nenhum indício de que o meu ministro esteja envolvido em irregularidades, mas na hipótese remotíssima de isto estar acontecendo os fatos serão apurados e as medidas cabíveis, tomadas - mas num tom de quem dizia: - Vão catar coquinho e me deixem passar, cacete!
Sua Majestade, também esquecida, negava que prometera uma verdadeira faxina ética por ocasião da queda de Afrânio Balote.  Quando cobrada, dizia:
- Mas não há nenhuma necessidade de se proceder a qualquer faxina, se as coisas estão caminhando dentro da normalidade e da retidão - como se dissesse: - Não veem logo que eu tenho uma puta labirintite e que uma bosta de uma faxina ia me desestabilizar?!

2011

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

CLASSIFICADOS / VAGAS PARA MINISTROS

Precisa-se de ministros que não somente não tenham telhado de vidro, mas que também gozem de boa saúde e, sobretudo, não sofram do mal de Alzheimer.


2011

DR.LUPA E O ESQUECIMENTO

Primeiro:
- Eu nunca viajei numa aeronave desse desse senhor, eu nem sequer conheço esse senhor...? Como é mesmo o nome dele?
- Xxxxxxxxx.
- Humm?
- Xxxxxxxxx.
- Cuma?
- Xxxxxxxxx.
- Ah! Perivaldo!
Depois da divulgação das fotos em que posa na saída de um avião do citado senhor.
-Ah, sim! Eu viajei e conheço o moço, mas tinha-me esquecido.
Conclusão: o mal de Alzheimer é uma doença mais corriqueira do que se imagina.

2011

domingo, 13 de novembro de 2011

NOSSOS COMERCIAIS

Não compre gato por lebre. Ou melhor, não compre aguinha por aguão. Só a Casa Hidrossanta tem a legítima água Bacedão.  Água Bacedão! A verdadeira água do Rio Jordão.
A Hidrossanta tem também outros produtos de grande utilidade: larvas, ovos e criadouros de algumas das pragas do Egito para você castigar os hereges.  Vá hoje mesmo a uma casa Hidrossanta e compre os milagrosos produtos Bacedão, o poder divino ao alcance da mão.


Se você vê fantasmas, tem obsessão, encosto, visões, perturbações, ziqueziras, use Saravá(!), o único defumador e repelente de eguns em "spray".  Saravá não faz fumaça, não irrita  os olhos nem a garganta, não provoca tosse e é perfumado e suave, deixando o seu ambiente limpo e aromatizado.  Basta um jato do seu "spray" Saravá, e os fantasmas e encostos se mandam pra bem longe na mesma hora!  Não esqueça! Saravá! O único espanta-encosto bom de usar!

Se o seu marido é meio burrinho, só fala em esportes e gosta de acompanhar os "reality shows" e, mais do que isto, costuma acreditar em políticos e suas promessas, ele está precisando de Cerebrênio.  Cerebrênio é um tônico cerebral que inibe a idiotina, a enzima maléfica do cérebro que provoca entre outros males o interesse pelo "funk" ,  pagode e  telenovelas e que vai provocando pouco a pouco o achatamento encefálico, doença que acomete pelo menos cinquenta por cento dos eleitores.  Além de inibir a idiotina, Cerebrênio aumenta os seus níveis de inteligentol, e aí o seu marido irá querer discutir História, Física, Matemática, Filosofia, mudará da água pro vinho! Todo mundo irá querer conversar com  ele! Não se esqueça: Cerebrênio!  Só Cerebrênio faz do seu idiota um gênio.

Se o seu namorado beija mal, não se desespere: dê a ele Beijol!  Beijol é um estimulante do beijo que aumenta o volume da língua e gera impulsos elétricos que a fazem vibrante e quente, com movimentos rápidos que vão deixar você doidinha!  Beijol! Faz o beijo do seu namorado quente como o sol!


Vou nessa, 'té mais...


2011

sábado, 12 de novembro de 2011

ELIS REGINA, A DEUSA

Lamento muito quando algum jovem me diz que "não se liga" no trabalho da Elis Regina.  Lamento , francamente, não por ele - cada um opta pelo que quer ou acha melhor para si -, mas pelo fato de isto fazer parte do processo de empobrecimento cultural pelo qual o Brasil vem passando.  Embora não tenha a autoridade de um intelectual para falar no assunto,  venho desde os meados dos anos oitenta percebendo o declínio da cultura do país.
Fico com a impressão de que os militares, antes de saírem de cena, procuraram certificar-se de que a cultura nacional não produziria novos chicos buarques ou geraldos vandrés, de que o pensamento por aqui estava esmigalhado, aniquilado, incinerado e convertido em cinzas sopradas pelos chamados descartáveis da música surgidos na citada década.  Como se não bastasse o nada-dizer das letras daqueles artistas,  observei que as emissoras vinham tirando do ar os bons  programas jornalísticos, como o "Noventa Minutos", apresentando na Bandeirantes (hoje Band) por Paulo César Pereyo e Ana Maria Nascimento e Silva, e os programas de auditório totalmente desqualificados começaram a proliferar e a distribuir o sofrível e o ridículo para o consumo de um público que me pareceu acomodar-se e comprazer-se infinitamente com a nova situação.
Mas não vou ficar tratando do apequenamento da produção musical e da programação da mídia. Quero falar da Elis,   a miraculosa Elis, que cantava com o fundo da alma, trazia o fundo da alma à flor da pele, envolvia a gente, fazia-nos sentir as emoções colocadas nas letras das canções que cantava, porque Elis ardia em cantar, ora sofrendo, ora amando, ora transbordando alegria, mas ardendo, sempre ardendo em intensos sentimentos.  Era mesmo um fenômeno, porque, além de cantar com a alma, fazia-o também com uma voz de uma beleza rara, com uma técnica e um  poder de cantar tão singular, que mais parecia que alguma deusa cantava através daquela gauchinha  morta no ano em que  faria trinta e sete anos.   Que perda nós sofremos!
Elis era uma diva e gravou Ary Barroso, Mílton Nascimento, Chico Buarque, Gilberto Gil, João Bosco e Aldir Blanc e outros compositores de primeira grandeza da MPB, o que tornou ainda mais esplendoroso o seu trabalho.  Uma pena uma grande parcela das novas gerações "não se ligar" nela e no seu repertório, que foi o que houve de mais rico - como a sua voz - no Brasil.  Muito embora tenha gravado algumas poucas músicas e autores comerciais que reneguei - apesar da sua  magia vocal -, tenho a impressão de que aquela verdadeira fada tenha chegado às raias da perfeição.
Já disse eu certa vez em uma poesia que "Deus levou Elis para cantar para ele", mas com muito mais propriedade o mestre Luiz Fernando Veríssimo fez à cantora uma crônica intitulada "A Voz do Brasil".  Todavia, com todo o respeito e reverência que merece o brilhante Veríssimo, o talento de Elis sempre esteve acima de qualquer coisa que o mais luminoso observador possa dizer sobre ela. 

2011

VOCÊ SABERIA ME EXPLICAR?

Por  que um rapaz de dezesseis anos é um adulto para votar e, se eventualmente comete um homicídio, é uma criança para pagar por seu crime?  Afinal, os nossos dirigentes e legisladores são tolos ou brincalhões?
Os champinhas do Brasil têm muito a lhes agradecer.

2011