Barão da Mata - Verdades e Diversidades

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segunda-feira, 23 de abril de 2012

BREVES SUGESTÕES PARA QUEM VAI SE SUBMETER A EXAME DE PRÓSTATA PELA PRIMEIRA VEZ


Eu sei que esse negócio de fazer exame de próstata é incômodo.  Porém não mais do que incômodo.  Se você tem alguma outra objeção, eu peço perdão, porque não sabia que  sua masculinidade era tão frágil, que um simples exame feito por um profissional de saúde lhe traria à flor da pele tão inconfessos instintos.
Nascido em 1958, já fui examinado inúmeras vezes, mas falar de tais investigações médicas já me valeu ouvir as maiores asneiras do mundo.  Já vieram uma vez defender a "inviolabilidade" do reto masculino.  Brilhante raciocínio! Perdi um irmão  a partir de um câncer intestinal. Já fiz  e tenho de fazer colonoscopia de vez em quando. Na visão do defensor da imaculabilidade da região proctológica o portador de hemorroida tem de sofrer calado,   o de câncer, pior, deixar que a coisa vire metástase de uma vez por todas, mas preservar acima de tudo a "honra".  Uma vez um homem de setenta anos e o cérebro do tamanho de um grão de arroz  levantou as mãos pro céu, suplicando:
- Deus que me livre de um negócio desses! Já disse à minha mulher: "Se eu parar num hospital e ficar desacordado, por favor(!), me deixa morrer, mas não deixa fazer isso comigo.  Deus me livre... perder a virgindade na mão de um outro homem..."
Muito bem feito pra mim, pra aprender a ficar calado ao invés de falar com produtores de imbecilidades em larga escala.  Nunca tive nenhum gosto sexual que no passado fosse considerado exótico e hoje seja quase uma obrigatoriedade para quem não queira ser chamado de reprimido ou anacrônico.  Em outras palavras, não sou homossexual, ou melhor, homoafetivo - que é a mesma coisa mas a terminologia que querem que a gente use - nem nunca tive nenhuma experiência neste campo, nem tampouco tenho qualquer coisa contra a definição sexual de quem quer que seja.
Mas posso, com minha experiência, dar alguns conselhos àqueles que se submetam pela primeira vez a um exame clínico de próstata.
Primeiro, se você se sente acometido de alguma inibição ou insegurança, procure parecer simpático e amigo, e leve um presente para o médico: pode ser uma gravata, um perfume ou uma garrafa de vinho (de preferência acompanhado de um cartão).  Ele ficará agradecido, risonho, retribuirá a simpatia, e aí você vai ficar mais à vontade.
Depois, o urologista (se você não quiser ser examinado  pelo otorrino que mais lhe agrade) pedirá que tire as calças.  Neste momento, sei que o  amigo aí vai ficar inibido, atarantado, e eu sugiro que, para relaxar, pergunte ao especialista se não há um rádio para tocar antes (e durante) uma música suave.
Já de calças abaixo dos joelhos, suado e trêmulo, quando o profissional de saúde mandar-lhe ficar na humilhante posição, seja brando com ele e se explique:
- Doutor... sem querer atingir a sua autoestima... eu gostaria de dizer que... eu gostaria de dizer que...
- Diga, meu amigo!
- É que, doutor... é a minha primeira vez.
Aí eu lhe garanto: ele será compreensivo, calmo, cuidadoso, paciente, e as coisas fluirão naturalmente.
Eu, de minha parte, sempre fui extremamente tranquilo em relação a essas coisas e nunca tive medo ou inibição, nem muito menos senti em xeque a minha masculinidade.  Mas com você pode ser diferente. Por isto sugiro que, após sair do consultório, evite ficar pensando no médico ou se sentir envolvido pelo fato de este haver sido tão ameno, porque terá agido unicamente com profissionalismo, sem outro intento que o de fazer o seu trabalho da melhor maneira possível.  Ou seja, não adianta depois ficar se queixando:
- Insensível... além de não ter demonstrado a menor emoção, nem sequer me convidou pra jantar...
Ah! E mais!  Não adianta ficar ligando pra ele:
- Eu não tô bem hoje, tô sentindo um vazio, parece que falta alguma coisa, e precisava me abrir com alguém, uma pessoa em quem pudesse confiar... Aí então me lembrei de você.  Você me pode ouvir um tempinho? Sinto que tô precisando de colo...
Muito provavelmente ele será ríspido:
- Meu amigo, eu preciso trabalhar. Por favor, resolva seus problemas existenciais com o seu terapeuta.
Agora, se você  estiver seguro de que é plenamente masculino, submeter-se-á ao exame e, finda a consulta, apertará a mão do médico, irá embora e só voltará a procurá-lo um ano depois.


2012
Barão da Mata




sexta-feira, 20 de abril de 2012

A SERPENTE DO PARAÍSO FOI O PRIMEIRO DE TODOS OS ANARQUISTAS


Já ordenara o Senhor Deus:
"De toda  árvore do jardim comerás livremente,
Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás."  - Gênesis 2:15-17.

E não é que a serpente, anárquica e rebelde, ficou soprando ao ouvido da Eva?
- Qual é, Eva? Não tô nem te entendendo!  Vai-me dizer que vai entrar numa de bancar a servil e  obedecer aos caprichos do Todo Poderoso? Pô, Eva, não entra nessa!  Vai agora ceder a pressões de cima, capitular aos desígnios do poder?  É preciso  desobedecer, gata(!), e mostrar que você e o Adão são autossuficientes e senhores dos seus narizes, e não aceitam essa postura autoritária e antidemocrática, essa coisa assim ditada de cima pra baixo e sem nenhum debate político.  Desobediência já!
A mulher olhou para Adão, viu-o vacilante,  pegou na árvore o fruto e deu-se a morder a última:
- É isso aí, serpente!  Chega de totalitarismo!  O Senhor tem toda a força do Universo, e nós, cidadãos capazes de governar a nós próprios, não podemos acatar ordens ou determinações de nenhum gestor, porque simplesmente repudiamos e renegamos a figura da autoridade e reivindicamos o nosso legítimo direito à autodeterminação.
- Apoiada! - bradou Adão brandindo os braços.
Depois deu o sururu que você sabe: após comerem o fruto do conhecimento, foram severamente repreendidos e punidos, expulsos do paraíso, tiveram senso de malícia erótica e dois filhos, o trauma da morte do filho Abel pelo próprio irmão Caim, e nós, descendentes do primeiro casal , herdamos os seus débitos e  até hoje sofremos um sem-fim de percalços como forma de pagamento da dívida.
Dizem que os dois cônjuges, apesar da drástica punição, ainda muito tempo depois viviam a bater nos próprios peitos, orgulhosos de sua insubmissão:
-Tomamos uma porrada feia, comemos o pão que o diabo amassou, mas que ficou registrada na história a nossa rebeldia e coragem, ficou! - num discurso parecido com o dos líderes sindicais de hoje, que levam a categoria a que pertencem à greve e à derrota, com desconto de dias de paralisação, perda de emprego, rebaixamento de cargo, inúmeras humilhações e, acovardados,declaram, fugindo à luta  e tentando consolar os liderados:
- Ficamos sem aumento e houve um monte de demissões, não importa se ganhamos ou perdemos, e sim que ficou clara a nossa insatisfação e marcado o nosso protesto pela situação atual.
A serpente, sim, mais autêntica, inconformada, cônscia dos prejuízos sofridos, pragueja:
- Ah, que rábia! Por eso siempre digo: hay gobierno?  Soy contra!

2012




sexta-feira, 6 de abril de 2012

AUTODEFESA DO SENADOR DEMÓSTENES COMO NA ANTIGA GRÉCIA

  Pelo que a grande imprensa diz (ou no mínimo, no mínimo insinua)a gente deduz que a marcante analogia entre o Demóstenes de Atenas e o de Brasília é que o grego tornou-se o maior orador da Antiga Grécia a partir de exercícios em que enchia a boca de pedras de cachoeira para vencer a gagueira e apurar a oratória, enquanto o " paladino da ética brasileira" mostra uma estreita ligação com o Carlinhos Cachoeira, ou seja: ambos têm em comum o fato de obterem, cada um a seu modo, alguma vantagem de algum tipo de cachoeira, seja cachoeira um manancial ou um homem com um sobrenome de acidente geográfico.  Quando falamos cachoeira, aliás, é preciso lembrar que ambos são mananciais importantes, um de água e outro de dinheiro.
Imagine o nosso defensor da integridade moral fazendo a própria defesa no parlamento, nos moldes da Grécia Antiga:
- Nobres compatriotas, amadas concidadãos!... Se a mim acusais de corrupção pelo simples fato  ser eu afeito a cachoeira e de obter o que há de melhor de cachoeira, a vós indago, ó nobres irmãos e arrimos desta pátria: o que há de mau nisto? 
É bem verdade que, pela tentativa de induzir os julgadores a erro,  deste modo estaria mais para Sófocles, fundador da escola dos sofistas, do que para Demóstenes.  Mas já que divagamos, poderíamos ir à maiêutica de Sócrates, condenado a beber a cicuta sob a acusação de pregar contra os deuses oficiais e corromper a juventude.  Livrar-se-ia da pena caso admitisse a culpa e pedisse perdão, preferiu porém argumentar que não impugnara os deuses e ao mesmo tempo aclareara as idéias dos jovens sobre inúmeros assuntos, que portanto, para que fosse feita justiça, deveria receber do erário uma pensão vitalícia pelos serviços prestados ao Estado.  Diante da inflexibilidade do tribunal, optou por receber a pena capital.  Tido pelos historiadores da antiguidade como o mais sábio dos homens, sua escola (maiêutica) consistia em confundir os interlocutores, que sempre ficavam sem meios de refutar as suas argumentações.
No caso do senador brasileiro, como ele faria a autodefesa aplicando as lições de Sócrates?
- Ilustres julgadores, não tendes vós conhecimento do que é uma cachoeira?  Não usufruístes jamais o que uma cachoeira vos pode  proporcionar?  Respondei, nobres homens de minha pátria, o quão aprazível e deleitante é receber tudo de bom que uma cachoeira nos pode oferecer.  Cachoeira, fonte de vida, esplendor, benesses, que nos refresca e faz felizes... assim sendo, nobres concidadãos(!), dizei-me de uma vez por todas! Quem de vós sabe me dizer as diferenças básicas entre uma cachoeira, uma cascata e uma catarata?! E de que catarata vos falo?! Oftálmica ou geográfica?!  Teriam cura ambas as cataratas?  Se não me sabeis responder com clara precisão, então me dizeis: que mal, então, senhores, há numa cachoeira?
"Por haver esclarecido esta sociedade sobre a importância e magníficência das cachoeiras, proponho que designeis a mim uma pensão vitalícia pelos inegavelmente relevantes serviços prestados a este país.  Caso, entretanto, Vossas Excelências não concordeis com minha proposta, preferirei a condenação a beber não a cicuta, mas um copo dessas infames e mortais cervejas baixa-renda que fabricam por aqui.
Deixando de lado o humor, a grande verdade é que os políticos daqui são de um caradurismo acintoso e não têm o menor respeito pela sociedade que lhes dá aqueles empregos sem similares.

2011


sábado, 31 de março de 2012

BRASILIDADE PELA METADE

Não me move nem comove todo esse interesse, esse afã desmesurado pela Copa do Mundo, toda essa torcida pejada de paixão pela seleção brasileira, quando em momentos como o tempo das privatizações e entrega do patrimônio nacional (por exemplo a Vale), os fervorosos torcedores ficaram alheios e indiferentes às reais derrotas que o Brasil verdadeira e definitivamente ali sofreu.  Que brasilidade é essa?

2012

quinta-feira, 29 de março de 2012

QUE PAÍS É ESTE?!

Queria que você me explicasse uma coisa: por que, quando uma mãe leva um homem à Justiça afirmando ser ele o pai  do  filho que ela tem, e o réu se nega a fazer o exame de DNA, a Justiça decreta a paternidade e o assunto está encerrado, enquanto um pústula embriagado ao volante se recusa a soprar o bafômetro ou fazer exame de sangue não pode ter sua embriaguez decretada e pagar pelo seu crime?  Não estou defendendo pais que não assumem filhos, mas não entendendo por que num caso pode ser feito e no outro, não.
A decisão do STJ é lamentável, e mais do que nunca entendo a bizarrice que o Renato Russo via (e eu também sempre vi) no Brasil ao perguntar que país é este.  Não só repito a pergunta do cantor-compositor, mas também a minha em texto anterior: você já cometeu seu crimezinho hoje?

2012

quarta-feira, 28 de março de 2012

"A ÉTICA DO MERCADO" - MAS COMO AQUI TEM ÉTICA!

Muito gozada aquela declaração da funcionária da prestadora de serviços que caiu na pegadinha da Globo e declarou ao jornalista (pensando lidar com um gestor ou comprador público) que dar  ou receber  propina era " a ética do mercado".    Longe de mim querer execrá-la, porque esta não é proprietária, mas empregada de uma entidade privada cujos dirigentes apontar-lhe-iam cordialmente a  porta de saída caso a mulher se recusasse a oferecer ganhos ilícitos a servidores para a contratação da firma.  Estou no entanto perfeitamente ciente da possibilidade de ela gostar de fazer aquele papel, como sei que muitos na sua condição gostam de fazer aquele joguinho de leva-algum-e-compra.  "É a ética do mercado", como foi dito. Não é mentira, todos sabem muito bem disto.  Tudo é fruto da impunidade.  Todos sabem que onde não há punição existe um oba-oba generalizado.
O vício da propina é antigo.  Quando eu tinha vinte e um anos, em 1979, empreguei-me como pretenso vendedor (digo pretenso porque não vendia nada e tive carreira curta)  de uma fábrica de brindes e, após fechar verbalmente um pedido com um comprador de uma empresa, quando fui oficializar a venda através da assinatura do pedido, o sujeito me perguntou:
- Mas e a minha comissão?
- Comissão? - respondi indagando, inocente e inexperiente.
- Pois é, minha comissão, como fica?
Lá os pretensos fornecedores não tinham oferecido nada, e não é preciso dizer que não aconteceu venda nenhuma, tendo eu deixado de fechar o que seria o meu segundo pedido em mais ou menos três meses. 
Mas já tinha conhecimento, por comentários de outros vendedores, que alguns (não todos, mas alguns) entre os compradores recebiam "uma bolinha" (gostou da expressão?) costumeiramente.
Então, se aquele tipo de coisa acontecia em 1979, e eu nunca presenciei nem soube de uma punição por conta de tal praxe, imagine como o negócio funciona hoje.   Vou repetir o que os outros falam: "É assim mesmo, quem não é esperto não se dá bem."  É a "ética do mercado", não é?
Aqui no Brasil há muitas éticas, cada uma em seu setor.  Tem a ética do malandro, que não dá golpe em otário de outro malandro, a ética do traficante, que não vende drogas em território de outro traficante.  A ética do político corrupto, que não denuncia o colega igual (mas - risos - nem sempre é cumprida).  A do policial pilantra, que não entrega o parceiro, e vai por aí adiante.  São vícios, tudo é decorrente da impunidade. 
As leis versam contra propinas, mas criar ou aprovar leis sem mecanismos de fiscalização é uma grande hipocrisia, e o hábito da propina sai tão caro para a sociedade brasileira, que não sobra nada para investimentos em bens sociais.  Imagine se tudo o que se consome quanto a compras e contratações públicas custar dez por cento a mais: este percentual  dos impostos pagos vai para o bolso de vigaristas.  Significa que sua vida é dez por cento mais cara por causa deles.  Agora, se levarmos em conta os outros desvios praticados por gestores públicos desonestos e políticos ímprobos, ocorre a evasão de uma percentagem que a gente sequer consegue imaginar. 
Ou seja, o erário é lesado, o patrimônio público é subtraído, e nós, cidadãos (ou pretensos cidadãos) pagamos uma conta do que não nos retorna em bens, benefícios e serviços.  Só a ética dessa gente é o que é preservado. Ou melhor, as diversas éticas professadas por grupos iguais, semelhantes ou distintos, sejam eles malandros ou bandidos com cargo oficial, carteira assinada ou alojados na clandestinidade.

2012


DE UM DEMÓSTENES SOBRE OUTRO (OU OUTROS) DEMÓSTENES - OU JÁ NÃO FAZEM MAIS DEMÓSTENES COMO ANTIGAMENTE

Não sei se você sabia, mas assim como o famoso senador, também me chamo Demóstenes (não sou Barão nem da Mata).  E Demóstenes, traduzido do grego para o português, quer dizer força do povo.  É o nome que todo político gostaria de ter e com o qual o nosso ilustre parlamentar foi agraciado.
O Demóstenes da Grécia (384 a 322 A.C.) recebia  o epíteto de " O Leão de Atenas" e, segundo alguns registros históricos, fazia jus à alcunha, pois foi autor de discursos famosos e tentou a todo custo libertar o povo grego do jugo da Macedônia e, uma vez derrotado, preferiu matar-se por envenenamento a se entregar aos dominadores.
Já o nosso senador até que tentou bastante marcar o próprio nome na história brasileira, através de inúmeras bandeiras da moralidade que empunhou.  Defendeu a ética, a dignidade, a integridade,  a probidade administrativa, e apareceu tanto no cenário nacional com seu discurso de bom-moço e de defensor da honorabilidade, que, incrédulo,  fiquei imaginando: "Vão acabar dando a ele um título parecido com o do xará (não faltaria jornalista baba-ovo nem político cínico para isto), quem sabe 'O Leão de Brasília', 'O Leão de Anápolis' ou 'O Leão da Paraíba' (cada um é leão de onde bem pode)..."
Mas o grande fato é que o nosso leãozinho contemporâneo se atrapalhou todo, dizem que se meteu com bicheiro, enfiou-se em falcatruas, fez e aconteceu, perdeu inteiramente a credibilidade, foi abandonado pelos correligionários, teve de deixar a liderança do DEM (cruz credo! Bate na boca!) no Senado, está sendo enquadrado pelos políticos de outros partidos e, ao que parece, como tudo isto não determina o fim da carreira política de ninguém (pelo menos aqui no Brasil), vai continuar se elegendo e aparecendo no noticiário político nacional, mas já não mais como baluarte da moralidade.  Mas política aqui na nossa terra é assim mesmo.  Já nos acostumamos - os outros primeiro, eu, muito a contragosto, depois: a onda acabou me levando, e eu desisti de reclamar.
Por fim, sendo eu xará obscuro  e sem projeção do Demóstenes histórico, o outro xará, famoso mas do jeito como você está vendo na mídia, só posso chegar à triste conclusão de que não fazem mais Demóstenes como antigamente.

2012