Barão da Mata - Verdades e Diversidades

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domingo, 28 de abril de 2013

O EMBUSTE DA DEMOCRACIA E O TOLHIMENTO DO JUDICIÁRIO

Sempre disse que não acredito nesse embuste que os políticos, por desonestidade e demagogia, chamam inadequadamente de democracia.  Não que não exista democracia: existe, sim, e é praticada (não inteiramente a contento) nos países avançados, cujos governos precisam prestar contas às sociedades  sob sua jurisdição. O Brasil, como todas as outras repúblicas latino-americanas, tem uma  tradição   autoritária de mais de quinhentos anos, e não foi nem será em vinte ou trinta anos que conseguirá romper com um vício tão  profundamente enraizado - como um câncer - nas entranhas.  Já dizia o meu bisavô que o hábito do cachimbo faz a boca torta, e os países aqui do hemisfério têm as bocas com grave curvatura há séculos. 
Corrobora o que digo a Argentina, cuja presidente, Cristina Kirchner, engessou o Judiciário e agora pode governar da maneria como acha justo governar, sem interferências de justiças, que a seu ver tolhem as ações de qualquer governo bem-intencionado e sábio o bastante - como o dela - para exercer também o outro poder ou simplesmente não se incomodar com ele.  Como é sabido, as coisas aqui vêm tomando o mesmo rumo: com o pretexto da bancada evangélica de impedir "desmandos" do STF em relação às células-tronco e ao aborto, e agora o do PT de retaliar acerca da condenação de petistas no processo do mensalão, o Legislativo agora resolve dar seguimento à matéria que a CCJ da Câmara aprovara por unanimidade no ano passado, que lacra a boca e amarra as mãos do Judiciário ante o Congresso, que agora quer ser a última instância de Justiça, uma espécie de poder moderador e reformador das sentenças da ainda suprema corte.  Se for bem-sucedido em sua empreitada, o corpo  de parlamentares agora exercerá também os dois poderes, já que assim dará a palavra final em matérias pertinentes à instituições jurídicas.
Será jocoso além de trágico ver homens que são parte reclamada em processos sobre corrupção mudarem sentenças proferidas pelo poder que os condena. Pressuponho que o presidente do Senado, Renan Calheiros, vá se tornar a autoridade máxima   em termos de Justiça por aqui e virá a poder  modificar tudo o que seja votado no plenário do hoje acuado STF.  É também possível que as determinações do Judiciário sejam analisadas nas duas casas, Câmara e Senado, mas de qualquer forma se irá consumar o que tanto se pretende, quer na esfera do Executivo como do Legislativo: o esvaziamento e a humilhação da corte mais alta, a sua transformação num tipo de bobo-da-corte e a maior liberdade dos políticos afeitos à corrupção para se movimentarem livremente, sem o risco de sofrerem execração pública e condenação, pois todo ato ilegítimo será doravante contornado e contemporizado domesticamente, dentro do âmbito do próprio Congresso.  Irá capitalizar benefícios da situação também o Executivo, que saberá como sabe há mais de quinze anos manter para os congressistas as benesses que os fazem absolutamente dóceis e tornam a Câmara e o Senado  entidades com o papel único de homologar os atos da Presidência da República.
Este cenário endossa a minha tese de que não há democracia aqui nesta parte da África, onde as regras do jogo são sempre modificadas em pleno transcurso para atender aos interesses do dono da bola. 
A coisa fica ainda mais estapafúrdia quando se fala em negociar os termos da liminar deferida pelo ministro Gilmar Mendes aos pequenos partidos para que os parlamentares não degustem a Justiça, porque, ao menos a meu ver, é melhor render-se ao inimigo do que negociar o inegociável, do que conceder o inconcessível, já que é um verdadeiro achincalhe querer transformar um despacho ou sentença de um membro de entidade jurídica  em objeto de barganha.
Uma sociedade mais esclarecida já se teria pronunciado e no nosso caso, entretanto, não se pode esperar muito de quem viu o patrimônio público ser torrado em liquidações mirabolantes sem se manifestar. Não vislumbro os nobres concidadãos entendendo que, se em poucos ou muitos momentos a Justiça não lhes parece confiável, não tê-la numa situação de autonomia é muito  pior.  Tenho a esperança de que os magistrados se mobilizem e a famigerada articulação seja divulgada numa repercussão tão grande, que desencoraje qualquer político de apoiar o projeto.
Enquanto a coisa fervilha, o governo finge omissão quando é na verdade o grande beneficiário  dos ímpetos do Parlamento, seja por retaliação pelos  correligionários afetados pelo julgamento do processo 470 ou por conseguir, caso seja aprovada a mordaça da Justiça, também no futuro mover-se e praticar mandos e desmandos com uma liberdade invejável.  O que se poderia esperar de um PT tão afeitos a mordaças, que já pensara em calar a imprensa e hoje se vê na iminência de se deleitar em exercer um governo totalitário, trazendo a reboque um congresso feliz em exercer uma função meramente homologatória no cenário nacional?  Esse mesmo PT, o monstro que  não criei mas, como tantos outros, ajudei a alimentar durante mais de dez anos, sem saber que a legenda combatera durante tanto tempo a ditadura militar porque não queria senão implantar uma ditadura própria no lugar daquela. 


2013

sexta-feira, 19 de abril de 2013

TROCA DE BILHETES ENTRE GERENTE E CHEFE DE COZINHA SOBRE COMO SERVIR LULA


Gerente para chefe de cozinha:
"Prepare lula para longa degustação de muitas pessoas."
Chefe para gerente:
"Tenho dúvida. Lula é para o evento de agora ou para daqui a dois eventos?"
Gerente para chefe:
"Independentemente de evento ou não-evento,  não vê que, desde 2003, ou lula vem por cima ou sempre tem uma pitada de lula em tudo?"
Chefe para gerente:
"Como devo servir lula? À dorê?  Com brócolis? Devo fritar?"
Gerente para chefe:
"Impossível fritar lula.  Isto só aconteceu uma vez, em 1989, quando se fritou lula ao molho cordeiro, um molho colorido que era muito ruim, que não foi tolerado e acabou numa frigideira bem antes do tempo previsto.  Mas a questão é que não há mesmo como fritar lula.  Por volta de 2004/2005, serviu-se lula enrolada, escondidinho de lula, lula com cobertura, mas frita, nunca mais!  Esqueça esse negócio de fritar lula; não dá mesmo!  E tem mais. Daqui a no máximo dois eventos vamos servir lula novamente, e, se o pessoal já gosta tanto que se lambuza de pitadas de lula em tudo, imagine quando for o prato principal.   Se for inteligente, não tente fritar. O prato é indigesto, mas é moda desde 2002, meu filho: agora não sai nunca mais." 

Barão da Mata 

sexta-feira, 15 de março de 2013

CAIFÁS FOI O MAIOR FOFOQUEIRO DA HISTÓRIA


Entre os maiores criadores de intrigas da História, sem dúvida quem ganha de longe o "Troféu Futrica" é o Caifás.  Sentindo que as pregações de Jesus  estavam tornando o rabino popular, temeroso de que o que   o homem apregoava pela Galileia acabasse por colocar em xeque a credibilidade, o prestígio e o poder dos fariseus, seita da qual era, ele, Caifás, sumo sacerdote e por extensão presidente do Sinédrio...  Por isso  o líder religioso apressou-se em procurar Pôncio Pilatos, governador da Judeia ocupada por Roma.
Pilatos estava num momento de intimidade:praticava uma orgia em pleno salão de seu palácio, e tomou um susto quando o sacerdote surgiu de repente, sem se fazer anunciar.
--  Qual é, Caifás?! Como é que você entra assim de repente, sem tossir, sem pigarrear nem nada?! Quer participar , comunica antes...!
-- Não é nada disso - retrucou Caifás - Tenho um assunto muito sério pra tratar com você...
-- E interrompe minha orgia!?  Só pra isso? Tu é muito cara-de-pau...!
-- Vai-se vestindo e dispensando a galera - o juiz era arrogante e autoritário - que o negócio é sério mesmo.
O governador não se conformava, voltava-se para as outras pessoas:
--  Vê se pode! Não é um abuso?! - e agora vira-se para Caifás: - Acontece que o governador aqui sou eu!
-- Que mané governador! - insistiu o religioso - Mando contar pro Gugu que você não quer saber dos problemas do território ocupado, e ele manda te cortar a cabeça.
-- Gugu?
-- É Pilatos! O Augusto, Caio Júlio César Otaviano Augusto,  tá bom assim?!
-- Mas que intimidade com o imperador...!?
--Ah, Pilatos! Deixa de "show"!  Sabe que eu e o homem somos carne-e-unha.  Agora manda esse pessoal todo embora..  Vai lá, vai,manda!
O governador sacudiu a cabeça com indignação, mas obedeceu, voltando-se para os outros:
-- Vão lá, vão, meninas e rapazes!  Amanhã a gente continua.  Não deixem de voltar, gosto muito de transar com vocês todos.  Agora vão depressa, tá?
Quando o salão se evacuou,  Pilatos dirigiu-se ao sacerdote:
-- Pronto, Caifás, desembucha logo!
O outro respondeu de pronto:
-- É esse tal de Jesus de Nazaré...
-- Ih, Caifás! Lá vem você com essa história de novo!  Isso já é ideia fixa.  Tem uns remédios que são bons pra isso, uns antidepressivos... ou então procura fazer terapia...
-- Terapia o quê, Pilatos!  O cara vive dizendo que é rei de não sei qual reino, e as pregações dele podem ameaçar a credibilidade, o poder e o prestígio da gente...  e até mesmo a nossa integridade física!
-- Viu como tu tá maluco!? -- discordava o governador -- Se é quem eu tô pensando, é um cara até muito do pacífico, dizem até que falou pra dar a César o que é de César... Não tá a fim de brigar com Roma...
--  Não importa, Pilatos, o que você pense! -- agastou-se Caifás -- O homem é um perigo, e o lugar dele é a cruz e ponto final!
-- Peraí, Caifás, o governador aqui sou eu...
-- Para com essa conversa fiada!  Você é governador só até eu falar com o Gugu... Vou te "detonar" pra ele,  tu vai ser levado pra Roma de coleira no pescoço e corrente, vai ver só... Vai virar comida de leão!  Comida de leão!
Foi por isso que Pilatos permitiu que o Sinédrio condenasse Jesus à morte.
Quando soube que o corpo havia sumido, o sumo sacerdote voltou ao palácio e deu um puta esporro em Pôncio:
-- Eu não te falei, porra(!), que tinha que mandar vigiar o corpo, pra evitar que sumissem com ele e dissessem que o homem ressuscitou!?
--  Mas eu mandei vigiar -- Pilatos respondeu meio cínico e desinteressado, sentindo-se vingado.
Caifás deixou o palácio batendo os pés com força no chão, enfurecido.
Ao vê-lo sair, Pilatos sorriu, chamou um soldado, perguntou-lhe:
-- Como é que foi mesmo esse negócio do sumiço do corpo?
O soldado baixou a cabeça, os gestos agitados, e explicou:
-- Aí, Excelência, o negócio é o seguinte: eu não gosto de mentira, não.  A verdade é que a gente bebeu quando tava levando o corpo.  A gente ia bebendo, e os seguidores dele, acompanhando a gente de longe, a gente bebendo e eles acompanhando..  Sacumé, né, meu governador!?   A caminhada foi longa e teve uma hora que a gente emborcou, dormiu mesmo.  Quando acordou, foi aquele desespero: um perguntando pro outro: "Cadê o corpo, malandro?!  Cadê o corpo, malandro?!  E agora, meus deuses?! Como é que vai ser?!"
-- Mas quem levou a bebida pra vocês? - tornou Pilatos.
-- Não sei, Excelência!  Antes de a gente sair, tinha um monte de garrafas de vinho bem no meio do caminho. Alguém que não sei botou lá.
-- Está dispensado. Pode ir. - o governador despachou o homem.
Quando o soldado saiu, Pilatos manteve no rosto um sorriso malicioso e cínico.

sábado, 9 de março de 2013

CUIDADO COM A PESQUISA NA INTERNET!

Escrevendo sobre socialismo e capitalismo, mencionei Thomas More e, já que escrevi longe dos meus livros e fora de minha casa,  busquei informações sobre o personagem da história aqui na internet: caí numa página onde informam que este foi decapitado por ordem do rei inglês Henrique VII.  Você leu bem? Eu escrevi VII !  Porque foi exatamente o que eu li.  Se eu não soubesse que o rei era o Henrique VIII, ia repassar a asneira e achar estar prestando uma grande informação.  Agora, quando estiver em casa, vou ter de pesquisar sobre o Henrique VII e, antes de saber qualquer coisa, quero declarar que já morro de pena dele por lhe imputarem um crime do qual  é  absolutamente inocente.

2013

OS PSEUDOSSOCIALISTAS SÃO EMBUSTEIROS, MAS É PRECISO FREAR O CAPITALISMO


O socialismo acabou sendo o maior embuste surgido na história da humanidade.
José  Jobson de A.Arruda, historiador brasileiro,  conta que em " A República", Platão já falava numa sociedade igualitária. A segunda experiência teórica que eu, leigo, conheço é de Thomas More, em "Utopia", que imaginava  uma ilha  onde havia equidade na distribuição de recursos e uma verdadeira sociedade anárquica.  Karl Marx e Friedrich Engels fizeram apologia do sistema em vários dos seus escritos, sendo dentre estes "O Capital" o  mais conhecido.  Segundo Marx, o socialismo é apenas uma transição para o comunismo, onde o Estado deixaria de existir e prevaleceria a ditadura do proletariado.
Muito provavelmente Thomas More, morto decapitado por ordem de  Henrique VIII, acreditava nas ideias que defendia, assim como Marx, Engels, Platão, Che Guevara.  Sobre este último, inclusive, não posso deixar de abrir um pequeno parêntesis  e lembrar que preferiu abandonar em Cuba as mordomias de ser biministro (das pastas da saúde e da indústria e comércio) para tentar disseminar a revolução socialista por toda a América Latina, empresa que lhe custou a vida e a humilhação de ter as mãos amputadas para exibição pública,  por desígnio do general boliviano que o aprisionou e matou.  Há uma versão de que o militar, lacaio do mercenário americano que liderou a captura do argentino (Che), fez o que fez à revelia do ianque, que  queria exibir  vivo o guerrilheiro.  Neste episódio, então, mostrou-se mais uma vez que, se o coronel é ruim, muito pior é o capataz, se os senhores de escravos eram o cúmulo da maldade, eram seminaristas  perto dos capitães-do-mato ( assim como hoje os chefinhos em relação aos donos das empresas ou autoridades) .   Outros socialistas que entendo como verdadeiros também perderam a vida pela causa, como Salvador Allende, no Chile, e aqui no Brasil aqueles que enfrentaram os militares, como Carlos Lamarca, Carlos Marighela, que também foram covardemente executados, igualmente aos inúmeros guerrilheiros e ideólogos brasileiros, uruguaios, argentinos, etc... que morreram sob as  torturas dos regimes arbitrários patrocinados pelos norteamericanos.
Todo o problema, todavia, é que nos países onde foi vitoriosa a revolução das esquerdas, como Cuba, China,  Coréia do Norte e Rússia, houve primordialmente a preocupação em preservar os privilégios do poder e dos grupos a ele ligados e, apesar da estatização dos meios de produção, como indústria, agricultura, nunca promoveram tais países uma distribuição de renda que  se pudesse chamar equitativa.  A Rússia, ampliada e convertida a topo da União das Repúblicas Socialistas Soviética durante mais de setenta anos, não fez senão preservar a imagem e o mandato dos seus líderes máximos e tentar transformá-los em deuses, como ainda ocorre na Coréia comunista e China nos dias de hoje.  São regimes tão duros, que no país de Mao Tsé-Tung as autoridades promoveram um  verdadeiro massacre de rebeldes na Praça da Paz Celestial, em 1988, que estarreceu o mundo inteiro.  Serviu de exemplo para que ninguém mais em nações de governo  ultra-autoritário ousasse colocar-se contra o sistema.
Os mandatários dos  países-satélite da Rússia também empreenderam a mesma conduta autoritária, porque as respectivas sociedades foram arrebanhadas pelo comunismo à força, por meio de invasões dos russos,  e as chefias  políticas, dotadas de altíssimo instinto de autopreservação,  faziam tudo o que o mestre mandava e só tinham a ganhar com aquilo.  A Polônia é um exemplo disto, quando fecha o Solidariedade e implanta a Lei Marcial, em 13 de dezembro de 1981.  
Na França, também nos anos 1980, houve a eleição de François Miterrand,  mas do governo deste não houve nada que o caracterizasse como socialista. O primeiro-ministro da Espanha, Felipe González, incidiu na mesmíssima postura do francês.  Da mesma forma como (solte muitas gargalhadas!) Fernando Henrique arrotou na mídia que havia lido "O Capital" em duas línguas estrangeiras e exerceu dois mandatos dentro de um perfil neoliberal cruel a ponto de assustar o mais reacionário capitalista americano.  
No início dos anos 2.000, surgem na América Latina  os presidentes populistas com roupagem de socialista mas desprovidos de ideologia  e que não têm  outro projeto que não seja  a permanência no poder,  como Evo Morález, Hugo Chávez (morto há poucos dias) e Lula e Dilma. Disfarçam-se de democratas mas são  arbitrários, espécies de reedição daqueles governos caudilhescos que nortearam os países centro e sul-americanos nos anos 1930 e 1940, mostrando entretanto uma preocupação com a questão social menor do que a do antigos.  São mandatários que mantêm zelozamente  os privilégios das camadas privilegiadas e dos bancos estrangeiros (quase todos no Brasil, à exceção  dos públicos: Brasil e Caixa), distribuem esmolas, como o bolsa-família (da mesma maneira como Roma distribuía pão aos pobres para não deixar abalar as estruturas do poder), o que gera um gasto governamental fartamente baixo em comparação ao que gastaria cumprindo suas obrigações constitucionais, como dar a todos os cidadãos acesso à saúde, à educação, à habitação,  à segurança, à  alimentação condigna e ao emprego.  Não são preocupados com as necessidades da sociedade, ao contrário de caudilhos como Getúlio Vargas, que,  apesar de  mostrar-se confessadamente antissocialista, arrimando-se nas classes trabalhadoras, cuidava sempre de manter os salários com poder de compra.  Está vendo aí um direitista? Getúlio aí fazia-se um direitista progressista, enquanto o PT é a "esquerda" conservadora.
Para ilustrar, vou contar um pouco do passado do Lula:  entre 1981 e 1982, num programa jornalístico da Band (Bandeirantes na época) chamado "Noventa Minutos", Leonel Brizola e ele  eram entrevistados por Ana Maria Nascimento e Silva e Paulo César Peréio, e o gaúcho disse que Lula estava à sua esquerda, ao que o outro respondeu:
- Eu quero diver ao governador Leonel Brivola (que ali ainda era ex-governador do Rio Grande do Sul e voltara do exílio há pouco tempo) que eu não tenho compromifo com efquerda ninhuma.
Ao que o falecido político replicou com ironia e um sorriso:
- Eu tô falando coração!
Quando o nosso "injustiçado" e perseguido  ex e futuro  presidente (porque estou certo de que o projeto do PT hoje é mais ambicioso do que permanecer vinte anos no poder: é perpetuar-se nele) se elegeu, em 2002,  a atriz Lélia Abramo disse numa entrevista que, por ocasião da atuação do  nosso "herói" no ABC Paulista, este disse estar pensando em fundar um partido de trabalhadores, o que levou a hoje morta atriz a perguntar:
- Você fala num partido comunista ou socialista?
- Não quero faber de nada difo! - ele teria respondido.
Ao que ela replicara:
- Você não pode fundar um partido de trabalhadores sem ser comunista ou socialista.
O fenômeno PT não ocorre somente no Brasil.  é um processo que, como já disse,  ganha corpo na América Latina, e eu, esquerdista arrependido, pergunto: que socialismo é esse? Hoje sou cônscio de que é possível a prática do capitalismo se houver real assistência social do governo ao povo, como proteção ao emprego e ao salário, se houver investimentos  em infraestrutura, como saúde,  educação, habitação, dando às crianças e adultos acesso às escolas, colégios, faculdades, aos consultórios médicos e dentários, clínicas, ambulatórios, hospitais.  É preciso transferir a desoneração da produção do discurso para a prática, mas com o intuito de gerar empregos com salários que assim possam realmente ser chamados.   
Não sou defensor do capitalismo, não, mas, se não há socialismo, para onde vou?  Então, tenho de engolir o capitalismo, mas esse verdeiro monstro precisa ser freado, tolhido, limitado, é preciso pôr-lhe rédeas.  Quando eclodiu a a crise econômica de 1929, o presidente americano Franklin Roosevelt interveio na economia, controlando até a produção, porque após o quebradeira geral entendeu que não é possível deixar tudo nas mãos das leis do mercado, que só fazem os privilegiados a cada dia mais ricos, jogando os menos favorecidos e desfavorecidos na direção contrária.  Se essa putada de economistas, todos seguidores de uma cartilha  única, acha que o liberalismo econômico é o remédio para tudo, precisa entender que um remédio em overdose se torna veneno, e foi justamente esta overdose que arrebentou a economia  mundial em 1929 e leva hoje as potências européias e os países menos sólidos do continente  europeu a essa crise infernal que estão vivendo.  É o mesmíssimo liberalismo econômico que mandou todo mundo à bancarrota no passado.  Deram-lhe o prefixo "neo" para que parecesse mais palatável às goelas contemporâneas, mas é a mesmíssima merda daquele tempo.  Não entendo de  economia, mas o que digo é básico e conhecido por qualquer outro leigo.  E juro que vi, juro que vi mesmo(!), ainda nos anos 1990, um  analista político profetizar numa  entrevista de tevê que o mesmo capitalismo desenfreado que levou o mundo ao buraco na época da grande depressão faria o mesmo em nossa era.
Como você vê, tenho motivos de sobra para odiar o capitalismo, da mesma forma como os tenho para não crer definitivamente na prática do socialismo.  O socialismo teria até condições de não ser uma utopia, se o mundo (e principalmente o Brasil)  tivesse políticos sérios e coerentes e que se despojassem de sua ganância e sede de poder pelo bem comum: aí é exatamente onde a esquerda vira utopia.  Não há solução senão as sociedades lutarem para mitigar o capitalismo, que é o instrumento de fazer do mundo uma engrenagem a girar em torno e em prol de apenas uma  meia dúzia de famílias, que são as reais donas de tudo e das quais todos os demais  seres são  utilitários.

2013

domingo, 3 de março de 2013

O BAR DOS CAVALHEIROS


Duque de Caixas, município daqui do Estado do Rio de Janeiro, tem um bairro ( ou sub-bairro, logradouro, sei lá ) chamado Bar dos CAVALEIROS.  Acontece, no entanto, que algumas pessoas, lendo mal ou não lendo corretamente, ou ainda simplesmente não se dando a ler o letreiro dos ônibus que levam à localidade, acabam por chamá-la Bar dos CA-VA-LHEI-ROS.  Eu e um colega de trabalho soltamos uma vez a imaginação e ficamos a brincar com o equívoco.
Se a cidade do Rio é violenta,  Caxias também está longe de ser um poço de virtudes.  e, embora não conheçamos o tal lugar, sabemos que fica na periferia da cidade, longe do centro, uma região com alguns requisitos típicos do chamado oeste bravio dos filmes americanos.  
Bem, em nossas divagações, o  local se transforma num bar frequentado por homens extremamente violentos, mas de exemplar e espantosa educação, ou então não seriam CAVALHEIROS.  Imagine: um sujeito, encarregado de matar o outro, entra no recinto, dá boa-noite a todos e olha firme pra um desconhecido: 
- Sr. Orlando Maldade?
O homem se levanta:
- Boa noite, cavalheiro! Sou eu mesmo, sim, senhor! Boa noite!
- Boa noite, meu amigo. - responde o outro -Muito prazer, meu senhor.  Eu sou Antônio Terrível, seu escravo. Como vai? Tudo bem?
- O prazer é todo meu. Tudo bem, amigo.   E o senhor? Como vai?  
- Também vou bem, obrigado. - faz uma breve pausa, volta: - Com sua licença, deixe-me ir direto ao assunto, já que meu tempo é pouco.  A questão é que recebi uma importância relevante para matá-lo e  estou aqui em cumprimento do meu ofício.
- O outro, amedrontado, mas compreensivo e sem perder a linha:
- Ah, sim! Entendo perfeitamente.  Se é assim que há de ser, que nos ocupemos logo do que é mais importante.
O matador aponta a arma:
- Com licença, cavalheiros, e com o seu perdão, sr. Orlando!
- Pois não, não há do quê.
E consuma-se a execução.
Logo depois o malfeitor sai cumprimentando os presentes e se desculpando pelo incidente.
Noutra ocasião, entre músicas e casais dançando, um belisca as nádegas da mulher do outro.
- Uiiii, cavalheiro! Boa noite, mas uuiiii! - a moça reclama.
O marido se coloca entre aquela e  o engraçadinho:
- Nobre rapaz, boa noite, mas  o que é isto??
- Ah(!), prezado amigo, boa noite, me perdoe, mas a sua mulher é realmente muito sensual e não pude resistir.
- O senhor entende, então, que é uma questão de honra, e eu não posso deixar de tomar uma atitude drástica. 
- Claro, gentil senhor: reagirei à altura, mas pode proceder por favor da maneira como melhor lhe aprouver. 
- Então, com sua licença,  se me permite! - e os dois sacam sus armas, e o o menos ligeiro tomba sem vida.
Dizem que uma vez o bar ficou aberto direto durante quarenta e oito horas, e os contendores acabaram caindo de cansaço, sem que ninguém matasse ninguém. Eram dois inimigos viscerais portugueses, ali duelando por conta de um ter eliminado o filho do outro.
- Sr. Manuel, bamos resolvere  d'uma vez p'r todas esta desabença. P'r favore, bamos lá: o senhore quere sacare pr'meiro?
- Não! De jaito nenhum! O senhor pr'meiro!
- Não , me r'cuso: o senhor pr'meiro...
- Não, o senhor...
- O senhor...

Barão da Mata

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Calores de quarenta e cinco graus e sensação térmica de cinquenta, tempestades, raios, inundações, estupro à natureza e contrabando de madeira e animais silvestres, roubalheira de dinheiro público, impunidade, políticos crapulosos, carência de saúde, de educação, de segurança, de habitação, cracolândias por toda parte, violenta falta de educação no trânsito, desemprego, baixos salários... Ainda bem que o Brasil é um país abençoado por Deus.Não quero imaginar como seria se não fosse.

2013