Barão da Mata - Verdades e Diversidades

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sábado, 13 de outubro de 2012

DO VALOR DO QUE SE PERDE

Costumam dizer que só damos valor às coisas e pessoas quando as perdemos, mas em alguns casos o sentimento de perda é que nos embota os olhos, e descobrimos mais tarde que elas não tinham mesmo valor nenhum.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

POR QUE O BRASIL CHORA KENNEDY?


É difícil entender como   John Kennedy, apesar de americano, transformou-se aqui no Brasil numa espécie de mártir brasileiro e herói nacional.  Não sei como tantos e tantos brasileiros choram e lamentam a morte do presidente americano, num sentimento parecido com o de criança que de repente se vê órfã de pai. Isto só pode ser atribuído à ignorância, total desconhecimento do que  representou o mandatário americano para o nosso país.
O extinto “Jornal do Brasil”, nos anos oitenta, publicou uma matéria intitulada “A herança de Kennedy para o Brasil”, em que fala da troca de memorandos entre este e a Cia., envolvendo levantamento de dados sobre João Goulart, presidente do Brasil entre 1962 e 1964, e suas inclinações ideológicas, com vistas a alijá-lo do poder.  Tal conspiração contava com a participação fundamental de Lincoln Gordon, embaixador dos Estados Unidos no Brasil à época.
O golpe que arrebatou Jango do poder se consumou em 1º de abril ( o dia da mentira mesmo!), não em 31 de março de 1964, como querem os militares. 
Kennedy foi assassinado antes disto, em 1963, em Dallas, no estado do Texas, não viveu para assistir à consumação dos seus planos, mas já deixara traçado o nosso destino, como quem faz legado de uma herança maldita.  A sua obstinação em derrubar Jango foi tão grande, que, segundo as palavras do almirante Paulo Mário, ministro da marinha do presidente gaúcho nos últimos dias que antecederam o golpe, as forças leais ao mandatário brasileiro tinham plenas condições de vencer um possível embate, o próprio ministro já se preparara para reagir, tendo sindo impedido por Assis Brasil, que lhe trouxe ordens  expressas do então chefe do governo do Brasil para que não reagisse em nenhuma hipótese.  Nada restou então ao almirante senão capitular. Tempos depois, conforme relatou , soube que já  havia submarinos americanos na região costeira do Brasil, prontos a atacar em caso de haver reação.  Ou seja, Jango cedeu para que o Brasil não fosse transformado num outro Vietnã.
Analisando os fatos, se o Brasil chora a morte de Kennedy, faz isto esquecido de chorar Wladmir Herzog, Rubem Paiva e tantos outros que foram cruelmente assassinados em decorrência das articulações do defunto que insiste em carpir.  Se  formos ter os guerrilheiros (os que se armaram contra o regime militar) na conta de também seres humanos (como eles merecem), não podemos esquecer que Carlos Lamarca foi executado a sangue frio, quando já morria de fome e sede no sertão da Bahia, que Carlos Marighela teve a vida ceifada numa arapuca armada pelo sanguinário e psicopático Fleury; que Stuart Angel Jones também foi cruel e covardemente morto, assim como Zuzu Angel, mãe da vítima, por querer apurar as circunstâncias da morte do filho.  Ou seja, como é possível chorar um defunto que marcou por sua atuação póstuma de produzir uma série de mortes?
É claro que Kennedy não deve ter sozinho tomado a decisão de transformar as coisas aqui num inferno, pois era apenas parte de um sistema que se urinava de medo de a revolução cubana se expandir por toda a América Latina, mas ainda assim não pode ser poupado do severo julgamento da posteridade, sobretudo por ter sido peça de suma importância e grande poder de fogo naquele processo.

2012

sábado, 22 de setembro de 2012

VOTO E "MUDANÇAS"

Para aqueles que acreditam que a gente possa mudar alguma coisa através do voto, aqui vai minha observação: só se o voto for de castidade.

2012

domingo, 16 de setembro de 2012

O PIOR OFTALMOLOGISTA DO MUNDO


O pior oftalmologista do mundo é o do Lula (por favor, procurem saber o nome e não se consultem com ele), porque o mensalão aconteceu diante das barbas e dos olhos do ex-presidente sem que este visse ou soubesse absoutamente de nada.

2012

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

MEU PERFIL

Sou  Demóstenes, nascido no Rio de Janeiro, em 1958.  Penso como um anarquista, mas infelizmente reconheço que o anarquismo é uma utopia e consequentemente impraticável - e nem poderia tentar colocar em prática a minha ideologia anárquica, porque preciso do meu emprego e principalmente de comer. Fui também de esquerda, mas hoje não sou mais nada, porque os políticos brasileiros (e também os estrangeiros) bem mostraram, ao longo da história, que o socialismo, embora praticável, não é e nem poderá ser colocado em andamento por conta da ganância desmedida dos poderosos e da torpeza dos políticos, que no máximo vendem uma imagem de esquerdistas, mas, quando se veem investidos de autoridade e elementos para lutar pela implantação de um sistema socialista, preferem seguir a velha cartilha do poder econômico, que é aquele feijãozinho com arroz que garante aquele salariozinho farto e aquele vidão danado de bom, não é? Tolo é quem neles acredita - como eu já fui tolo de accreditar.
Sou um incrédulo inato, até porque é impossível (ou ao menos creio ser impossível) ter a idade que tenho e viver tantas experiências sem perder a credulidade em relação a muitas coisas. Dizem que sou irreverente e admito que sou. Tenho também um senso crítico que chega a ser cruel, mas isto se dá por convivência, já a partir da adolescência, com companhias que também tinham um senso crítico exacerbado, perto das quais sempre me considerei um parvo aceitador de tudo sem questionamento. Ou seja, em outras palavras, sou fichinha perto deles. Se você os conhecesse, ficaria estupefato.
Amo os animais quase como se fossem todos meus filhos, mas isto eu posso dizer que veio com o meu nascimento. Não me lembro de ter tido influência de ninguém neste sentido. E o nome BARÃO de Barão da Mata é uma irreverente homenagem a um cachorro que a minha falecida mãe teve. O DA MATA, por sua vez, é uma manifestação de minha afeição pela natureza.
Não gosto do poder e dos políticos, mas não sou maluco de sair por aí lutando contra eles, porque estamos sob o jugo dos mesmos e é só pensar um pouquinho para perceber que esses caras podem nos esmagar com uma pontinha de dedo. Se você duvida, pesquise sobre o período do regime militar e entenda que, civil ou militar, o poder é algo de altíssima periculosidade. Não creio nessa história de democracia. Imagine se no meio da sociedade houvesse um número de contrários ao sistema considerável a ponto de ameaçá-lo. Aí você veria muita coisa esquisita. Só me politizei ao finalzinho do regime dos generais, mas confesso que não teria coragem de afrontá-lo, porque sempre entendi a importância da minha integridade física e de poder trabalhar e ganhar o meu pão.
Tornei-me (ou sempre fui) avesso a doutrinas porque elas tolhem e demarcam o pensamento. Não creio no ser humano por achar que o conheço o bastante para tanto.
Não há mais muito que ache interessante falar sobre mim. A não ser que escrevo também em dois blogs ( baraodamata.blogspot.com e baraodamataprosa.blogspot.com ), os quais eu gostaria de que você visitasse, sem lhe pedir que faça qualquer comentário - apenas me obsequie indicando-os, como este site, aos seus amigos no caso de achar os meus textos merecedores.
Um abraço com desejos de muitas felicidades a todos vocês.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O MAU HUMOR DOS DIAS ATUAIS - OU O MAU-HUMOR DA COMÉDIA DE HOJE


Ainda me lembro da cena hilária de “Um Assaltante Bem Trapalhão”, de Woody Allen, em que o menino que interpretava o personagem principal ainda na infância entrava numa loja de animais para roubar e saía do estabelecimento perseguido por um enorme gorila.  Outras cenas extemamente engraçadas vi em filmes e programas humorísticos de tevê, como “Satiricom”, que reunia Jô Soares, Renato Corte Real, Agildo Ribeiro, José Vasconcellos, Paulo Silvino e outros  talentos da comédia nacional.  O cinema americano transmitiu outros filmes cômicos de alta qualidade, como “Top Secret”, “Amor à Primeira Mordida”, “Cactus Jack, o Vilão”, com Kirk Douglas e Arnold  Schwarznegger, “Bananas” e “O Dorminhoco”, ambos do já citado Woody Allen, “Muito Além do Jardim” e “Um Convidado Bem Trapalhão”, os dois com Petter Sellers, mais um gênio do humor.
Aqui no Brasil, “Satiricom” foi o humorístico de mais alto nível que já assisti.  Mas não fica nada  longe “Tevê Pirata”, com textos de, entre outros, Luiz Fernando Veríssimo, que ia (o programa) com muita propriedade e muita competência do pastelão à sátira, numa forma primorosa de fazer humor.   Chico Anysio com seus programas também não pode ser esquecido.  O cearense era, além de pintor, um humorista brilhante, de uma criatividade e diversidade de tipos e características (como vozes e gestos, jeito de falar)que nenhum humorista no mundo irá alcançar.  Era talento a transbordar pra todos os lados.
Tudo isto entretanto é coisa de saudosista: os programas e filmes de humor de hoje são simplesmente sofríveis, apelativos, sem graça, entediantes, monótonos, medíocres e chinfrins. Já em 1976 ou 77, entrevistado por J. Silvestre, Silvino Neto professou que o caminho do humor seria a sátira, pois, do contrário, não se faria graça pra ninguém.  Ao que parece, porém, os autores, atores e diretores de comédias mais que abandonaram: desprezaram esta linha, e mesmo quando tentam adotá-la são profundamente infelizes.
Entrei no cinema para acompanhar a namorada e sofri o lancinante martírio de ver “Um Divã para Dois”, com os grandes e consagrados Tommy Lee Jones e Meryl Streep, cujos talentos, mesmo somados, nada puderam fazer num roteiro paupérrimo de uma comédia de situações extremamente morna, chata, sonífera.
O que foi feito dos grandes roteiristas e atores de humor? Aqui no Brasil, me parece que,com a morte de Haroldo Barbosa e Chico Anysio, e a saída de Jô Soares para as entrevistas, a espécie ficou extinta. E assim, quem tiver a pretensão de querer ver comédia, terá de digerir “Zorra Total”,“A Praça é Nossa”, “A Turma do Didi (Nossa Senhora!)” e outras porcarias de baixíssima qualidade.  Ou então assistir aos humores americanos de não maior quilate que as tevês por assinatura  veiculam.
O pessoal do "Casseta e Planeta" pareceu tentar trazer algo novo, mas, para entender o programa, você tinha de ver a novela das oito, porque os caras limitavam-se a fazer paródia do folhetim transmitido anteriormente.  Como a maior parte das novelas são enredos ruins, eu preferia optar por não ver a novela nem a sátira, já que o "Casseta" era não mais que propaganda do mela-cueca que o antecedia.  Incrível que tenham participado das criações de "TV Pirata".
Em suma, o grande problema do humor atual é que de humor ele não tem mais nada, anda num mau-humor dos diabos!

2012
Barão da Mata

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

DERAM O LIVRO ERRADO PRO WALCY CARRASCO LER

Tive o grande prazer de assistir, em 1975 (aos 17 anos), pela Globo à novela "Gabriela", estrelada por Sônia Braga, Armando Bógus e José Wilker, adaptada da obra de Jorge Amado para a tevê por Walter George  Durst.  Já lera naquela época "Terras do Sem Fim" e "Os Pastores da Noite", do mesmo romancista, e ver a novela me fez ainda mais admirador do autor baiano - que mais tarde vi (e ainda vejo) como uma espécie de vítima, em vida, de um certo preconceito e elitismo intelectual, porque grande parte de seus romances ocorre em ambientes de grande concentração de pobreza, com a presença de inúmeros personagens inseridos nas camadas marginais (prostitutas, vigaristas, jogadores, delinquentes, ladrões), e a linguagem dos tipos do  narrador realista é a utilizada pelos membros de tais grupos, com pornografias e expressões pouco acolhidas pela intelectualidade.  Como se não bastasse torcerem o nariz para as situações e falas das figuras criadas por Amado, este ainda era visto, por ser muito lido e vendido para todas as classes sociais,   como uma espécie de escritor de repertório brega.  Jorge chegou a dizer, ironizando e atacando seus críticos, que era "autor das putas e dos vagabundos".  Ao fim de tudo, entretanto, todos tiveram de se render ao fato de ele ser um dos  mais lidos no mundo inteiro.  Como não bastasse isto, a sua morte foi o grande golpe de misericórdia na crítica preconceituosa, e hoje Jorge Amado é um autor inserido entre os mais eruditos do Brasil.
Embora não pudesse deixar de fazer os comentários que fiz, não é à figura de Jorge Amado que me quero prender, mas à adaptação atual de "Gabriela, Cravo e Canela", desta vez realizada por Walcy Carrasco.  Li o romance em 1990, após outros dez ou onze do mesmo criador, e, se havia deturpações na adaptação de Durst (que fez Chico Anysio dizer que, se fosse Amado, dar-lhe-ia o livro - logicamente num protesto contra as modificações), na adaptação de Carrasco existe a quase absoluta ausência da obra do falecido romancista baiano.  O homem (Carrasco) acrescentou personagens que não havia, suprimiu alguns existentes, criou passagens e histórias não acontecidas, deu a criaturas falas que nunca aconteceram, fez falar muito quem não falava nada, promoveu uma bagunça danada na narrativa!  Estuprou a obra.  
Apesar de contar  com atores do gabarito de José Wilker (antes Dr.Mundinho, agora coronel Jesuíno, mas que deve sempre ser visto), Antônio Fagundes (que, veja só, faz um coronel Ramiro Bastos forte e espadaúdo, ao contrário do oitentão decrépito do romance e da novela de 1975 - interpretado pelo grande e magnífico Paulo Gracindo ), Ary Fontoura (Dr. Pelópidas na antiga novela), Laura Cardoso (que faz a mãe do coronel Amâncio Leal e fala e exerce uma grande ascendência e liderança sobre as pessoas, quando, traído por minha memória, tenho a impressão de que a velhinha, se existiu, não falou nada ou quase nada durante toda a novela e o romance).  Em contrapartida, porém, Amâncio Leal, interpretado com grande brilho por Castro Gonzaga no passado, é hoje vivido por um cara que, tentando imitar a voz grave do falecido ator, mais parece que enfiou um ovo de  avestruz na boca e não consegue mostrar nem sotaque nem aquela autoridade perversa e natural passada aos espectadores por Castro (apesar de, no romance, Amado narrar que a figura tinha a fala mansa e afável embora fosse uma pessoa perigosa).  Marcelo Serrado faz um Tonico Bastos que não tem nenhuma personalidade,  a mínima graça, tentando debalde imitar o Fulvio Stefanini, que brilhou tanto na papel, que ouviu do próprio Jorge: "O SEU Tonico Bastos é melhor do que o meu."
Se  Walter George Durst em sua adequação da história à tevê não respeitou alguns pontos da obra, Walcy Carrasco fez uma miscelânica dos diabos, começando pelo Nacib vivido pelo Humberto Martins, que está longe, muito longe de chegar perto do grande Armando Bógus.  Pode ter acertado  a mão na escolha de Juliana Paes, que é bonita e gostosa como o quê, muito embora eu ache estranho que, em 1920, uma mulher usasse vestidos tão curtos e decotes tão ousados como os da atriz sem ser violentada pelos tarados e literalmente linchada pelas mulheres dos coronéis e as outras ciumentas da cidade.  Mais impressionante é que, vanguardista em matéria de moda íntima, aquela Gabriela usa calcinhas fio-dental ainda naquele tempo.  Incrível! Quem seria o estilista?  Adoro bunda, peitos e coxas, sobretudo em se tratanto da mencionada atriz, mas que não existia fio-dental naquela época, não existia mesmo!  Ao que me lembro,  a bela invenção só nos agraciou os olhos a partir dos anos 1980.
Em suma, o que eu acho é o seguinte: alguém da equipe sabotou o nosso Carrasco e lhe entregou o romance errado, mas que ele não leu "Gabriela, Cravo e Canela", ah(!), minha gente(!), não leu não!

2012